Há quem diga que no cemitério há milhares de pessoas tidas como insubstituíveis. Claro que pais, filhos, principalmente filhos, irmãos e grandes amigos, definitivamente são insubstituíveis.

Nas relações de trabalho e emprego, durante toda minha vida, vi colegas se aposentarem, alguns faleceram e outros simplesmente pediram demissão. Eu também trabalhei em lugares diversos com funções diversas.  Alguns colegas se tornaram amigos e o contato se manteve. Outros simplesmente desapareceram e não se tem notícias.

Sempre me questiono sobre até que ponto certas pessoas são insubstituíveis. Há colegas ou superiores que se destacam. Fazem um excelente trabalho. Quando partem é comum alguém colocar a questão. E agora? Quem vai fazer o trabalho tão bem como sicrano? O fato é que em pouco tempo depois já tem um substituto fazendo aquilo da mesma maneira, ou diferente, ou até com mais eficiência.  Em poucos meses ninguém se lembra mais do colega que saiu.

E com relação aos animais de estimação? Falo dos “pets” que fazem a alegria e tem o afeto incondicional de muitas pessoas e famílias. Há os que morrem. Há os que desaparecem. Perdem-se no oco do mundo. Foi o caso da gatinha Tininha. A gata pertencia à dona Teresa, uma simpática senhorinha moradora da Compensa.

Dona Teresa sentiu muito a falta da gata Tininha. Ela simplesmente sumiu. Uma semana depois, Tininha reaparece. A filha de dona Teresa desconfiou que aquela gatinha fosse só muito, mas muito parecida com a Tininha. Talvez uma irmã gêmea, quem sabe. Argumentou que Tininha que era arredia estava agora mais carinhosa.

Dona Teresa disse que poderia ser trauma. Ficou na rua perdida. A certeza que era Tininha deu-se quando ela chegou e veio direto em sua direção. O fato é que dona Teresa se convenceu que a gata era a Tininha e pronto. Fim de papo. Ai de quem ousasse dizer que seria uma impostora ou coisa que o valha. A filha de Teresa acabou concordando que a gata era mesmo a Tininha. A alegria e a felicidade voltaram a reinar na casa de dona Teresa.

Um dia a barriga de Tininha, que era castrada, começou a crescer.  Na opinião de dona Teresa o veterinário não tinha feito um trabalho bem feito. Essas coisas acontecem. Com a conivência da filha de Teresa Tininha foi novamente curetada e definitivamente castrada.

A gatinha continuou sendo tratada e amada como a Tininha de sempre. Até que ponto a gata Tininha foi substituível? Ou seria mesmo insubstituível?

Compartilhar
Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui