Imaginem só a situação: uma pessoa consegue ir a uma Instituição de Saúde em busca de ajuda, se realmente ela não estiver necessitando? Quem em sua sã consciência sai de sua casa passando bem e vai em um pronto socorro ou unidade básica de saúde sem realmente estar acometido de alguma dor ou uma doença que requer cuidados extremos?

Mas, o que acontece na grande maioria é a total falta de sensibilidade humana e técnica dos profissionais que são pagos por essas pessoas que procuram os serviços de saúde e que de forma negligente e desumana cometem os mais absurdos descasos e negam o direito da boa acolhida que sem terem a consciência de que um dia qualquer um está sujeito a passar por situações parecidas ou piores podem dificultar a situação que o usuário se encontra; e ao contrário, este com uma simples e boa acolhida pode melhorar sua condição.
A temática humanização do atendimento em saúde mostra-se relevante no contexto atual, uma vez que a constituição de um atendimento calcado em princípios como a integralidade da assistência, a equidade, a participação social do usuário, dentre outros, demanda a revisão das práticas cotidianas, com ênfase na criação de espaços de trabalho menos alienantes que valorizem a dignidade do trabalhador e do usuário. Na possibilidade de resgate do humano, naquilo que lhe é próprio, é que pode residir a intenção de humanizar o fazer em saúde.
Buscar formas efetivas para humanizar a prática em saúde implica em aproximação crítica que permita compreender a temática para além de seus componentes técnicos, instrumentais, envolvendo, essencialmente, as suas dimensões político-filosóficas que lhe imprimem um sentido.

A humanização se faz necessária considerando que nos serviços de saúde há situações “desumanizantes”. Com relação as falhas na organização do atendimento são apontadas, por exemplo, as longas esperas e adiamentos de consultas e exames, ausência de regulamentos, normas e rotinas, deficiência de instalações e equipamentos, bem como falhas na estrutura física, espera às consultas e à entrada, nas admissões em tempo dilatado, nos adiamentos impostos aos exames e aos tratamentos, no amontoado humano dentro das salas. São também enfatizados aspectos “desumanizantes” ligados especificamente com a relação com o doente como o anonimato, a despersonalização, a falta de privacidade, a aglomeração, a falta de preparo psicológico e de informação, bem como a falta de ética por parte de alguns profissionais: O doente é um número, um caso, objeto de atividades, mas não um centro de interesse; permanece geralmente sem esclarecimentos sobre a própria sorte e sem explicação sobre o que lhe é imposto. No que diz respeito às condições de trabalho, a atual realidade nos mostram que baixos salários, dificuldade na conciliação da vida familiar e profissional, jornada dupla ou tripla, ocasionando sobrecarga de atividades e cansaço, o contato constante com pessoas sob tensão geram ambiente de trabalho desfavorável: As Instituições não oferecem um ambiente adequado, recursos humanos e materiais quantitativos e qualitativos suficientes, remuneração digna e motivação para o trabalho, oportunidade para os profissionais se aperfeiçoarem em sua área de atuação, para que estes possam exercer as suas funções de uma forma mais humanizada.

A racionalização, a mecanização e a burocratização excessiva do trabalho, ao impedirem que o trabalhador desenvolva sua capacidade crítico criativa, atuam como “desumanizantes”.

Humanização implica também investir no trabalhador para que ele tenha condições de prestar atendimento humanizado e consequentemente, disponibilizar uma prestação de serviço com qualidade e excelência a quem se encontra tão fragilizado.

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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