“Vamos festejar as letras e as ciências, revisitar a obra desses ilustrados escritores, divulgá-la, fazê-la servir de estímulo aos mais jovens (…).

Não será neste ano a primeira oportunidade em que a Academia Amazonense de Letras festejará o Jubileu de Ouro de um dos seus membros efetivos. Antes, e não faz muito, a Casa de “Adriano Jorge” já esteve engalanada para outros reconhecimentos de igual valor, precisamente para Nunes Pereira, Violeta Branca, Thiago de Mello e Mário Ypiranga. Agora, orgulhosamente, mais bem ao seu jeito caboclo de ser, Elson José Bentes Farias será homenageado por tão grata ocorrência que não só registra a sua trajetória de acadêmico como ressalta a sua contribuição incessante às letras e às culturas amazônicas, como o fazia desde antes de ser convocado por Djalma Batista para ingressar no Silogeu, exatamente quando dos cinquenta anos de fundação da entidade. Na época, dava-se a renovação dos quadros de titulares da instituição e logo adiante ingressaram Jorge Tufic e Newton Sabbá Guimarães, igualmente detentores de pleno reconhecimento da sociedade.

Belo poeta, romântico, vivendo os sonhos das madrugadas, por pouco Tufic não nos permitiu a alegria da hora presente, encantando-se no começo de 2018. Newton, senhor de diversos títulos universitários, poliglota e homem de caráter inabalável, crítico literário de alto quilate” espia com olhos de amanhã a chegada desta consagração que será festejada em breve. Elson alargou horizontes na produção intelectual. Poeta, a princípio, homem de ação – e boa ação – na gestão da política cultural no começo dos anos 1970, foi caminhando pela dramaturgia, romance, ensaio, biografia, e, como se não bastasse, deixou-se encantar pelo filho Zezé e tem produzido textos contagiantes para crianças os quais vêm sendo dispostos em edições que estimulam a leitura e ensinam, porque preparados com carinho de pai. Assíduo na Academia, foi eleito presidente na sucessão de Max Carpenthier (que majestoso poeta), e deu ânimo ainda maior à Casa. Em outra entidade tradicional, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, sob a liderança de José Braga cuja presidência agora iniciada se prenuncia com das mais produtivas para a instituição, festejam o Jubileu de Ouro os escritores Francisco Gomes da Silva e José das Graças Barros de Carvalho reunindo-se a Bernardo Cabral, Jorge de Paula Gonçalves e Roosevelt Braga dos Santos que ultrapassaram por primeiro esta marca singular.

Quando cheguei à Casa de Bernardo Ramos em 1973, encontrei-os ao pé da escada a receber-me, fraternos, aconselhadores, dando-me o caminho para passos engrandecedores na empreitada que se transformou em paixão para toda vida: a pesquisa histórica. Francisco o historiador das itaquatiaras como grafava mestre Mário Ypiranga Monteiro o alto de sua conhecida autoridade de pesquisador, vem se dedicando a desvendar o passado da terra de nascimento desde que Arthur Cézar Ferreira Reis o descobriu e o valorizou com a edição de seu primeiro livro. Entre a política e o exercício do ministério público Francisco Gomes tem produzido de forma determinada e contínua, sempre com valor. Barros de Carvalho, advogado, professor, pastor evangélico e procurador do Estado, quando assumia a tribuna do velho casarão da Rua de São Vicente o fazia com elegância e simplicidade na qualidade de orador oficial sucedendo a Viva Ido Lima e Rodolpho Valle. Discreto, anda recolhido em afazeres que quase o afastaram desse turbilhão da convivência literária. Vamos festejar as letras e as ciências revisitar a obra desses ilustrados escritores, divulga-la, fazê-la servir de estímulo aos mais jovens abrir ainda, mais a Academia e o Instituto Geográfico e Histórico aos que desejem viver aproximação mais fértil com os sodalícios, e aplaudir estas personalidades que permanecem oferecendo contributo de inteligência à nossa terra.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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