Elio Gaspari
*Elio Gaspari

Apuração pode ter batido em nome protegido pelo foro privilegiado.

As investigações sobre o assassinato de Marielle Franco podem ter batido em algum nome protegido pelo foro privilegiado e, com isso, teriam chegado ao Supremo Tribunal Federal.

Assassinato de Marielle Franco

Manifestantes se reúnem em frente à Câmara do Rio para protestar contra a morte de Marielle Franco Mauro Pimentel/AFP/Mauro Pimentel/AFP

Caixão com o corpo de Marielle Franco chega à Camara dos Vereadores do Rio, na Cinelandia Ricardo Borges/Folhapress

Agentes da Divisão de Homicídios fazem nova perícia no carro da vereadora Marielle Franco, morta a tiros quando saía de um evento no centro do Rio Pablo Jacob/Agência O Globo/Pablo Jacob/Agência O Globo

A casaca do Capitão

Jair Bolsonaro vestiu uma casaca de gola redonda em Tóquio. Depois que os jantares do Met Gala avacalharam essa indumentária de pinguins, tudo é permitido, mas mexer na gola era sacrilégio. Ela é adequada no colete, e o de LordGrantham, de “DowntonAbbey”, é exemplar, mas a casaca deve ser deixada em paz. Bolsonaro exagerou nos enfeites. Além da faixa presidencial, vestiu um colar, meia dúzia de condecorações e uma grã-cruz.

Felizmente essa indumentária caiu em desuso. Um erro na combinação das peças e vai-se no ridículo. Esse é o caso da casaca de Donald Trump, cujo colete branco vai até os quadris, fazendo-o parecer um mordomo bêbado.

O príncipe Philip, marido da rainha da Inglaterra, veste casaca como ninguém. Talvez seja a única coisa que faz direito.

Eremildo, o idiota

Eremildo é um idiota e gostou do projeto do senador Marcelo Castro (MDB-PI) propondo que os usuários de energia solar ou eólica paguem royalties aos governos estaduais, pois a luz e o vento seriam “bens da União”.

O cretino refletiu e acha que alguém deve propor a cobrança de um imposto aos desempregados. Afinal eles usam bens e serviços públicos sem pagar nada.

Eremildo lembra que o rei da Itália punha fiscais nas praias para impedir que mulheres roubassem água do mar, cuja salinidade é adequada para cozinhar o macarrão.

CNI

A Confederação Nacional da Indústria divulgou uma pesquisa que aponta os efeitos desastrosos resultantes de uma redução abrupta de 50% (na média) das tarifas de importação. Seriam prejudicados dez setores industriais.

Seriam prejudicados porque os produtos importados chegariam ao mercado brasileiro com preços mais baixos que a produção local.

Pode-se entender que alguém defenda a proteção à indústria nacional. O que não se entende é que a CNI tenha encomendado sua pesquisa à universidade australiana de Victoria.

A CNI quer importar o que precisa, mas defende a taxação dos produtos que os outros gostariam de comprar.

Sugestão

Para quem torce contra a candidatura da senadora Elizabeth Warren à Presidência dos Estados Unidos, o melhor a fazer é rezar para que, numa eventual desistência de Joe Biden, o bilionário Michael Bloomberg decida disputar a indicação pelo Partido Democrata.

Ele foi um grande prefeito de Nova York e ela posou fazendo o L de “Lula livre”.

Democratas à esquerda nos EUA

Joe Biden, 76: ex-vice-presidente no governo Obama, o ex-senador lançou ambicioso plano de combate a mudanças climáticas e trocou de posição sobre o uso de verba federal para financiar o aborto (agora se diz a favor). Jordan Gale/Reuters

Elizabeth Warren, 69: senadora é crítica recorrente da desigualdade de renda nos EUA e pretende aumentar impostos para os mais ricos; tem adotado uma retórica contrária ao livre-comércio, que sempre foi marca do partido. Scott Olson/AFP

Eduardo Cunha

Vira e mexe, o murmúrio volta: Eduardo Cunha estaria contando o que sabe a funcionários da Viúva.

O peso da idade

O papa Francisco (82 anos) está andando com dificuldade e às vezes precisa de amparo.

A rainha Elizabeth 2ª (93 anos) foi à sessão do Parlamento com um leve diadema de brilhantes, deixando a tradicional coroa de um quilo sobre uma almofada. (Ela reclama desse peso há mais de 50 anos.)

O príncipe Charles (70 anos), famoso esportista, pediu que colocassem uma almofada no espaldar da cadeira na qual assistiu à canonização do cardeal Newman, em Roma.

Gullar
A alegria que tomou conta do Rio de Janeiro depois do 5 a 0 do Flamengo mostrou, na cidade tão sofrida pela política, que o poeta Ferreira Gullar estava certo: “Eu não quero ter razão, quero é ser feliz”.

Leia a outra nota da coluna deste domingo (27):

Madame Natasha pede compostura verbal

*Jornalista. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Poder, de 27/10/2019.
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