Durante esse confinamento que parece não ter fim, converso com meu amigo Chaguinhas, via whats app, sobre vários assuntos, inclusive a pandemia.

Chaguinhas se diz abismado com algumas atitudes deploráveis perpetradas por algumas pessoas durante a pandemia. E reafirma que está, a cada dia que passa, mais desiludido com o ser humano. Considera que a humanidade não tem jeito. Nem uma pandemia dessas concerta as pessoas. Ao contrário, a pandemia expõe a todos nós a sordidez dos homens. A incúria total das pessoas. A total imprevidência, negligência, ausência de inciativa plausível de governos e autoridades.

Uma médica de São Paulo foi interditada pelo Conselho de Medicina devido a divulgação de um soro anticoronavirus vendido em seu consultório. Outra médica, famosa dermatologista, repita-se dermatologista, houve por bem receitar hidrocloroquina como profilaxia para toda a equipe se sua clínica. Diz ela que é uma forma de prevenção ao covid-19.

Viralizou um depoimento de uma senhora aloprada que confundia covid-19, a doença, com o coronavirus, o vírus que causa a covid-19. Uma aula de insanidade e desconhecimento. Uma loucura!

Em meio a tanta insanidade foram convocados epidemiologistas, médicos, sociólogos, filósofos, intelectuais e cientistas em geral para se pronunciarem sobre a epidemia. E pronunciamentos é o que não falta nas redes sociais.

Chaguinhas diz que como bom amazônida, tem respeito pelos conhecimentos tradicionais dos povos da floresta. Foi aconselhado a tomar mastruz para os pulmões. Chá de gengibre ou mangarataia, casca de panacanaúba, além de casca de quina. Tudo como profilaxia para o terrível vírus.

Por que não damos créditos naquilo que nós ouvimos dos povos tradicionais? Há uma memória biocultural importante que deve ser respeitada. Um conjunto de saberes, de práticas, que eventualmente adquirem significados aos mesmos cientistas, médicos e pesquisadores de prestígio. Mesmo porque a memória biocultural é fonte de pesquisa aos cientistas do mundo inteiro.

O que é lamentável é o desconhecimento formal e escolar do caboclo leso. Ao receber o resultado do teste para coronavirus como positivo. Achou que estava tudo bem. Tudo ok. Tudo positivo. E feliz da vida descuidou de qualquer tratamento.

Ignorância mata, concluiu Chaguinhas.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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