Quando a Amazônia se chamava Grão-Pará havia três cidades importantes na enorme região: Belém situada no litoral era a grande capital.  Santarém na região do rio Tapajós e nossa Manaus, capitaneando o majestoso rio Negro.

Fomos elevados à categoria de província e hoje Manaus é a grande capital do Amazonas. Infelizmente nossos irmãos do Tapajós até hoje não conseguiram ficar independentes do Pará. Jamais faltou vontade e houve várias tentativas.

Santarém tornou-se muito conhecida ultimamente por conta do Alter do Chão. Mas o que muita gente não sabe é que na região do Tapajós tem uma cidade que se prepara para ficar tão ou mais famosa que Parintins. Não faltam por lá guerreiros valentes e belas cunhãsporangas. Falo da mimosa e centenária Juruti.

Se você curte um sambódromo e um bumbódromo, com certeza vai curtir o tribódromo de Juruti.

É no tribódromo de Juruti que acontece o TRIBAL – Festival de tribos de Juruti. É sempre no final do mês de julho, para não atrapalhar o festival de Parintins que é em junho. Esse ano o festival terá sua 25ª Edição, de 26 a 28 de julho.

Ano passado os Mundurukus convidaram os povos da Amazônia, do Brasil e do mundo a reverenciar e retomar o ponto onde tudo começou. Já os Muirapinima, que perderam por dois pontos (uma provável injustiça), reverenciaram a essência da vida dos povos satarê-mawé. Os sateré-mawé jamais se afeiçoaram aos portugueses. Davam ordens às suas mulheres que não aprendessem a nossa língua. Participaram ativamente da Cabanagem. Foram eles que transformaram o guaraná em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos.

O tema desse ano é “Resistência Indígena no Coração do Brasil”. Segundo os organizadores o fomento à resistência dos indígenas é o principal objetivo. Além da valorização da cultura e da História local.

Os saterê-mawé praticam o ritual da tucandeira. É o conhecido e assustador ritual de iniciação para a vida adulta. Ao enfiar as mãos em uma luva cheia de formigas durante aproximadamente vinte minutos, o menino não apenas demonstra estar apto para vida, mas também ganha respeito e admiração.

Há quem diga que esses povos guerreiros de grande resignação e audácia tem alguma descendência dos incas e vieram do Altiplano andino até a Região do Tapajós, hoje também conhecida como Baixo Amazonas.

Já me considero torcedor da tribo dos Muirapinima, que parece ser a tribo do povão. Estou indo conhecer o festival de Juruti. Deve ser mesmo wakusese, que significa muito bom em sateré-mawé.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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