O índice de suicídios entre idosos se acumula em todo mundo. Cerca de 9000 pessoas se suicidam no Brasil a cada ano e este dado está numa curva ascendente. Contudo esta taxa ainda está aquém daquelas observadas nos Estados Unidos e no Japão. As mulheres apresentam menor taxa de que os homens, pois correspondem a 1,9 e 7,1 respectivamente, porém acima de 75 anos de idade esta taxa tende a crescer em ambos os sexos.
Os fatores de risco relacionados a este evento dizem respeito quase sempre à perda de parentes próximos que seriam referência para aqueles idosos, sobretudo quando é o cônjuge, solidão abandono da família, enfermidades degenerativas acompanhadas de muito sofrimento, sensação de ser um grande peso para toda família, entre outros.
Mas não devemos descuidar dos pacientes idosos com depressão e doenças mentais. Para os homens, principalmente, o isolamento social tem sido um dos principais motivos desta atitude de auto eliminação.
As mulheres se suicidam menos pelo apoio que tem de redes sociais de proteção mais fortes e se engajam mais facilmente dos que os homens em atividades domésticas e comunitárias, como as promovidas pelas igrejas, o que Ihes confere um sentido de participação até o fim das suas vidas.
A Escola Nacional de Saúde da Fiocruz tem feito pesquisas para entender as razões do por que idosos de mais de 60 anos cometem o suicídio. Dos mais de cinco mil municípios brasileiros somente 54 tem registrado estes eventos nas suas comunidades, as maiores concentrações destes eventos se localizam nos municípios do sul do País, onde existe o maior acúmulo de idosos na pirâmide etária no Brasil.
Portanto, a amargura que afeta parentes e amigos deve ser vista cuidadosamente pela área da Saúde, pois o “desastre afetivo social” precisa ser acompanhado com instrumentos adequados para cuidar do sofrimento daqueles que sobrevivem e irão conviver com essa história ao longo da vida.

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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