Sim, precisamos tomar posse deste tesouro, que o mundo sonha em chamar de seu. Nestes dias de reflexão, provocados pela ONU, a COP 26, sobre a gravidade da mudança climática, em que o mundo cobra do Brasil maior responsabilidade no trato da Amazônia, o portfólio da FPF-Tech haverá de ser um de nossos mais efetivos recursos de luta, pois só irá tomar posse deste Eldorado Verde quem tiver as ferramentas do conhecimento num patamar 4.0.

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O mês de outubro é apinhado de datas significativas para Manaus, uma cidade que palpita o coração da Amazônia e que, por isso mesmo, reúne pistas e sintomas de que uma nova era começará por aqui. Temos todos os ingredientes para tal: conhecimento, compromisso e vontade de fazer o melhor acontecer. Depende só de nós. Outubro, também, é o mês em que a intuição luminosa e magistral de Paulo Feitoza, um desembargador destacado da magistratura na Amazônia, começou a se transformar numa realidade que completou 23 anos de existência. Trata-se da Fundação Paulo Feitoza – FPF, criada para promover talentos a partir da mobilização de adolescentes e jovens da periferia da cidade. Qualificar esses jovens no universo tecnológico da Informática, um compromisso permanente da instituição, conectou necessariamente a academia embrionária da FPF com a economia do polo industrial de Manaus. E mais: adensou parcerias a partir do chão de fábrica da ZFM com os principais conteúdos programáticos, pedagógicos e tecnológicos da instituição. Vida longa a essa intuição!

Para o diretor-executivo da instituição, o engenheiro Luís Braga, “… essa caminhada nos aproxima de todos aqueles que oferecem serviços de qualidade sempre na perspectiva do crescimento desta região diferenciada e de sua projeção no contexto da brasilidade. Já são 23 anos pautados pela certeza de que a melhor forma de agregar valor ao que fazemos é exatamente avançar no conhecimento científico e tecnológico, desbravando soluções inovadoras que dão novas respostas para antigos problemas. E de quebra, nos propiciam um gratificante motivo para nossa existência”.

Na semana passada, 28 de outubro, como demonstração dessa interação desejada com todos os atores locais conectados pelos desafios postos à FPF, que já passou a ser vista e reconhecida como FPF-Tech,  a direção geral da Fundação abriu as portas para parceiros e clientes, com direito a espetáculo teatral, um coquetel e muita confraternização para a celebrar o dever cumprido.

Com recursos da Lei de Informática e da prestação de serviços, o portfólio FPF-Tech inclui1.500 projetos e iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, e a qualificação de 23 mil pessoas no Centro de Treinamento em Informática, além da formação e treinamento de 3 mil colaboradores que atuam nas empresas locais, regionais e onde mais houver convites para profissionais com alta qualidade tecnológica. Essa vocação histórica desembarcou no credenciamento da Escola Tecnológica de Nível Médio, a FPF Incubadora e a oferta gratuita e dinâmica do Programa Rocket, da Universidade Rocket, na perspectiva da caça e captura de novos talentos. Da salinha no Edifício Rio Negro, no Centro de Manaus, onde tudo começou, para o Distrito Industrial, a FPF Tech está instalada em uma área de 12 mil metros quadrados.

Além de frenética, a Missão é incessante. Todos os dias, uma nova pista desafiadora haverá de ser trilhada. Segundo Luís Braga, “estamos nos qualificando a casa dia para oferecer respostas consistentes que possam imprimir um padrão revolucionários na ação fabril, que costumamos chamar de Indústria 4.0. Isso nada mais é do que aplicar, na rotina do chão de fábrica ou na gestão corporativa das empresas, nossas descobertas e nossos portfólios de inovação tecnológica a serviço da eficiência, segurança, produtividade e maior competitividade.”

Segundo Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, muitos já não lembram que há 23 anos, no cotidiano de muitas empresas da Zona Franca de Manaus, ainda era utilizado o telex, eram raros os computadores e a forma mais corriqueira de transcrição de textos era através da máquina de datilografia. “O Distrito fabricava máquinas futuristas de datilografia. Hoje, na transição tecnológica, o smartphone, que era um simples telefone móvel, há bem pouco tempo, concentra os itens que grandes multinacionais produziam em dimensões e escalas grandiosas”.

Por tudo isso, fica mais fácil entender e avaliar, depois de 23 anos, o sentido dessa intuição de caçar talentos e oferecer a eles a oportunidade de fazer crescer suas habilidades, potencialidades e vocações. Eles moravam no bairro do Zumbi, de Aparecida, Alvorada e Santa Etelvina, entre outros. É nesse contexto de mudanças que fica também fácil entender a escassez dos profissionais de TI, e de tudo que a isso se relaciona. Sobram vagas para muitas áreas e faltam, pelo mundo afora, bons profissionais de Tecnologia da Informação e da Comunicação. Se depender da FPF-Tech essa escassez será bem administrada.

Um alerta essencial: entre os desafios que aguardam as instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação na Amazônia, já estão na praça as demandas de profissionais para Bioeconomia na Amazônia brasileira e continental. Ou seja, um formato de desenvolvimento socioeconômico marcado pelo critério da sustentabilidade. Para nós que vivemos na Amazônia, essa esfinge de miríades de possibilidades e oportunidades que precisamos decifrar, teremos que expandir nossos saberes já consolidados na direção da floresta. E essa aproximação precisa necessariamente de nossa atitude, de proteção e posse. Sim, precisamos tomar posse deste tesouro, que o mundo sonha em chamar de seu. Nestes dias de reflexão, provocados pela ONU, a COP 26, sobre a gravidade da mudança climática, em que o mundo cobra do Brasil maior responsabilidade no trato da Amazônia, o portfólio da FPF-Tech haverá de ser um de nossos mais efetivos recursos de luta, pois só irá tomar posse deste Eldorado Verde quem tiver as ferramentas do conhecimento num patamar 4.0. Podemos apenas antecipar que estamos, como sempre estivemos, prontos para aprender e dispostos a colaborar e emprestar o que melhor que temos. E com certeza, no pelotão de frente, há 23 anos, a Amazônia já começou a contar com a Fundação Paulo Feitoza – Tecnologia. O futuro da Amazônia já começou.

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Alfredo Lopes
*Escritor amazonense, com 11 títulos sobre a Amazônia, e mais de 2 mil ensaios. Formado em Filosofia com pós-graduação em Administração e Psicologia da Educação. Consultor eventual do BID, Grupo Simões, do CIEAM e diretor da FIEAM.

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