Na Amazônia o homem sempre busca uma maneira de empreender de forma inusitada e simples, mesmo que essa onda vá contra o pensamento da maioria da categoria a qual faz parte, especialmente no interior da floresta onde a falta de infraestrutura é gritante e a logística encarece os preços de alimentos e materiais. A criatividade faz parte do cotidiano de caboclos que, sem cursos de empreendedorismo, forjam seus negócios baseados na ousadia de um ‘projeto’ bem arquitetado na universidade da vida, agregando o valor da experiência em melhorar o que já está materializado com êxito.

No Nordeste brasileiro, para onde viajam milhares de turistas, anualmente,  para desfrutar das belezas regionais  existe um nicho de mercado da hotelaria que utiliza as pousadas ou casas do gênero, em que é facilitada a vida do visitante que, em temporadas diversas, esticam o período das férias para consumir itens da indústria cultural, a gastronomia e os aspectos turísticos locais, chamados de hotéis de rede. Foi isso o que fez Edmilson Prado, empresário, que em uma viagem a Fortaleza copiou a ideia para ser colocada em prática em Parintins.

Na cidade o empresário já tinha um empreendimento nos moldes tradicionais e, no piso superior, decidiu construir o Hotel de Rede em um amplo espaço aberto, mas protegido de chuva e dos raios solares.  É um local ventilado e que abriga até 1.400 redes, atadas em balaústro de ferro, com banheiros e armários para a bagagem, nas cores vermelha e azul que representam os bois contrários na ilha no folclore brasileiro. É servido um café com leite, pão com manteiga e ‘bolacha de motor’, como se referem os pávulos.  Existe um bebedouro profissional e inúmeros ventiladores para amainar o mormaço e o intenso calor. TVs e telões complementam o entretenimento do ambiente.

Na alta temporada o local recebe uma grande quantidade de turistas de diversas profissões, visto que, aproximadamente, 80 mil pessoas circulam na ilha e não existe vaga em hotéis, pousadas, casas ou quitinetes que os habitantes alugam, mas por um preço bastante inflacionado para o período da festa bovina. O interessante é notar que quem auxilia e faz a segurança da casa são mulheres, tanto de dia quanto a noite.  Quem chegar na alta madrugada falando em volume alto é convidado a se retirar do ambiente coletivo.

Pela falta de vagas nas redes de hotéis tradicionais, uma quantidade considerável de formadores de opinião prefere o Hotel de Rede, pois suas acomodações são simples, limpas e baratas. É fácil encontrar duas dezenas de jornalistas de vários estados brasileiros que, após apurar as informações obtidas no Bumbódromo, ligam seus laptops e iniciam o trabalho de madrugada mesmo para contar a história de mais uma noite vivida na arena dos bois, retratando a festa folclórica rítmica do dois pra lá, dois pra cá. E depois, é só cair na rede…

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J.R Lopes
É jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

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