A cidade de Itacoatiara volta ao status de protagonista de campeã de um dos mais importantes festivais de música do Brasil, o FECANI- Festival da Canção de Itacoatiara. Em 2015, conforme veiculações na imprensa, após diversas “idas e vindas” nas negociações com o governo do Estado pelo patrocínio maior do evento, o festival foi realizado com orçamento reduzido. No entanto, a programação principal que premia os concorrentes pela melhor música permaneceu, e seu resultado fez abrir o sorriso dos itacoatiarenses, já que o prêmio de canção campeã ficou com uma filha da cidade da Pedra Pintada.

Nesta 31ª. edição do evento, realizada nos dias 4, 5 e 6 de setembro, a música “Meu pôr do sol”, de Adonai Cavalcante, consagrou a cantora itacoatiarense Alanna Fonseca como campeã do festival, e devolveu à sua cidade o título maior, há cerca de duas décadas ausente.

Imagem gentileza de Amazon Sat

Imagem: gentileza de Amazon Sat

Desde que o festival foi criado, o município de Itacoatiara conquistou alguns títulos de 1º. lugar, como em 1985, com a música Puxirum de farinhada,  de autoria e interpretação de Alírio Marques; em 1987, com Canção da Amazônia, também de Alírio Marques (autor e intérprete); em 1988, com Ilha morena, de Sebastião Nunes, interpretada por Natinho; mais uma vez em 1989, com Planeta vida, de Alírio Marques (autor e intérprete); em 1992, comAlma carente, de Roberval Nonato e interpretação da, também, itacoatiarense Michele França; e em 1993, com Clamor de índio, de Marcos Castro, interpretada por Elton Castro.

Foto gentileza de Marcos Mendonça

Foto: gentileza de Marcos Mendonça

De lá até aqui, a cidade da canção não figurou mais entre os campeões, embora aqueles vitoriosos filhos da terra tenham se tornado grandes representantes da música local até hoje. Não há dúvidas de que a disputa no referido festival tenha evoluído para níveis mais técnicos, o que certamente motivou o acirramento da competição. Para o compositor e cantor Alcindo Andrade, que já disputou em quatro edições do FECANI, a qualidade musical entre competidores itacoatiarenses existe, porém aos atuais intérpretes, falta-lhes o alto nível técnico de que dispõem os principais competidores do FECANI, que, inclusive, trazem no currículo premiações em outros festivais. “Não podemos disputar, contando apenas com a vocação, nem podemos esperar exclusivamente por incentivos externos, para o aprimoramento de nosso potencial. Precisamos buscar a especialização de nosso talento musical, pois o festival é bastante criterioso e tem competidores de alto nível”, destacou Alcindo. O compositor Andrade, que também é poeta premiado, professor de Literatura brasileira e membro da Academia Itacoatiarense de Letras, parabeniza a recém campeã do FECANI 2015. “A Alanna é um dos poucos exemplos de artista inato! Ela nasceu para a música. O que ocorre com ela no palco não é de simples explicação, pois ela não teve formação acadêmica para isso, mas lá em cima, a mocinha mostra que pode não apenas estar entre os melhores intérpretes musicais, mas também pode vencê-los”, disse Alcindo.

No festival deste ano, a campeã Alanna Fonseca disputou com nomes veteranos e já premiados no FECANI, entre os quais o emblemático Rocivaldo Patriarca, o popular Peteleco da viola, 1º. lugar, em 1995, com a música “Por um palmo de terra”, e vice-campeão em 2015, com “Literatura escrachada”, que conquistou ainda o prêmio de melhor letra. Das demais premiações da noite, Alanna Fonseca levou também o título de melhor intérprete e melhor torcida.

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Salomão Amazonas Barros
Poeta e folclorista, atributos que herdou de seu saudoso pai – o popular Zé Barros. Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM.

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