“No Amazonas a região do rio Solimões padeceu bastante, precisamente porque também faltavam medicamentos e recursos para o enfrentamento da gripe”.

Em tempo de “coronavírus”, que está aba. Lando estrúturas da saúde pública eda economia de váriàs partes do mundo globalizado e integrado por via aérea, parece oportuno registrar que, pelos idos de 1917-1918 apareceu nestas terras amazônicas, repercutindo o que sucedia em muitos outros lugares, outra gripe que ficou famosa sob o nome de “espanhola”.

Foi assim que ficou sendo chamada a “influenza” que, conforme os padrões da época, tambemabalou várias estruturas que pareciam intocáveis. Foram muitas as pesoasque, padeceram.

Os tratamentos usadosparecéminocentes aos olhos de agora, especialmente aquêles que podem ser conhecidospelos anúncios de jornais que, diariamente, moiivavám a população autilizar remédios que parecem simples, mas eram tidos como os maiis eficientesde então.

Neste caso se Incluem os tres calices,de “Quinado Cálem” que eram apresentados como salvadores edeveriam ser tomados com açucar e omais quente possível, mas sem deixar ferver no fogo, com uso tão logo o indivíduo começasse”,asentir os sintomas comuns a qualquer gripe.”

Sem os meios modernos de comunicação, ashotíciasc.hegavam pelo telégrafo e eram lançadas nasedições dosjornais que circulavam na cldade, e, embora muitas delas fossem alarmantes, não chegaram, nem de longe, a gerar o reboliço que o “coronavírus” vem provocando.

A “espanhola” se alastrou e assumiu proporções graves. As cidades e os subúrbios ficaram prejudicados.

A população foi sendo acometida de forma grave, fosse em Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro, Roma, Madri ou Lisboa, de .onde vinham notícias do agravamento da doença que se espalhava:

A Academia de Paris passo”, a aplicar tratamente especial para fl forma bronco-pulmonar com injeção intramuscular de arsênico, prata e coloidal. A Farmácia “Cantuária”, de’Manaus, por exemplo, chegou a anunciar um remédio potente para prev doença” atraindo a etehçãode muita gente, sem que as cápsulas de,”,Quinina de Perlletier” perdessem a importância que tinham desde alguns anos.

Outros remédios como a”Levurina” Granado e o famoso “Funkus” que prometia a cura das gripe em poucas horas ou em minutos e éra vendo e distribuído pela Farmácia “Cesário”, da capita amazonense, chegados ao conbécimento popular muitos anos antes, serviam para qualquer tipo de gripe, influenza, defluxo e resfriamentos.

Depois surgiram as famosas pastilhas “Valda”, próprias para diminuição dos problemas de garganta.

O presidente da República se expunha em visitas domésticas e em fábricas, estimulando os tratamentos e acudindo os enfermos, mas a doença se alastrava e provocava centenas de óbitos.

No Amazonas a região do rio Solimões padeceu bastante, precisamente porque também faltavam medicamentos e recursos para o enfrentamento da gripe. Outro lugar foi Urucurituba, •no qual faleceram muitas pessoas, inclusive a filha de prefeito municipal e familiares de outras autoridades.

No meio de problemas e dificuldades operacionais e estruturais para enfrentamento de uma crise de saúde pública coma da gripe “espanhola”, alguns beneditinos se destacaram, seja médico em atenção direta aos pacientes, seja advogados, professores.religiosos e comerciantes em campanhas e quermesses que realizavam visando angariar meios, fundos e bens materiais quepudessem servir aos doentes, ou amenizar ossofrimentos.

Dentre os médicos, umdos que mais sedestacou foi Vivaldo Lima, o inspiradorda fundaçãodo Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, em 1917, e como cidadão comum, Gentil Bittencourt, pela Santa Casa de Misericórdia, que se empenhou no atendimento a pacientes.

A tomar as notícias de todas as redes os tempos de agora parecem mais sombrios, apesar doavanço da medicina, das vacinas, dos tratamentos mais modernos e do uso de tecnologia, pois todos estamos globalmente ameaçadospelo “coronavírus”.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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