A sociedade não conformada com os desmandos veio às ruas e protestou.
Protesto este que se acumulava há mais de dez anos, por conta das mentiras do “não sabia de nada” de alguns sórdidos políticos.

Nestas reivindicações está explicita a grande preocupação com o presente e com o futuro. Temos a certeza de que ao se perpetuar o crescimento do segmento da população acima de 60 anos de idade e a queda da fertilidade e da fecundidade das mulheres, cada dia existirá um maior número de benefícios a ser cumprido pela Previdência e consequentemente um menor número de ingressos para cumprir estes benefícios, pois a população que atinge a idade de entrar no mercado de trabalho e que passa a ser contribuinte cai vertiginosamente, tendo em vista que os dias de hoje nasce menos gente e morre menos também. Com relação aos recursos destinados ao SUS, que inda são insuficientes se considerarmos a universalidade do atendimento de saúde, para se ter uma ideia desta grande dificuldade, no ano de 2012 o montante dos recursos previstos para atendimento de toda população a nível hospitalar, 64% foram consumidos com internações de idosos no Brasil. E os outros, como ficam?

Hoje há uma competição desigual entre as gerações quando se faz o orçamento da União, que destina mais dinheiro à merenda escolar que beneficia as crianças e recursos para saúde Raro atender os idosos, principalmente que por todas as causas estes adoecem mais e ficam mais tempo hospitalizados com custos maiores e crescentes. A continuar assim no futuro não se terá mais recursos para pagar as aposentadorias, que hoje representam o principal ingresso numa grande maioria de famílias. Diante da inflação que acelera juros altos, aumenta os custos operacionais da família com transporte, alimentação, remédios, lazer, aluguel, pagamentos da casa própria através do Programa Minha Casa Minha Vida, a sociedade não aguenta mais e deseja dar uma basta em tal situação.

Fora o superfaturamento das verbas públicas, os desvios concretos do erário por gestores desonestos e sem nenhuma possibilidade de punição aos mesmos, tudo isso leva ao descrédito total dos governantes e dos políticos de uma maneira geral. Com estes desvios indevidos agravam as questões da saúde, da educação, da previdência e agrava a economia e o País não se desenvolve.

Estamos de acordo com as reivindicações da voz do povo nas ruas, mas somente com estas e repudiamos veementemente os abusos dos baderneiros.

Essa é uma batalha que deve ser travada por nós, independentemente da idade, pois que ao final favorecerá a todos na garantia de um ‘sistema mais justo para novos e velhos. Isso é o que queremos!

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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