Segundo os organizadores da obra José Roberto Tadros e José Fernando da Silva, a expansão do ciclo da borracha dependeu de imigrantes estrangeiros na Amazônia, tais como: Sírios, Libaneses e Judeus marroquinos.

Segundo os organizadores da obra José Roberto Tadros e José Fernando da Silva, a expansão do ciclo da borracha dependeu de imigrantes estrangeiros na Amazônia, tais como: Sírios, Libaneses, Judeus marroquinos, com suas famílias, que dedicados ao comércio varejista e como regatão prosperaram rapidamente.

O caminho de Damasco, começou em Atenas e terminou em Manaus. Essa caminhada é trajetória do imigrante David Tadros, de origem grega, que imigrou para o Amazonas em 1869.

Vale ressaltar que a grande dificuldade que fora encontrada no princípio de sua vida na nossa Região, foi a barreira do aprendizado da nossa língua, por conta de sua formação nas línguas grega e árabe. As vicissitudes impostas aos pioneiros foi a dura vida travada nos beiradões, rios, paranás e seringais da Amazônia, onde começou o processo de ocupação da Amazônia, o primeiro ciclo de desenvolvimento da região.

Vencido todos os obstáculos de adaptação com dedicação, devoção compromisso aliado ao grande espírito empreendedor, fundou a fima Tadros & Cia, no ano de 1874, vale a pena lembrar que foram os pioneiros na navegação do nosso Estado e a mais antiga empresa em operação no Estado do Amazonas. De acordo com registros na Junta Comercial do Amazonas.

No seu registro mercantil, a empresa pioneira Tadros & Cia, surgiu quase na mesma época de dois outros imigrantes, um português e o outro judeu, que criaram os respectivos estabelecimentos comerciais: J. G. Araújo e B. Levy.

Essa tríplice aliança de culturas diversas, línguas e valores encontraram-se no princípio do período áureo do látex, entre 1879 à 1910, que teria seu declínio a partir de 1911 até 1914. A empresa desse promissor empresário após a queda do látex, continuou em franca expansão e hoje é administrada pela quarta geração dessa tradicional família. O imigrante David Tadros naturalmente superou grandes dificuldades na ampliação e diversificação e suas atividades comerciais em virtude do bloqueio dos colonizadores portugueses que procuravam comercializar somente entre eles, mantendo uma estrutura delimitada do mercado local.

Porém, no início do século XX, com maior volume de imigração de sírios, libaneses, judeus marroquinos e naturalmente de brasileiros do nordeste do país, começaram a explorar os seringais, sobretudo nos Estados do Acre e Rondônia, que neste período fazia parte do território do Estado do Amazonas.

Os pais David e Maria Santa’Ana Peres Tadros – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. Memorial do Comércio: história das famílias que desbravaram o Amazonas.

Sem dúvida, tal pioneirismo iniciado pelo patriarca David Tadros, em 1888, contribuiu decisivamente para a formidável expansão nos horizontes comerciais de nossa região.

Com o falecimento do senhor David Tadros ocorrido em 1908, seu filho José Tadros que nasceu em Damasco, capital da Síria, no dia 22 de dezembro de 1883 e chegou ao Amazonas ainda criança, assumiu mais tarde o comando da empresa do pai, transformando-a na firma individual José Tadros. Em 1912, fundou a empresa Tadros & Cia, em Belém do Pará.

Em 1916, criou a empresa Tadros Navegação, destinada ao transporte de produtos regionais, incluindo-se neste contexto a exportação do látex, estabelecendo um importante intercâmbio comercial, nas calhas do rio Solimões, Purus e Japurá.

Em 1934, José Tadros, mudou a razão social para José Tadros & Cia, com a inclusão de seus filhos, Maria e o Engenheiro Agrônomo David, em 1945 a empresa foi recadastrada, em virtude do grande incêndio que consumiu a Junta Comercial do Amazonas.

Hoje a empresa tem a seguinte denominação social José Tadros e Cia Ltda, de acordo com alterações efetuadas em 1976. As empresas prosperaram especialmente no setor de aviamento, tendo inclusive, chegando a fazer financiamento próprio, para seus clientes. Neste período, bons ventos sopravam para o empresário, pois exportava seus produtos para Nova York, Liverpool, Havre, Hamburgo, Antuérpia, Lisboa. Com o crescimento das atividades, foi necessário, nomear representantes em toda região Amazônica, criando entrepostos em Porto Velho e Rio Branco, em 1916.

José Tadros e sua esposa Júlia Hyek Tadros, nascida em Beirute, Capital do Líbano, no dia 21 de setembro de 1895 e falecida em 2 de julho de 1961, em Manaus e que o acompanhou desde 1910, exploraram por muitos anos o comércio de látex e navegação, até o processo de decadência, em 1914.

Maria Santa’Ana Peres Tadros (Mãe) – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. Memorial do Comércio: história das famílias que desbravaram o Amazonas.

“… O professor catedrático da Universidade Federal do Amazonas, doutor Samuel Benchimol, em seu livro, Memórias Manáos do Amazonas – Memória Empresarial, atesta que no ano de 1916, os Tadros eram considerados, entre os quarenta maiores aviadores do comércio de borracha, na época liderado por J. G. de Araújo, B. Levy e Cia e tantos outros.”

Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. TADROS, José Roberto, DA SILVA, José Fernando Pereira. Manaus: 2014. Pág., 22.

Paulo Rogério Tadros, José Roberto Tadros e Luís Ricardo Tadros – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. Memorial do Comércio: história das famílias que desbravaram o Amazonas.

Vale ressaltar que a empresa de José Tadros tinha uma frota de navios, “Rio Jordão, Santa Lúzia, Barros” e, as demais lanchas de menor porte movidas a vapor com alvarengas e batelões, que transportavam gêneros alimentícios para Manaus e naturalmente o látex que era exportado. Já no ano de 1916, José Tadros consolidou sua empresa com a expansão e interiorização, com o desenvolvimento e investimentos nas filiais de Porto Velho, Rondônia e Rio Branco, Acre. Na década de 1920, já com látex em grande queda e falência de seringalistas, cujos, negócios foram liquidados, a empresa foi obrigada a receber como pagamentos inúmeros seringais. O patrimônio imobiliário da empresa em Manaus, teve um crescimento vertiginoso, pois os seus primitivos escritórios e armazéns forma transferidos para a rua Leovegildo Coelho e Floriano Peixoto e um grande prédio na rua Marcílio Dias, esquina de Quintino Bocaiúva onde a empresa a permanece até os dias atuais.

Na década dos anos quarenta e cinquenta com a reativação dos negócios prevendo o fim do ciclo do látex com entrada do Banco de Crédito da Borracha, que trouxe consigo o fim da atividade de exportadores desse produto, José Tadros já com auxílio de dedicados e competente filhos, David José Tadros e dona Maria Tadros, fundaram a organização Oliveira Tadros e Cia Ltda, para se posicionar no mercado de eletrodomésticos, móveis, material de escritório e seguros.

Mário, José Roberto, Santa’Ana e Luís Ricardo Tadros – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. Memorial do Comércio: história das famílias que desbravaram o Amazonas.

Durante toda sua existência, José Tadros prestou grandes serviços comunitários, sendo Presidente da União Sírio Libanesa, por quase meio século e nos fins de semana visitava e dava ajuda aos enfermos doentes nos hospitais e asilos.

Antes de sua morte ainda fundou as empresas Distribuidoras Nacional de Ferragens SA, São Paulo e Petrides Cia. Participou como diretor da Associação Comercial do Amazonas. O embaixador do Líbano declarou que para merecer a homenagem José Tadros não precisava ter sucesso que o alcançou como empresário, bastando conceito de integridade que honrava grande nação.

Fonte:

Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. Memorial do Comércio: história das famílias que desbravaram o Amazonas. Idealizado por José Roberto Tadros e organizado por José Fernando Pereira da Silva. Manaus: s.n., 2014. v. l.

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Abrahim Baze
*Amazonense de Manaus. Graduado em História pelo Centro Universitário do Norte e pós-graduado em Ensino à Distância pelo Centro Universitário UNISEB-COC, de Ribeirão Preto/SP. Recebeu o título de Notório Saber em História, pelo CIESA, de Manaus/AM. Fundador e organizador dos museus da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, Luso Sporting Clube, Rede Amazônica, Memorial e Biblioteca Senador Bernardo Cabral, Centro Cultural Luso Brasileiro do Amazonas, Centro Universitário Luterano de Manaus, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos e do Atlético Rio Negro Clube. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica e apresentador dos Programas de TV: Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Autor de mais de 65 títulos sobra História da Amazônia. Membro da Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Academia de História do Amazonas, Academia de Medicina do Amazonas, Academia Maçônica de Letras do Amazonas, Associação Nacional de Escritores (Brasília), Associação dos Escritores do Amazonas e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas.

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