A crise da pandemia do Conronavírus inviabilizou que Itacoatiara festejasse com alarde o sesquicentenário da principal avenida da cidade. Aberta em 1870, ainda como uma simples estrada ligando a então vila de Serpa ao chapadão de terras de várzea, atualmente conhecido como o vale da Poranga – a principal via pública da bela urbe itacoatiarense é uma atração para visitantes e turistas e um orgulho sem tamanho para os filhos da Cidade da Pedra Pintada.

Segundo o historiador Francisco Gomes da Silva, a estrada foi aberta pelo empreiteiro português Joaquim José Pinto de França, em razão de contrato celebrado em 13 de abril daquele ano com a Câmara Municipal da então vila de Serpa. Constituindo um lugarejo de cerca de 2.000 habitantes, a então futura Itacoatiara precisava de angariar maiores espaços urbanos para dar guarida à imensa legião de imigrantes que chegavam à procura de trabalho e riqueza, face ao chamado período áureo da borracha que também imperava naqueles pagos. Vale a pena ler essa bela trajetória nos livros do historiador Gomes, membro da Academia Amazonense e do IGHA – que há mais de 60 anos pesquisa e escreve sobre sua terra natal – e não só em seus livros (16 ao todo), como também em vários artigos publicados neste veículo eletrônico e interativo.

Sequenciando à história, quatro anos depois da abertura da estrada, a vila de Serpa foi elevada à categoria de cidade (Lei Provincial número 283, de 25 de abril de 1874) com o nome de Itacoatiara. Dali em diante, à medida que a estrada se firmava como ponto de ligação entre o centro histórico e os bairros que nasciam e cresciam, ela passou a ter vários nomes: Travessa Amazonas em 1895; Travessa da Liberdade em 1896; Avenida Conselheiro Ruy Barbosa em 1897; Avenida Plínio Ramos Coelho em 1957; Avenida Torquato Tapajós em 1965 e Avenida Parque  a partir de 1993. Os trabalhos de sua urbanização e arborização começaram na administração do prefeito Isaac Perez, em 1928. Ele que conhecia a cidade de Paris, entendeu de transportar para o interior da Amazônia um arremedo da célebre Champs Elysées – e assim montou uma Avenida com passeio central cercado de árvores entre duas pistas de tráfego laterais. A grande obra do prefeito Isaac Perez teve seguimento; muitos dos prefeitos que o sucederam, uns mais outros menos, continuaram os trabalhos de ampliação e embelezamento da Avenida, a ponto de elevá-la ao patamar de uma mais belas da Amazônia, o famoso túnel verde urbano – o maior do Brasil! Como informado, as comemorações do sesquicentenário da Avenida Parque, na próxima segunda feira, dia 13, terão um sentido restrito, sem a participação do grande público. Tanto é assim que, desde o início desta semana, muitos intelectuais, artistas e pessoas gratas de Itacoatiara, têm referido sobre o assunto e proclamado sua alegria através das mídias sociais.

O ponto alto das comemorações foi através do Programa Canoa Cultural (PCC), veiculado ontem (domingo, entre 13 e 14 horas) através da Rádio Difusora de Itacoatiara, de propriedade do ex-deputado Jurandir Cleuter Mendonça. Referido programa, coordenado pelo cantor Raimundo Nonato Gusmão, o popular Natinho, em cooperação com a Associação dos Moradores e Amigos da Avenida Parque (AMA-API), representado pelo presidente Níger Rubem de Paiva, colocou no ar o historiador Francisco Gomes da Silva, o qual, através de uma emocionante palestra de cerca de 30 minutos, discorreu sobre a importância da Avenida para a história, a economia, a cultura, o turismo – e sobretudo para a elevação da autoestima do povo de Itacoatiara.

Além da palestra histórica, foram lidos diversos poemas abordando o tema “Avenida Parque” e, após seleção feita por uma comissão julgadora previamente escolhida, vários de seus autores foram premiados em dinheiro, além de cestas básicas e livros sobre a Amazônia e Itacoatiara.

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