Sinto o calor do meu corpo ativo
E os meus olhos jamais verão
O tremor intenso do inverno
Que tenta ocupar o meu coração
Querendo fazer da minha vida
Um inferno de solidão
Semeei, plantei, reguei em terra adubada
Tive uma vida atarefada
Mas cuidei com carinho e com amor do meu trabalho
Colhi flores e muitos bons frutos
No período intenso de primavera
Ah, que bom que era!
Agora chegou o outono da minha vida
As mudanças estão acontecendo em mim
As folhas caem e viram adubo
Meus galhos estão à mostra, quase sem viço
Mas o tronco permanece ativo
Fortalecido pela espera
Dos dias melhores que agora vivo
Sou como uma velha árvore
Mas há para mim muitas manhãs luminosas
E muitas tardes plenas de sol e calor
E noites de brisa suave e de luas cheias de amor

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Ana Peixoto
*Amazonense de Manaus. Escritora, professora e filósofa. Poeta, ensaísta e autora de livros infantis.

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