A Importância da Preservação de Nossa História

O reconhecimento e preservação de peças raras favorece a identificação de grupos sociais que valorizam a preservação dos primórdios da nossa empresa. Sua importância é marcada pelo tempo ou fatos históricos ocorrido e que muitas vezes passa despercebido de um olhar minucioso o que permite fazer uma análise do fato ocorrido, do tempo vivido e das pessoas que de certa forma foram peças centrais dessa história vivida no nosso caso Phelippe Daou, Milton Cordeiro e Joaquim Margarido.

Entre os mais diferentes grupos culturais e sociais há uma nítida necessidade e uma notável iniciativa e preservar a memória. Esse fenômeno social não é uma exclusividade do mundo contemporâneo. Se olharmos para esse fato histórico, peças, móveis, utensílios, entendemos que fazem parte de ações que nos transportam para um passado não muito distante vivenciado por nossos fundadores muitos especialmente o jornalista Phelippe Daou e que de certa forma nos humanizam.

 “… Há intercessão entre os conceitos de memória e museu é aceita como verdadeira desde tempos remotos, tal é própria etimologia da palavra museus, que vem do grego mouseon e significa templo das musas, lugar de contemplação”. 

GOUVEIA, Inês; DODEBEI, Vera. MUSAS – Revista Brasileira de Museus e Museologia. n. 3. 2007. Rio de Janeiro: Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Departamento de Museus e Centros Culturais. Pág., 93.  

Milton Cordeiro, fundador – Acervo Rede Amazônica

Na verdade não é difícil encontrarmos pessoas que visitam a história através da museologia uma convicção plenamente aceita, essa memória hora visitada, transforma-se em um instrumento capaz de acrescentar saberes entre as pessoas. Guardar, preservar objetos, roupas, documentos é reconstruir a própria história, permitindo assim uma viagem no tempo.

Uma História – Um Legado

No decurso da história da Amazônia, no imaginário que ao longo do seu contexto, até o início do século XX, vinha se reproduzindo uma ideia de um território despovoado e isolado dos demais territórios do Brasil. Porém, a partir da década de 1960, esse fato começou a ser quebrado por conta determinação dos jornalistas Phelippe Daou, Milton de Magalhães Cordeiro e do publicitário Joaquim Margarido que, juntos resolveram através das comunicações apresentar à Amazônia não somente para o Brasil, mas para o mundo.

Tudo começou com a criação de uma empresa de publicidade chamada “Amazonas Publicidade”, fundada em 30 de setembro de 1968. Naquele mesmo ano o Ministério das Comunicações abriu uma concorrência pública para implantação de mais um canal de televisão, em Manaus, à época só existia a TV Ajuricaba. Dessa forma, Phelippe Daou apresentou um projeto de implantação de uma televisão, enfrentando o desafio de ocupar a Amazônia com o veículo de comunicação.

Joaquim Margarido, fundador – Acervo Rede Amazônica

Em junho de 1969, a concorrência pública foi vencida e logo constituída a empresa Rádio TV do Amazonas Ltda, no ano de 1970, a empresa recebeu a outorga da concessão do canal, com o prazo de dois anos para levar ao ar a nova emissora. Durante esse período, foi feita a aquisição de equipamentos técnicos nos Estados Unidos, cuidados necessários com o projeto técnico e principalmente a escolha do local da sede e da torre de transmissão.

Após todo esse período de ajustes, a Rede Amazônica, canal 5 foi inaugurada no dia 01 de setembro de 1972, ano do Sesquicentenário da Independência do Brasil, depois de trinta dias de testes experimentais, sua projeção tornava a emissora como a primeira do Brasil a ser projetada a cores. Nessa ocasião foi adotado o lema de autoria do então Presidente da República, General Emílio Garrastazul Médici, “Amazônia – Desafio que Unidos Venceremos”. Nessa época, a empresa abraçou o compromisso de integrar as pequenas comunidades das mais longínquas e isoladas barrancas do imenso território amazônico, levando cidadania e fazendo um jornalismo sério.

Paletó usado na inauguração da Rede Amazônica (1972) – Acervo Rede Amazônica

Quanto à sua programação naquele período, a Rede transmitia programas adquiridos da TV Record, Fundação Padre José de Anchieta de São Paulo e da TV Cultura do Rio de Janeiro, além de filmes e seriados adquiridos de distribuidores de filmes como a FOX e Columbia. Na área esportiva, usavam materiais comprados em Miami, Rio de Janeiro e São Paulo. Sua programação mesclada manteve-se durante um ano, até que, no mesmo período, surgiu a TV Bandeirantes, dando os primeiros para formação de uma rede nacional. Em 1973, a Rede Amazônica tornou-se afiliada da Rede Bandeirante e passou a exibir uma programação mais variada, com esporte, shows, desenhos e filmes de sucesso. Desde a sua inauguração a empresa utilizou VT com imagens da Amazônia, ao som do hino nacional na abertura e no encerramento da programação.

A partir de 1983, as emissoras da Rede Amazônica de Porto Velho/RO, Rio Branco/AC, Boa Vista/RR e Macapá/AP, unificaram-se e na oportunidade, todas já eram afiliadas da Rede Globo. Em 1986, a Rede Amazônica em Manaus, passou a filiar-se a Rede Globo, nesse cenário, com a programação unificada, foi possível a utilização de um canal no satélite Brasilsat, que possibilitou a transmissão de programas produzidos em Manaus, para as demais emissoras da Rede.

Camisa usada da inauguração da TV Amapá (1974) – Acervo Rede Amazônica

Vencido o compromisso de integrar a Amazônia, hoje, no século XIX, o Grupo Rede Amazônica, está a porta de completar meio século de existência e continua sendo uma empresa que ao longo de todo seu trajeto, luta pelos interesses da nossa Região Amazônica e procura fazer um jornalismo dentro da liberdade de imprensa e da ética. Ademais, tem como propósito participar de tudo que se relaciona com o nosso Estado e a nossa Região, tomando para si a missão de erguer o futuro, permanecendo na caminhada e registrando belas páginas no setor das comunicações na Amazônia, é por todo esse compromisso com a nossa Região que o Grupo Rede Amazônica tem o firme posicionamento de continuar vivendo a nossa história, como uma lição de vida, fruto de legado sério, gerando bem-estar a uma vasta Região e de seu povo. Por isso, diante da era digital, o Grupo assumiu também, o compromisso de alcançar o telespectador com alta qualidade, onde ele estiver, aos seus mais importantes meios de informação e entretenimento, de forma interativa a qualquer hora, em qualquer lugar: em casa; no carro; no celular ou no aparelho forra de casa; através da TV Digital.

Por fim, no contexto de seu legado, também estão as empresas do Grupo que contribuem, com o desenvolvimento de nossa Região e se destacam em qualidade de seus serviços: o Amazon Sat que é a cara e a voz da Amazônia; o Portal Amazônia que é a internet verde, as rádios CBN Amazônia Manaus, 101.5, CBN Amazônia Rio Branco 98.1, CBN Amazônia Macapá, 93.3, CBN Amazônia Guajará-Mirim, 93.7, CBN Amazônia Belém 102.3, CBN Amazônia Manacapuru 96.3; Studio 5 Centro de Convenções; Studio 5 Shopping e Fundação Rede Amazônica que é uma instituição sem fins lucrativos a serviço da sociedade e do desenvolvimento da Amazônia, como braço social do Grupo Rede Amazônica.

Sapato usado na inauguração de todas as emissoras – Acervo Rede Amazônica

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Abrahim Baze
*Amazonense de Manaus. Graduado em História pelo Centro Universitário do Norte e pós-graduado em Ensino à Distância pelo Centro Universitário UNISEB-COC, de Ribeirão Preto/SP. Recebeu o título de Notório Saber em História, pelo CIESA, de Manaus/AM. Fundador e organizador dos museus da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, Luso Sporting Clube, Rede Amazônica, Memorial e Biblioteca Senador Bernardo Cabral, Centro Cultural Luso Brasileiro do Amazonas, Centro Universitário Luterano de Manaus, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos e do Atlético Rio Negro Clube. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica e apresentador dos Programas de TV: Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Autor de mais de 65 títulos sobra História da Amazônia. Membro da Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Academia de História do Amazonas, Academia de Medicina do Amazonas, Academia Maçônica de Letras do Amazonas, Associação Nacional de Escritores (Brasília), Associação dos Escritores do Amazonas e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas.

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