claudio bernardes
*Claudio Bernardes

Tecnologia e inteligência artificial ajudam a praticar um novo modelo de urbanismo.

Para resolver os grandes desafios urbanos, que vão desde mudanças climáticas a questões relacionadas com saúde, educação, mobilidade e segurança, as cidades devem se adaptar eficientemente às necessidades econômicas e sociais, sem perder importantes oportunidades de transformação calcadas no rápido desenvolvimento tecnológico.

Projetos renovam áreas urbanas de São Paulo e primam pela estética

Praça ganhou novos equipamentos e cores em reforma capitaneada pelo designer Marcelo Rosenbaum no Parque Santo Antônio, na zona sul de São Paulo Divulgação

As inovações urbanas, indispensáveis nesta nova era evolutiva das cidades, tem seu foco principalmente nas interações humanas com os espaços e, dessa forma, devem ser testadas em um ambiente que se assemelhe o mais possível com o mundo real.

Resultado de uma parceria entre o governo de Andorra e o City Science, grupo de pesquisa no MIT (Massachusetts Institute of Technology) Media Lab, surgiu o projeto de inovação urbana denominado CityScope Andorra, atualmente usado na reabilitação de um distrito em Andorra La Vella.

Por meio desse projeto, os planejadores urbanos e a comunidade podem testar cenários, de forma interativa, em modelos reais como, por exemplo, locais para implantação de parques, tornar ou não os edifícios mais altos, criar a combinação ideal de imóveis residenciais e comerciais, e tantas outras possibilidades.

Ao equilibrar densidade, proximidade e diversidade do distrito, apontam os pesquisadores, Andorra La Vella também pode determinar o potencial de inovação da cidade que, segundo eles, é “a probabilidade de colisões criativas que podem ocorrer a partir do adensamento e da mistura de pessoas com experiências diversas, que têm oportunidades de trocar informações”.

O CityScope Andorra é uma plataforma 3D, com realidade aumentada, que permite a visualização de dados urbanos complexos num modelo de pequena escala do país, em tempo real.

A plataforma simula o impacto de múltiplas intervenções urbanas e facilita o engajamento cívico e a tomada de decisões.

Os usuários do sistema podem adicionar e remover módulos que representam vários tipos de habitação ou espaços de lazer e trabalho, ajustar a altura de cada elemento e alternar diferentes sistemas de mobilidade.

Os impactos dessas mudanças no tráfego, no acesso a amenidades e a outras métricas são atualizados em tempo real.

Para Andorra, cujo tamanho geográfico é apenas cerca de duas vezes o da cidade de Boston, nos EUA, os pesquisadores modelaram todo o país para analisar, entre outras coisas, os diferentes comportamentos dos turistas, um motor econômico para o país.

Ao visualizar como milhares de turistas vêm e vão para os grandes eventos ao longo do ano, por exemplo, CityScope ajudou o governo de Andorra a planejar eventos futuros.

Os pesquisadores também desenvolveram e implantaram um aplicativo para permitir que crianças, professores, funcionários do governo e o público em geral tirem fotos de diferentes áreas nas principais cidades de Andorra e documentem lugares, dos quais gostaram ou não. Dessa forma, torna-se possível gerar conjuntos de dados sobre a percepção humana de um ambiente e visualizá-los no CityScope.

Um dos desafios do CityScopeé visualizar melhor as mudanças geradas pela gestão urbana. O modelo está, portanto, conectado a um software que verifica, em tempo real, as mudanças sociais, econômicas, demográficas etc. causadas pelo movimento de qualquer situação em uma cidade.

Para tanto, o software baseia-se em diversos insumos como diversidades sociais, de poluição do ar etc., que evoluem junto às transformações urbanas conceituadas. Adicionar uma loja em uma determinada área aumentará seu crescimento econômico, mas diminuirá sua diversidade social, por exemplo.

Plataformas como CityScope podem ajudar os planejadores a entender melhor a singularidade de uma cidade, bem como seus usos. Nesse sentido, é uma ferramenta maravilhosa para a estruturação urbana.

Laboratórios vivos associados à tecnologia e à inteligência artificial possibilitam praticar um novo modelo de urbanismo, que associa os conceitos teóricos aos resultados práticos dos modelos reais, trazendo maior eficiência e melhores respostas para o planejamento das cidades.

*Engenheiro Civil. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 12/10/2020.
Compartilhar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui