É fato que a mentira tem perna curta, mas o boato corre. E como corre. Hoje o boato se chama “fake news” e sua velocidade, em especial pela internet e mídias eletrônicas, alcança exponenciais estratosféricos.

Os boatos “fake news” voam destruindo reputações, espalhando ódios, destruindo famílias, abalando a bolsa de valores e a cotação do dólar. Podem ainda causar malefícios a saúde das pessoas, graves constrangimentos e muitas outras consequências trágicas. Ou simplesmente fazer rir alguns e causar choro em outros.

Os boatos e as fakes news não são novidades. Antes do advento da internet e das mídias sociais havia as malsinadas cartas anônimas. Eram usadas para manchar a reputação principalmente de políticos em épocas de eleição. Cartas dirigidas também às casas das vítimas. Eivadas de calúnias, difamação e inverdades, as cartas anônimas circulavam pelas cidades impunemente. Como circulam as postagens atuais. Algumas eram reproduzidas em mimeógrafos. Aparelhos anteriores as máquinas xerox usadas para reprodução de textos, provas e trabalhos escolares.

Como filho de político, minha família foi vítima de cartas anônimas. Elas atingiam não só o político, mas sua família, seus negócios, sua imagem e toda uma reputação.

Quando há interesse político, econômico, social ou financeiro esse expediente sórdido pode ser explicado pela ganância, cobiça ou desejo intenso de poder e fama. Além de ódio e vingança. E quando não há isso? Como explicar a fabricação de boatos e fake News?

Colega de Ginásio, ao qual chamarei pelo codinome de Jetatura, era contumaz espalhador de boatos. Na entrada de nosso colégio, se formava uma fila para entrega das carteiras de controle de assiduidade dos alunos. Sem o carimbo de presença, significava que havíamos “matado” aula. Servia para controle da direção e dos pais. Pois bem, Jetatura aproveitava esse momento de aglomeração para espalhar boatos.

Uma vez inventou que um famosíssimo cantor romântico brasileiro havia falecido em desastre de carro. A celebridade, já idoso, é vivo até hoje, graças a Deus. Mas Jetatura se comprazia quando, na hora do recreio, o boato retornava a ele. Dava uma grande gargalhada de mórbido prazer.

Jetatura se superou ao espalhar que uma temida professora de Matemática havia contraído câncer e não retornaria para a escola. A licença médica da professora, de três dias, era para curar uma simples faringite.

Não fui e nem quis ser amigo de Jetatura. Machado de Assis disse que “o menino é o pai do homem”. Dizem que ele persiste nos dias de hoje, criando e espalhando fake news pela internet.

Compartilhar
Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui