O centenário “Jornal do Comércio”, desta capital, em sua edição histórica de 24 de outubro último, em homenagem ao aniversário de Manaus, INOVOU E FEZ MUITO BEM: referiu os demais municípios do Estado proporcionando, destarte, a seus leitores e sobretudo aos estudiosos a informação e o conhecimento da História, da Economia, da Cultura, das Artes, da Culinária, etc. deste imenso Amazonas. Uma bela e providencial iniciativa, sem dúvida, que merece ser aplaudida e efusivamente parabenizada. O texto sobre o Município de Itacoatiara, de autoria do jornalista Marcelo Peres, é este que abaixo prazerosamente transcrevemos.

Dúvida sobre o ano de criação do município levou um vereador a elaborar um projeto de lei para mudar a data oficial Certidão de nascimento polêmica.

História oficial data a criação da cidade em 25 de abril de 1874, com base na lei 283 de 25 de abril do mesmo ano.

Capital dos festivais no Amazonas, Itacoatiara convive ainda com uma pendenga que divide políticos, historiadores e parte da população sobre a sua real data de fundação. Os embates se tornaram tão polêmicos que hoje existe um projeto de lei tramitando na Câmara Municipal sobre a questão: quando realmente surgiu o povoado que posteriormente se tornou um dos municípios mais prósperos do Estado?

Autor de pelo menos 15 livros sobre a história de Itacoatiara, o historiador e promotor de Justiça aposentado, Francisco Gomes da Silva, questiona as informações oficiais sobre o surgimento da cidade, segundo as quais o município teria sido fundado em 25 de abril de 1874, com base na lei 283 de 25 de abril daquele mesmo ano, que elevou a vila à categoria de cidade. Essa é a data oficial do aniversário de Itacoatiara que é comemorada desde então.

Pesquisador incansável, Gomes da Silva contesta com argumentos a data de quem conhece a fundo a real história da fundação de Itacoatiara. “Inexplicavelmente, as autoridades municipais vêm comemorando anualmente como data magna do município o dia 25 de abril e, sendo assim, Itacoatiara teria 145 anos de existência, o que é uma incoerência”, afirma o historiador. A prevalecer “tão anormal e esdrúxula situação”,
prossegue ele, a cidade seria mais nova que sua principal avenida, que é de 1870 e vai comemorar 150 anos em abril de 2020. “Seria mais nova que o bairro da colônia, fundado em 1854”, acrescenta o historiador.

De acordo com Francisco Gomes, na realidade, Itacoatiara foi fundada em 8 de setembro de 1683, com uma missão jesuítica. Em 1º de janeiro de 1759, foi elevada a vila e, em 25 de abril de 1874, ganhou a categoria de cidade. Segundo o historiador, quaisquer cidades do mundo começou a partir do surgimento de seu primeiro núcleo e, portanto, o município não poderia fugir a essa regra.

No entanto, a história oficial insiste em quantificar a idade de fundação do município, desde a entrada em vigor da lei que o elevou à cidade, em 25 de abril de 1874, conforme o historiador. “Essa história do nascimento de Itacoatiara tem que ser contada desde seu começo, do aparecimento de seu núcleo histórico. E resolvi comprar a briga”, afirma Francisco Gomes.

“Comemoração errada”

O historiador ressalta que passou vários anos estudando, pesquisando em acervos bibliográficos de Manaus, Belém, Rio de Janeiro e até Lisboa sobre o surgimento de Itacoatiara. Ele conta que consultou ainda arquivos e autores nacionais e internacionais e desse material de pesquisa nasceu o livro Fundação de Itacoatiara, de sua autoria. A primeira edição da obra foi em 2013 e, a segunda, aconteceu em 2015, já revista e ampliada.

Com seu plano viário original datado de 1911, Itacoatiara também é conhecida por sua infraestrutura urbana diferenciada.

Desde 2015, tramita na Câmara Municipal de Itacoatiara o projeto de lei, de autoria do vereador Francisco Rosquildes (PT), que tenta mudar o dia da fundação do município com base nas pesquisas do historiador Francisco Gomes da Silva.

Segundo o pesquisador, as divergências começaram em 1974, mas as autoridades insistem em comemorar de “forma errada” a data. De lá para cá, o Legislativo já realizou três audiências públicas sobre o assunto (2013, 2015 e 2019).

Para reforçar os seus argumentos, Gomes cita cinco autores famosos que levantaram a tese, segundo a qual Itacoatiara nasceu realmente em 1683. São eles: o historiador amazonense, professor e doutor da Ufam Universidade Federal do Amazonas), Francisco Jorge dos Santos, já aposentado; o historiador espanhol padre João Filipe Bettendorff; o historiador português Serafim Leite; e o padre e primeiro vigário-geral da capitania de São José do Rio Negro, José Monteiro de Noronha.

Itacoatiara: Fundação: 25 de abril de 1874IDH: Médio 0,644Área: 13.531 km² Eleitores: 55.269 População: 101.337 habitantes Festas populares: Fecani, Feira do Abacaxi.

“E, agora, em razão dos debates daí decorrentes, tramita na casa legislativa um projeto de lei que oficializa como data magna do município o dia 8 de setembro – data em que (em 1683) foi fundado o núcleo que deu origem à cidade – tendo como fundador o padre Jesuíta suíço Jódoco Perez. Essa providência decorreu de determinação do rei Dom Pedro 2º, de Portugal, após ser aconselhado pelo famoso padre Antônio Vieira”, conta Gomes. “A maioria dos vereadores vai pela política, não pela cultura”, acrescenta.

Francisco Gomes nasceu em Itacoatiara, em 1947. Além de promotor, também é membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ele escreve sobre história desde os 16 anos (1961). O seu primeiro livro foi lançado em 1965 pelo então governador Arthur Cézar Ferreira Reis. “Tenho editados 15 livros, e já tenho praticamente prontos outros cinco, todos sobre a história de Itacoatiara”, afirma.

Cidade com infraestrutura elaborada

Itacoatiara também é conhecida por sua infraestrutura urbana bem elaborada. O plano original viário da cidade foi feito em 1911, pelo engenheiro francês Moritz Becher. Mais tarde, foi reconfigurado pelo engenheiro Casseano Secundo.

No governo do ex-prefeito Isaac Peres (1926-1929), os cuidados com o belo visual foram redobrados com a renovação do código de posturas, uma versão antiga do atual plano diretor. Nessa mesma época, foi criado o calçadão, abrigado sob oitizeiros, com duas pistas laterais, com a denominação de rua Ruy Barbosa, atual avenida Parque, que se destaca hoje como um dos principais cartões-postais da cidade de Itacoatiara, por sua beleza cênica e pelo agradável abrigo que dá aos seus transeuntes, sob um majestoso túnel verde com mais de 2 quilômetros de extensão.

Itacoatiara tem 24 bairros e o distrito de Amatary. E, ainda três vilas estruturadas na zona rural: Lindoia, Novo Remanso, Engenho e Batista. Conta ainda com 240 comunidades rurais. Suas ruas são largas e o traçado urbano central lembra um tabuleiro de xadrez, por apresentar ruas retas cruzando-se em paralelas horizontais e verticais quase que perfeitas, distribuídas no centro e na periferia. O município possui ainda três emissoras de rádio FM, uma AM e sete canais de televisão.

Comércio, pecuária e madeira

Com quatro agências bancárias, Itacoatiara mantém uma sólida rede comercial. Produtos das melhores marcas são comercializados em supermercados e lojas de eletroeletrônicos de grande porte.

A cidade produz ainda madeira beneficiada para exportação e consumo interno. O município também se destaca como o maior produtor de abacaxi, cupuaçu, maracujá e laranja. A pecuária, centrada em gado bovino, e a criação de peixe em cativeiro também ganha incremento.

O prefeito de Itacoatiara, Antonio Peixoto, diz ter orgulho do bom desempenho dos últimos anos nas atividades agrícolas. Segundo ele, o governo do Amazonas anunciou recentemente a liberação de R$ 348,5 milhões para alavancar a produção do setor.

“Caminhões fazem rotas diárias nas vicinais, apoiando a produção e abrindo corredores de escoamento, tendo, no tripé Lindoia, Novo Remando e Vila de Engenho, a maior malha de ramais, amparada na estrada principal de 64 quilômetros que começa na AM-010 até a margem do rio, onde já existe projeção de construção de um porto pela iniciativa privada”, ressalta.

Terra da canção e da diversidade

Evento anual de setembro, Fecani abre portas para novos talentos da música regional e atrai muitos visitantes à cidade.

O município também se consagra como a Terra da Canção. Todo setembro de cada ano, acontece o Fecani (Festival da Canção de Itacoatiara), evento musical que abre as portas para novos talentos amazonenses. A cidade recebe músicos de todo o Brasil. Este ano, o Fecani já está em sua 34ª edição, atraindo centenas de turistas oriundos de Manaus, de outras regiões do país e demais municípios circunvizinhos.

O Fecani é considerado o festival de maior diversidade artístico-cultural da Amazônia brasileira. O município oferece ainda mais 39 eventos culturais, envolvendo artes plásticas, contadores de estórias, artesanato, cinema, teatro, gastronomia, caricatura, dança, oratória, música, ornamentação, futsal, futebol socyety, voleibol, handebol, xadrez e dominó. Outra atração de grande ressonância é a Feira do Abacaxi de Novo Remanso, reconhecido como um dos maiores produtores de abacaxi do Brasil.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Conhecer a história de minha cidade de origem é fundamental e sendo pesquisada, escrita e contada por um membro de nossa família é um privilégio. Gratidão!

  2. Sem dúvida é importante conhecer sempre mais a História de suas raizes, portanto sou favorável que se respeite as grandes personalidades literária, que de fato, com sabedoria e pesquisas permanentes nos dão a importância do nascimento de sua terra natal. Parabenizo a todos e todas que tem a peculiaridade da leitura e do saber, sobretudo quando acompanhamos palpável e indubitavelmente a iniciativa de um homem culto e comprometido com a História. Escritor e Doutor Francisco Gomes da Silva, meu tio legítimo.
    Gratidão!

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