“A experiência de estender o Liceu Claudio Santoro para o interior, a começar pela terra dos festejados Caprichoso e Garantido, foi maravilhosa. Tudo era novo.”

Tenho presente, como se fosse hoje, a conversa que travei com José Braga, meu irmão e mestre, logo depois de nomeado secretário de Estado da Cultura, nos idos de janeiro de 1997, ocasião em que, entusiasmado, eu traçava as primeiras linhas do que desejava edificar em nossa terra. Naquela hora, ao falar do projeto de criação de orquestras com a importação inicial de músicos, disse-me ele, peremptório: “hás de fazer uma escola de artes, sem a qual o que plantares vai envelhecer com o tempo. Com a escola, vais plantar e a colheita será longa”.

Ainda que as suas palavras possam não ter sido precisamente assim, elas tiveram esse sentido, qual seja o de tudo fazer, mas, ao mesmo tempo, pensar claramente em implementar a formação dos artistas do amanhã, na necessária e irremediável renovação de talentos e em dar oportunidades aos jovens.

Foi assim, precisamente assim, que surgiu a ideia de criação do Liceu de Artes Claudio Santoro que, organizado inicialmente em Manaus (1998) no governo e com apoio de Amazonino Mendes, depois ampliado e fortalecido com Eduardo Braga, quando estava bem amadurecido na capital amazonense estendeu seus tentáculos de ensino até Parintins e de la chegou às vizinhanças mais próximas. Depois, acabou por seguir viagem para bem mais distante e foi até Borba e Envira e, pelo menos na santa terra de Nossa Senhora do Carmo o Liceu vingou como vingara na capital. Na fronteira mais distante do Estado (Envira), plantamos a semente que agora começa a brotar.

O que vi, na semana finda, foram as adoraveis notícias e comemorações dos sete anos de funcionamento do núcleo do Liceu em Parintins, a escola que transforma, anima os jovens, realiza sonhos, prepara o futuro e que se acha fixada na terra que sempre deu bons frutos para as artes e as culturas que nos caracterizam mundo afora: a ilha encantada.

A experiência de estender o Liceu Claudio Santoro para o interior, a começar pela terra dos festejados Caprichoso e Garantido (para respeitar a ordem alfabética dos nomes), foi maravilhosa. Tudo era novo. Fomos chegando de mansinho para falar da ideia, arrumando o prédio do bumbódromo que o governador Omar Aziz qualificava com transformação profunda, e fomos criando os ambientes escolares, selecionando professores da terra, funcionários da terra, artistas da terra, e, como dizíamos à boca pequena naquele tempo, tinha tudo para dar certo. E deu!

Foram muitas mãos e corações reunidos para edificar essa obra sem igual. Educadores, técnicos, administrativos, artistas daqui e de outras partes do mundo reunidos com o propósito de dotar a cidade de uma escola de artes de alto nível para teatro, dança, música, cinema, fotografia, além de biblioteca, cinema em 3D que era o coqueluche do momento, auditório, exposição com acervo dos bois, audição musical, galeria de arte, enfim, tudo que o povo parintinense merecia. E ainda apoiamos o Cetam e o Corpo de Bombeiros com seus projetos de cidadania.

Cristiana Brandão, Andressa, Labibe, Diana, Ana Paula, Santana, Débora, Danuza, Davi, Tiago, Baldoino, Kennedy, Graça, Alcione, Alceo, Maristela, Érika, Anselmo, Karla, Sidney, Adart, Chrystian, Elder, Enéas, Tarcísio, Rogério, Rejane, Raquel, Orione, Jandr, Alberto, Roberto, Cleia, Naruna, Clara, Gledson, Natália, Taisse, Evandro, Paula Maciel, Euler, Elijones, Raphael, Ademar, Renata, Beth, Mimosa, Genésio Neto, Waldenize, Sharles, Frank, Regina, Sheila, Josinaldo, Erinaldo, Benedito, Geerre, Sicsu, Nestor, Jacqmont e muitos outros foram fazendo a construção desse edifício singular cujo principal alicerce é a alma de cada um de nós que ficou por lá impregnando de amor e idealismo aquele lugar mágico. A cada um digo obrigado e faço justiça mais uma vez.

Ao completar os primeiros sete anos de permanente funcionamento, a Unidade de Parintins do Liceu Claudio Santoro está enraizada como se fosse uma estrela no coração da cidade, vestida da esperança de quantos vislumbram crescer e aprimorar conhecimentos nesse mundo particular de cor e luz. E há de continuar.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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