“A ideia de fazer um programa de valorização da Literatura Amazonense, que tornou-se uma vitrine de todas as pessoas de talento, tais como escritores, professores, artistas plásticos, poetas, historiadores, escultores, enfim, todos aqueles que fazem a história cultural da Amazônia”

No dia 14 de fevereiro, uma segunda feira do ano de 2000, entrava no ar um programa que buscava seu espaço para divulgação da Literatura produzida na Amazônia, através da Rede de Televisão Amazon Sat, hoje no canal digital 44.1. Como é nos dias atuais, a flexibilidade nos dias e horários, é uma forma de atender aos mais diferentes públicos de todas as camadas sociais. Essa foi uma proposta ousada e inovadora da diretoria do canal para atender aos escritores da região.

Lançamento do programa registrado pelo Jornal do Commercio | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze

A ideia de fazer um programa de valorização da Literatura Amazonense teve participação importante do empresário das comunicações jornalísticas, Phelippe Daou e do, hoje, vice-presidente do Grupo Rede Amazônica, Luciano Maia. O programa tornou-se uma vitrine de todas as pessoas de talento, tais como escritores, professores, artistas plásticos, poetas, historiadores, escultores, enfim, todos aqueles que fazem a história cultural da Amazônia.

Lançamento do livro do Ritta Bernadino. Portugal, 2005 | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze

Hoje, podemos definir como um projeto audacioso e corajoso que usando este meio de comunicação para divulgar valores da produção literária que antes ficavam resumidos ao público local, que, por sua vez, facilitou a comunicação interativa entre os autores e os telespectadores. Pela primeira vez na Amazônia, criava-se um programa com essa dimensão e que de alguma forma os mais céticos acreditavam que não haveria de vingar.

Lançamento do livro do Ritta Bernadino. Portugal, 2005 | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze

Temos que destacar o primeiro entrevistado, historiador renomado, com mais de cento e cinquenta obras publicadas, professor Mário Ypitanga Monteiro, sua primeira gravação foi no jardim do Palácio Rio Negro. Outra gravação importante foi com artista plástico e escritor Moacir de Andrade, gravado no Bairro de Aparecida, local onde o artista residia e tinha sua história registrada.

Lançamento do livro do Ritta Bernadino. Portugal, 2005 | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze

O saudoso jornalista Mílton Cordeiro era quem selecionava as obras e os autores a serem entrevistados, como dizia Mílton Cordeiro “No plano principal teremos um entrevistado que fala de sua intimidade e de sua obra com a Amazônia como pano de fundo. Além da leveza das entrevistas, era assim, aberta uma grande janela para produção Amazônica, sempre preocupado em agradar o telespectador.

Foto:Reprodução/Amazon Sat

O Programa Literatura em Foco tomou asas e foi gravado na Universidade de Sófia, na Bulgária, na Biblioteca Nacional de Lisboa, em Portugal, nesse país, várias vezes, inclusive, em Oliveira de Azémeis, contando a história da Literatura produzida por Ferreira de Castro. Gravações em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Cuiabá e em todos os Estados da Amazônia legal.

A produção da literatura em nosso estado é grande, o que permitiu a longevidade deste programa. Os escritores da Amazônia que, muitas vezes, só tinham pequenas páginas nos jornais ou entrevistas nas rádios, passaram a ter um espaço privilegiado. Outro fato interessante é que a direção do programa orientava para que as gravações fossem externas, em praças e logradouros públicos, para mostrar sempre os espaços importantes da Amazônia.

Foto:Reprodução/Amazon Sat
Longe de ser uma espécie de sabatina, com perguntas e respostas, o programa busca instigar seus entrevistados sobre os aspectos de suas obras.

Nomes ilustres passaram pelo programa, Milton Hatoun, Gerson Nakagima, Robério Braga, Samuel Benchimol, João Bosco Botelho, Jefferson Peres, Zé Maria Pinto, Aristhóteles Alencar, Sérgio Cardoso, Elson Farias, Francisco Gomes, Carmen Nóvoa, Marilene Corrêa, Marcílio de Freitas, José Braga, Ednéa Mascarenhas, Márcio Souza, Roberto Mendonça, Sylvio Pulga, José Fernando, Alan Rodrigues, Heloísa Helena, Isaac Dahan, Roberto Tadros, José lino, Elsa Barria, Carlos Almir Ferreira, Júlio Lopes, Dante Fonseca, Deusa Costa, Ederaldo Costa, Euler Ribeiro, Rui Machado, Pedro Lindoso, Isaac Maciel, Urias Sérgio, Otoni Mesquita, Edilene Mafra, Gisele Alfaia, Dina Acer, Bete Azize, Maria Júlia, Arthemes Soares, Gustavo Igrejas, Flávia Frota, Antônio Loureiro e tantos outros nomes da nossa Literatura.

Lançamento do livro do Ritta Bernadino. Portugal, 2005 | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze

A caminhada foi longa nesses vinte anos e que nos permitiu a partir da ideia de divulgar e facilitar o percurso literário de nossos autores. Com produção semanal e apoio institucional do Grupo Magistral e do Grupo TV Lar, o programa vem se mantendo em evidência e já é considerado uma referência dentro e fora da Amazônia. O conhecimento da produção literária levado a sério, precisava começar com um nome que desse impacto, por isso, foi escolhido, à época, Mário Ypiranga Monteiro.

Atualmente, o programa continua sendo gravado semanalmente, destacando toda produção de professores universitários, de autores independentes, o que nos permite um comprometimento do canal com a sociedade local. Construído de forma simples, procura mostrar nas suas entrevistas aquilo que o telespectador quer saber da produção literária.

Entrevista com o então ministro da Cultura à época e também ao empresário Ritta Bernardino que lançava seu livro. Portugal, 2005 | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze

Valeu a pena jornalista Phelippe Daou, que hoje já não está conosco. Valeu a pena vice-presidente do Grupo Rede Amazônia, Luciano Maia, falar da literatura produzida na Amazônia que é fundamental para aqueles que aqui produzem. Tenho certeza que ainda haverá um longo caminho a ser percorrido e, quando eu já não estiver aqui, haverá outro que dará continuidade a este projeto do canal de televisão Amazon Sat.

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Abrahim Baze
*Amazonense de Manaus. Graduado em História pelo Centro Universitário do Norte e pós-graduado em Ensino à Distância pelo Centro Universitário UNISEB-COC, de Ribeirão Preto/SP. Recebeu o título de Notório Saber em História, pelo CIESA, de Manaus/AM. Fundador e organizador dos museus da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, Luso Sporting Clube, Rede Amazônica, Memorial e Biblioteca Senador Bernardo Cabral, Centro Cultural Luso Brasileiro do Amazonas, Centro Universitário Luterano de Manaus, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos e do Atlético Rio Negro Clube. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica e apresentador dos Programas de TV: Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Autor de mais de 65 títulos sobra História da Amazônia. Membro da Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Academia de História do Amazonas, Academia de Medicina do Amazonas, Academia Maçônica de Letras do Amazonas, Associação Nacional de Escritores (Brasília), Associação dos Escritores do Amazonas e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas.

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