*Giuliana Miranda

O controle do desmatamento da Amazônia derrubou as emissões brasileiras de gases-estufa ao menor índice dos últimos 20 anos. Todos os outros setores, porém, tiveram alta.

Para especialistas, o cenário indica uma certa acomodação: como o desmate já consegue reduzir as emissões, as outras áreas teriam se acomodado.

“O Brasil tem de parar de achar que está em uma eterna posição de conforto quanto às emissões. Estamos sujando nossa matriz energética termoelétricas, dando incentivos para compra de carros, fazendo planos de explorar o petróleo do pré-sal até a última gota”, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.

A ONG lançou em 2013, em parceria com institutos de pesquisa, um sistema próprio para estimar as emissões do país–os números oficiais têm saído com periodicidade irregular.

Nos dados do governo, a agropecuária já é a principal fonte de emissão. No Seeg (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa), está muito próxima disso. Segundo o sistema, a alta mais significativa foi no setor energético: 126% de 1990 a 2012.

Como país em desenvolvimento, o Brasil não tem compromisso obrigatório de redução de emissões. Mas, em 2009, o governo pôs em lei a meta voluntária de cortar entre 36,1% e 38,9% em relação a valores projetados até 2020.

Adriano Santiago, diretor de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, diz que o aumento não preocupa.

“Há um reconhecimento internacional de que, nos países em desenvolvimento, o primeiro compromisso, antes das emissões, é o crescimento para erradicação da pobreza.”

Ele diz ainda que o país tem planos para cortar emissões em diversas áreas.

*Colunista da Folha de São Paulo. Caderno Sustentabilidade 5, 05/06/2014.
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