Quando sou requisitado a falar sobre o jaraqui, abro meu sorriso mais sincero, de fato é o meu peixe preferido. Uma carne farta e saborosa que me remete as melhores lembranças de uma infância ribeirinha, nas queridas cidades de Itacoatiara e Parintins. Já conheci muitos lugares deste mundo, mas a saudade deste peixe faz jus a um dos ditos populares mais famoso de nossa terra “quem come jaraqui, não sai mais daqui”.

Fiquei feliz por saber que o Jaraqui foi reconhecido como patrimônio cultural Imatertal da cidade de Manaus através do decreto Lei N° 2.540 divulgada no Diário Oficial do Município (DOM). O reconhecimento prevê o incentivo de sua perpetuação e preservação cultural como legado para as futuras gerações, É importante saber sobre o período de reprodução do peixe e respeitar a época do defeso, para que possamos continuar saboreando essa riqueza amazônica.

Outro dia me deparei debatendo sobre o aumento do preço da carne, ora somos livres para ficarmos indignados, mas com a minha humilde opinião achei uma boa oportunidade para incentivar o consumo de peixe, tão abundante em nossa região.

Nas pesquisas realizadas com o “homem da floresta”, encontramos a maioria dos ribeirinhos nutridos com proteínas, oriundas somente dos frutos e peixes da região, mantendo uma saúde que até ‘hoje é tema de estudos pela qualidade e longevidade.

Nosso jaraqui além de abundante e acessível ao bolso é dotado de uma excelente gordura, o famoso ômega 3, sendo também rico em cálcio, ferro e zinco. As proteínas do peixe são de baixo peso molecular e tudo que se é consumido é aproveitado sem nenhum malefício, portanto, pode ser consumido da cabeça ao rabo. O homem urbano foi perdendo suas tradições e hoje convivemos com muitas doenças crônicas causadas pela má alimentação, muitos reduziram o consumo de peixe para o final de semana e passaram a consumir diariamente a carne vermelha, reveja seus conceitos e vá ao mercado comprar seu pescado.

Mas, nem tudo são flores, o modo de preparo é muito importante. A fritura deixa a gordura saturada e entope nossas artérias, por isso recomendo outras formas de preparo. Com um bom tempero amazônico podemos variar e . comer assado, grelhado, cozido, ensopado e até picadinho! Para facilitar a nossa vida já tem disponível nas feiras de pescados o picadinho de jaraqui, um dos meus pratos favoritos ao me aventurar pela cozinha. Qualquer dia compartilho com vocês l minha famosa receita.

Doutor! E a farinha? Tá liberada com moderação, afinal, o peixe nasceu para farinha. Ai de mim mexer com a farinha! Apesar de perder nutrientes no seu preparo, a farinha de mandioca é um carboidrato com médio índice glicêmicos, dá energia, ajuda no funcionamento do intestino e não tem glúten, mas deve ser consumida moderadamente por diabéticos. O problema não é a farinha, mas a proporção no prato. Diminuam!

A carne tá cara, mas eu prefiro peixe. Cuidem-se!

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Euler Ribeiro
*Amazonense de Itacoatiara. Médico, MD. PhD em Geriatria e Gerontologia. Ex-secretário de Saúde e ex-deputado federal pelo Estado do Amazonas. Fundador e atual Reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade. Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

1 COMENTÁRIO

  1. Olá Bom dia, gostei deste assunto : O nosso querido JARAQUI, este peixe deve ser considerado o Príncipe dos Rios Amazônico, ele é cantado em versos e prosas pelos Autores que descrevem a nossa Região, Parabéns por descrever o JARAQUI – rico em ômega 3.

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