Marco Rodrigo Almeida
*Marco Rodrigo Almeida

 

Best-seller dos livros de história, jornalista Laurentino Gomes vai lançar trilogia sobre tráfico de escravos no país 

Para nova série, que será editada a partir de 2019, pela Globo Livros, ele irá visitar pontos de venda de cativos na África

A notícia atiçou a curiosidade de leitores e do mercado editorial nesta semana. Laurentino Gomes, o jornalista que transformou a história do Brasil em um fenômeno de vendas, irá escrever uma trilogia sobre a escravidão.

Ele planeja publicar um título por ano a partir de 2019, pela editora Globo Livros.

Laurentino despontou como best-seller em 2008, quando iniciou sua primeira trilogia, dedicada aos anos centrais da história do Brasil no século 19. Em conjunto, “1808” (sobre a chegada da família real portuguesa ao Brasil), “1822” (Independência) e “1889” (Proclamação da República) venderam mais de 2 milhões de exemplares no Brasil, em Portugal e nos EUA.

Os livros não apresentam fatos inéditos ou abrem novas frentes de pesquisa, mas descrevem os eventos históricos sem hermetismos, em linguagem direta e bem-humorada, para o grande público.

Quando concluiu a série, em 2013, Laurentino resolveu aposentar a fórmula de usar como título de livro uma data emblemática do país, estampada em tamanho garrafal na capa. Por algum tempo pensou em biografar um personagem histórico, como Tiradentes ou José Bonifácio (não desistiu completamente da ideia). Mas o tema da escravidão acabou se impondo.

“Eu acredito que esse seja o tema mais importante de toda a história do Brasil. Tudo o que nós já fomos, somos hoje e seremos no futuro gira em torno das nossas raízes africanas e do uso da mão de obra cativa”, comenta ele. “Sem a escravidão o Brasil de hoje simplesmente não existiria.”

O assunto não é novidade na obra do autor e já perpassava seus três livros anteriores.

“Quando a corte de dom João chegou ao Rio, em 1808, o tráfico negreiro era o maior negócio do Brasil. Os homens mais ricos do Rio de Janeiro eram todos traficantes de escravos. Na Independência, o país manteve inalterada a situação social alicerçada na escravidão”, explica o jornalista. “O Brasil foi o último país do hemisfério ocidental a abolir a escravidão, em 1888.”

Laurentino planeja iniciar a nova série descrevendo o surgimento do tráfico de escravos da África para as Américas no século 16. O segundo volume será dedicado ao auge do tráfico negreiro, resultado da cultura da cana-de-açúcar. O terceiro tratará do movimento abolicionista. Os títulos dos livros não foram definidos.

A trilogia vai retratar também uma galeria de personagens importantes da história, como Zumbi dos Palmares, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e a princesa Isabel.

Numa primeira etapa, Laurentino vai se dedicar ao estudo da vasta bibliografia sobre o tema. Depois pretende sair a campo para reportagens, em viagens a portos negreiros na África e a pontos de comercialização dos escravos no Brasil.

Para Laurentino, o tema continua atual e oferece muitas possibilidades de debate.

“Basta ver a polêmica que envolve as políticas públicas como as cotas para estudantes negros nas universidades. A escravidão é um cadáver insepulto, um fantasma que nos assombra até hoje porque nos recusamos a encará-lo.”

*Jornalista. Texto na Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada C7, de 16/05/2015.
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