O Amazonas é um dos poucos estados da federação brasileira a possuir funcionando plenamente três entidades culturais centenárias. Referimo-nos à Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e Academia Amazonense de Letras (AAL): todas sediadas em Manaus, nascidas no final do ciclo da borracha.

UFAM: Considerada como a primeira instituição de ensino superior do País, foi fundada em 17 de janeiro de 1909 sendo instalada em 15 de março do ano seguinte com o título de Universidade Livre de Manaus. Em 13 de julho de 1913 passou a Universidade de Manaus, e assim ficou até 1926. Entre 1964 a 2002 respondeu pelo nome de Universidade do Amazonas e de 2002 em diante passou a ser Universidade Federal do Amazonas. Instituição de ensino pública e gratuita, mantida pelo governo federal, através do Ministério da Educação (MEC), sua missão é ministrar o ensino superior, desenvolver o ensino e a pesquisa em todos os ramos do saber, assim como cuidar da divulgação científica, técnica e cultural. Possui atualmente 20 unidades de ensino (9 institutos, 10 faculdades e 1 escola de enfermagem). Mantém 6 campus universitários: na capital e nas sedes municipais de Benjamin Constant, Coari, Humaitá, Itacoatiara e Parintins, que somam mais de 34 mil alunos. Reitor atual: professor doutor Sylvio Mário Puga Ferreira.

IGHA: Fundado em 25 de março de 1917, é a mais antiga entidade cultural do Estado. Integrada por 60 sócios efetivos, tem sede própria à rua Bernardo Ramos, no centro histórico de Manaus. Além de promover seminários e palestras, possui um museu próprio, com valiosas peças históricas, e uma coleção única de peças indígenas. Sua biblioteca e, principalmente, sua hemeroteca especialmente composta de jornais regionais, são pontos obrigatórios para os que se dedicam a pesquisar sobre a Amazônia. As festividades de seu centenário (1917-2017) tiveram início na administração do presidente historiador Antônio José Souto Loureiro (2016-2017) estendendo-se até o período presidencial da socióloga Marilene Corrêa da Silva (2018-2019). Na administração seguinte, do presidente José dos Santos Pereira Braga (2019-2020), foi festivamente comemorado, a 25 de março de 2019, o jubileu dos consócios professor José das Graças Barros de Carvalho e historiador Francisco Gomes da Silva, ambos naturais de Itacoatiara, que ingressaram no Sodalício em 25 de março de 1969. Lembramos, por oportuno, que o historiador Gomes da Silva foi vice-presidente durante o período presidencial da professora Marilene, fato que se repete, agora, na presidência do professor José Braga.

AAL. Fundada em 1º de janeiro de 1918, com o nome de Sociedade Amazonense de Homens de Letras, depois redenominada Academia Amazonense de Letras. Acaba de completar 100 anos de existência estando em pleno curso as comemorações alusivas a tão importante acontecimento. Principal finalidade: “o cultivo das letras pela ação coletiva ou individual de seus membros… a promoção da cultura em todos os seus aspectos”. Composição: 40 membros; quando de sua criação eram 30. Nestes últimos cem anos 149 intelectuais tomaram assento em suas cadeiras. Número alto que engloba médicos, advogados, cientistas, poetas, jornalistas, dramaturgos, ensaístas, filósofos, pedagogos, filólogos, historiadores, sociólogos, antropólogos, economistas, diplomatas, engenheiros, farmacêuticos, assistentes sociais, odontólogos, bibliotecários, teólogos, artistas plásticos…

Foram presidentes da Academia: Adriano Jorge (1918-1948); Péricles Moraes (1948-1956); João Leda (1954); Waldemar Pedrosa (1956-1958); André Araújo (1958-1974); Salignac e Souza (1958-1968); Álvaro Maia (1966); Djalma Batista (1968-1973); Genesino Braga (1974); Mário Ipiranga (1974-1980 e 1987-1990); Mendonça de Souza (1981-1986); OyamaItuassú (1990-1995); Robério Braga (1996-1999); Max Carphentier (2000-2004); Elson Farias (2004-2007); José Braga (2008-2011); Arlindo Porto (2012-2013); Armando de Menezes (2014-2015); Rosa Brito (2016-2017); e o atual Robério Braga (2018-2019).

Quatro de seus atuais membros são filhos de Itacoatiara: o poeta e ensaísta Elson Farias, ocupante da Cadeira número 12 (ingressou na Casa em 1969; completou seu jubileu neste ano de 2019); o historiador Francisco Gomes da Silva, ocupante da Cadeira número 20 (ingressou em 2000); o poeta e pintor plástico Anísio Melo, já falecido (ocupante da Cadeira número 3) e o geriatra e humanista Euler Ribeiro, ocupante da Cadeira número 8 (ingressou em 2009).

Na passada quinta-feira, dia 3 de outubro, em seguimento às festividades de aniversário do Silogeu, 18 pessoas foram agraciadas com a Medalha do Centenário (8 in memorian, entregues aos representantes de 2 ex-presidentes e 6 antigos acadêmicos; 6 conferidas a personalidades da sociedade local e 2 do Município de Itacoatiara; além de 2 parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado).

Presidida pelo acadêmico Robério Braga, a solenidade foi prestigiada por autoridades e um elevado número de pessoas gratas. O discurso de saudação aos homenageados coube ao acadêmico Francisco Gomes da Silva. Maiores detalhes sobre o evento: vide texto sob o título “Centenário Acadêmico”, do acadêmico Gomes da Silva, inserido na Seção de História deste Blog.

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