Não tem jeito: os políticos brasileiros, na sua maioria, no congresso nacional, só pensam naquilo, a gastança indecente do dinheiro público no interesse particular deles, sem a menor preocupação com o interesse público do povo. Um exemplo danoso aos estudos científicos e à busca de saberes e conhecimentos da biodiversidade amazônica é o fechamento do bosque da ciência no INPA, em Manaus, por falta de dinheiro público.

Enquanto isso, na Câmara e no Senado estão aumentando as verbas do fundo eleitoral, no orçamento da união, para 3 bilhões e 700 milhões de reais, para serem distribuídos aos partidos políticos para gastarem nas próximas eleições. Isso é um absurdo que deixa estressados e ansiosos todos os contribuintes de impostos do país.

Por que o estado brasileiro gasta tanto dinheiro com os políticos que em nada contribuem com os destinatários de políticas públicas, que são os eleitores e os cidadãos e cidadãs em geral? No Brasil a política partidária-eleitoral é uma profissão da escolha da pessoa e não um dever imposto pelo poder público, cujo conceito profissional é mitigado sem alcançar, no todo, o significado de múnus público.

Em outras palavras: só se candidata a um mandato eletivo quem quer, ninguém é obrigado a candidatar-se. Até porque o exercente de mandato eletivo não trabalha de graça. Juntando todos os benefícios financeiros, incluindo os subsídios que os parlamentares federais recebem, eles constituem ocongresso mais caro do mundo. Então, não devemos pagar, com o dinheiro decorrente dos impostos que entregamos ao governo, os trabalhos eleitorais dos políticos para se elegerem nos cargos a que concorrem nas eleições respectivas. Esse vultoso montante de dinheiro público gasto com os fundos partidário e eleitoral, é evidente que faz falta à prestação de serviços públicos de boa qualidade ao povo.

Assim como faz falta à manutenção do bosque da ciência, recentemente fechado, por falta de dinheiro. Neste caso, ainda bem que o prefeito Artur Neto, mostrando virtuosa sensibilidade com o assunto, está se movimentando, com recursos da prefeitura, para evitar o fechamento desse espaço de grande importância para o estudo científico no país. Além disso, o bosque da ciência também funciona como ambiente de visitação pública para conhecimento de espécies vegetais, animais, minerais e da ictiologia amazônica. Não podemos consentir no fechamento do bosque.

É melhor se fecharem os partidos políticos, e se permitirem as candidaturas avulsas, independente de filiação partidária. Precisamos lutar para que o dinheiro público seja aplicado no interesse público e não no particular dos políticos. E quem quiser ser político, que seja com o seu dinheiro e não com o dinheiro do povo para se eleger a algum cargo eletivo.

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Raimundo Silva
*Amazonense de Itacoatiara. Advogado. Desembargador Federal do Trabalho aposentado. Professor de Direito da UFAM aposentado. Mestre em Direito pela UFPE. Foi vereador em dois mandatos, de 2009 a 2016, e nesse período Presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara. Escritor e membro da Academia Itacoatiarense de Letras.

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