Há poucos dias participei de um evento realizado na Fecomércio, intitulado “Gratidão”, que é promovido há vários anos pelo acadêmico, radialista, palestrante e digital influencer Rômulo Sena. Durante a solenidade, são chamadas, uma a uma, as pessoas que, no entender dos julgadores, deram especial contributo para a melhoria da comunidade em que vivem e, por isto, são homenageadas.

A fundamentação e a dinâmica da solenidade me chamaram a atenção, haja vista que, desde jovem, sempre achei que é mais pedagógico reverenciar os bons feitos do que praguejar contra as maldades, haja vista que, no primeiro caso, estaríamos atuando positivamente nas origens da formação do indivíduo, aperfeiçoando-o, enquanto que, no segundo caso, teríamos de nos resignar com o leite já derramado.

Lembrei-me, então, de um relato de Voltaire em seu Dicionário Filosófico. Ele falava de um cantão chinês onde a criminalidade era zero. O segredo? As pessoas daquele lugar tinham como norma, que cumpriam à risca, reconhecer e reverenciar as virtudes, ao invés de focarem na punição dos vícios. O resultado, ao longo do tempo, foi extraordinário.

Um dos grandes obstáculos para que o ser humano encontre a paz espiritual, bem a propósito, é a tendência que se tem de colocar ênfase exagerada nas coisas ruins, ao invés de se por em relevo as coisas boas. Basta ver o que tem mais audiência nas redes sociais. É a fofoca, a intriga, os grandes desastres, as fakes news… E isto precisa ser mudado, pois há  uma lei invisível, universal e poderosa segundo a qual os nossos pensamentos atraem para as nossas vidas exatamente aquilo que nos ocupa e consome. Se passamos os dias a reclamar, a maldizer, a odiar, somos sérios candidatos a receber tudo isto de volta e, provavelmente, em escala bem maior. Daí porque as Escrituras alertam: “Em tudo dai graças”, Tessalonicensses, 1:18.  Dar graças e ser gratos até pelo mais simples favor que nos for feito. O Mestre Nazareno vai além, ao nos concitar, inclusive, a amar os nossos inimigos, a bendizer os que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem, para que sejamos filhos do Pai, que está nos céus.

Agradecer a Deus, portanto, é o princípio de tudo, o princípio da sabedoria. Além disso, porém, devemos agradecer uns aos outros. Agradecer ao papai e a mamãe, aos irmãos, aos amigos ou, até mesmo, aos desconhecidos, os quais, em algum momento de nossas histórias, estiveram presentes com seu amor, com seu apoio, com sua solidariedade ou, ainda, nos brindaram com uma simples gentileza, como pegar um copo d’água ou ceder a preferência numa fila. O muito obrigado é mágico, abre portas, inclusive a dos céus; e corações, mesmo os mais duros.  Agradecer sempre, sem esperar nada em troca, e, assim, construir o caminho da paz e da fraternidade, sonho que habita os melhores e mais felizes corações.

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Júlio Antônio Lopes
Advogado Membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas (ACLJA), da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR) do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Academia Amazonense de Letras (AAL).

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