Parece incrível o que vou contar, mas aconteceu, e é tão belo que resolvi partilhá-la com os leitores.Vim hà pouco de Belém para Manaus na vivência da minha Congregação religiosa, das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, e estando em tempo de Finados,comecei a rezar pelas Almas. Lembrei meu pai, Bruno de Menezes, que  faleceu de súbito em Manaus, de um infarto do miocárdio,  a 2 de julho de 1963. Eu rezava pela alma de Bruno, e agradecia a Deus, ao mesmo tempo,  todo o bem que recebi de meu pai. Nisto, de um modo que não sei explIcar,  senti perto de mim, a presença do meu pai. NÃO TIVE MEDO ALGUM.

Ele estava bem alegre, como era seu jeito em vida, e com a blusa colorida, de modelo junino,  com a qual participou na Comissão de Jurados do Festival Folclórico de Manaus, a convite de um joirnal de Manaus, nesse ano de  1963.

Enchi-me de animação,  e saudei-o : – Oi, meu pai, o senhor pela nossa  terra ?

Disse-me: Pois é, minha filha. Sabes que sou “sogro de Jesus Cristo”- como eu  mesmo me intitulei,  quando fizeste os Votos. Sendo assim,  tenho cartaz  junto a Ele.

Conto-te uma coisa maravilhosa: Neste dia de Finados, nós, falecidos,  recebemos de Jesus a licença de vir à terra, em visita de amizade e ternura aos nossos entes queridos, e é por isso, minha filha,  que estou aqui, junto de ti.

Eu o olhava, admirada e curiosa, e ele continuou : “ Minha visita tem dois fins: dar-te parabéns porque inspiraste e escreveste um pequeno livro muito bonito, onde falas sobre mim várias vezes. Sabes qual é o título?”

Disse-lhe: “Como não ? O título é “Memorial de Bem-Querências”, e seus organizadores são: Edir Gaya, Marcos Valério Reis, Paulo Nunes e Vânia Torres Costa.   E o livro já se exgotou.”

-“ Sinal de que é bom, minha filha.”

– “Sim, é muito bom. Mas agora, meu pai, diga-me qual é o segundo objetivo de  sua visita à  nossa terra. Não posso conversar muito, pois estou de quarentena, isto é, em um semi-isolamento de vários dias , no qual, por disposições sanitárias, ficam as pessoas que viajaram de um lugar a outro, para não passarem o contágio do covid às pessoas que entraram em maior contato com elas.”

-“Pois é.  Vejo que esta QUARENTENA É UMA coisa aborrecida, TERRÍVEL. Meu objetivo, minha filha, é este, com o qual vou terminar a nossa conversa, é o de implorar, por favor, ao nosso bom Deus esta grande graça : Que Ele cancele o mais breve possível, este CORONA VIRUS da face da terra, pois tem feito muito mal”.

E eu terminei, dizendo a meu pai:

”-  Ótimo, meu pai, peça a Deus esta graça, e  assim, eu ficarei livre da Quarentena em que estou.”

Senti que meu pai riu da minha prece interesseira, e assim se despediu de mim.

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Marília Menezes
*Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

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