Entre nós (4)

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O medo é uma sensação muito estranha acompanhada de instabilidade emocional que ao progredir leva ao estado de pânico.

Tudo o que acontece normalmente se deve a um comportamento cultural, desenvolvido principalmente por pessoas de baixa escolaridade influenciando outras pessoas principalmente as crianças, como por exemplo, que o escuro está ligado ao perigo, que aparecerão duendes maus, que animais peçonhentospoderão se aproveitar para atacar e tantas outras coisas como que o alto risco de viajar de avião, que comendo certas coisas à noite vai fazer muito mal, que misturar manga com leite mata. Enfim, que tantas coisas podem ser pecados mortais, o que significa ao morrermos poderemos sofrer nofogo do inferno.

Mas na verdade todos estes estímulos negativos liberam certos neurotransmissores dentro da corrente sangüínea que embebe o cérebro, tais como as catecolaminas (a adrenalina e a noradrenalina) que são responsáveis pela constrição dos vasos cerebrais promovendo sintomas de arrepios, calafrios, sudorese intensa principalmente nas mãos, nos pés e na testa, aumentando o estado de alerta e criando a sensação conhecida com o nome deangústia, o que gera pensamentos negativos e aumenta cada vez mais o medo. Isto transforma a personalidade das pessoas medrosas. Ficam acovardadas, não produzem mais como deveriam, mesmo aquelas muito qualificadas.

Nas cidades do interior com frequência as famílias para controlar as crianças peraltas dizem a elas que à noite o “murucututu”, que é uma coruja pequena linda e inofensiva, virá buscá-las se não se comportarem durante o dia, e como esta coruja ao anoitecersai para caçar, pois que possui hábito noturno, produz um gorjeio com um som grave e para meter medo nas crianças os pais ou as babás alertam para aquele ruído, dizendo:- Olhem! Escutem! Crianças que não obedecem podem ser raptadas pelo “murucututu”! Logo se estabelece o pânico. É cultural também meter medo com duende mal, que é a mãe do quintal, que castiga crianças que não obedecem aos pais.

A possibilidade de sentir dor também estabelece esta alteração cerebral que já foi referida acima. Daí o medo de tomar injeção, de ir ao dentista, de ter parto normal e etc.

A vida tem que ser vivida com alegria, sobretudo, então não cabe nem ter medo e nem induzir medo principalmente nas crianças e nos idosos.

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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