Presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi),  e sócio da Natura,  Pedro Passos, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, dia 9/2, enfatizou “o esgotamento do atual modelo econômico e defendeu a sua reformulação com ênfase na integração da economia brasileira à economia internacional por meio de acordos com a União Europeia (UE) e os EUA”. O governo, claro, reagiu agressivamente tentando desqualificar o executivo. As críticas, entretanto, procedem haja vistas ao retumbante fracasso da política econômica a que estamos assistindo.

Os sinais desse fracasso são evidentes. Por isso o país não decola, e também a ZFM. Segundo o Ministério da Fazenda, o Brasil apresentou o terceiro maior PIB (Produto Interno Bruto) do ano passado, 2.3%. Esse coeficiente, contudo, distanciado de um contexto macroeconômico amplo, muito pouco representa.  Há fundadas razões que alimentam índices de desconfiança da sociedade brasileira e da comunidade internacional nesse sentido. Analisemos alguns números que expressam esses temores: a) entre 2000 e 2010, a produtividade da indústria manufatureira no Brasil cresceu 0,6% ao ano contra 5,6% na Coréia do Sul, 5,2% nos EUA, 3,4% em Cingapura, 3,1% no Reino Unido e 2,0% na Austrália; b) 6,6% dos estudantes brasileiros cursam educação profissional, contra 55% no Japão, 52% na Alemanha, 41% na Coreia do Sul; c) é muito baixo o desempenho educacional do país nos três níveis de ensino (somente 5% dos graduados no Brasil formam-se em engenharia); d) enquanto o país tem apenas dois graduados em Engenharia por grupo de 10 mil habitantes, no Japão são 10,2 e na China 13,4.

Assim sendo, implantar parques tecnológicos nas diversas regiões do país, conforme aqui analisado na semana passada, demanda, em primeiro lugar mão de obra qualificada e recursos financeiros de monta tendo em vista a especialização exigida em todos os níveis. Com efeito, alguns óbices precisam ser superados à luz das graves deficiências estruturais expressas nos dados acima. Bem a propósito, segundo sua assessoria de imprensa, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)  foi contemplado com aporte financeiro de R$ 300 mil do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para a elaboração de Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (Evte) do primeiro Parque Tecnológico no Amazonas. O Inpa, de fato, pode se tornar o natural ponto de partido para a introdução de habitats tecnológicos no Amazonas e na Amazônia Ocidental.

A coordenadora de Extensão de Tecnológica e Inovação (CETI), pesquisadora Rosangela Bentes, explica que “a proposta contemplada pelo Inpa objetiva realizar inicialmente o estudo de viabilidade técnica e econômica visando à implantação do Parque em todos os seus aspectos operacionais”. A preocupação é assegurar ao empreendimento competitividade com ênfase na inovação tecnológica. O estudo deverá levar em conta, segundo Bentes: 1. Estratégia de ação da região e parceiros na valorização do que mais temos de valioso, que é a biodiversidade, utilizando-a de forma sustentável; e 2. A agregação de conhecimento científico e tecnológico de forma competitiva para o mercado com a marca Amazônia.

Outro potencial parque  tecnológico pode de imediato ser implantado na FUCAPI (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica). A Fundação, por sua estrutura técnica especializada em  desenvolvimento, suporte e ensino está pronta para albergar um centro que venha a contribuir fortemente para o desenvolvimento de novas tecnologias, exatamente o ponto frágil do polo industrial da Zona Franca de Manaus, o PIM. Para decolar o processo o governo terá que começar a falar em recursos substanciais, em milhões de dólares, muito acima, portanto, dos R$ 300 mil ora destinados ao Inpa. Abaixo disso é melhor nem iniciar o processo.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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