Nascido em 1897, filho José de Lima e Balbina Valeriano de Lima, aportou em Manaus em 1903 na pujança da economia da borracha (…)

Um dos fundadores da Academia Amazonense de Letras, em 1918, ao tempo em que a entidade ainda se denominava Sociedade Amazonense de Homens de Letras, andou publicando poemas esparsos em jornais e revistas, fazendo belos discursos sempre reconhecidos, atiçando os adversários e os políticos em coluna denominada “Dia a Dia”, ao mesmo tempo em que integrava o grupo da chamada “melhor” sociedade da época como diretor do Atlético Rio Negro Clube, bem antes da sede da Av. Epaminondas, e frequentador assíduo do Ideal e do Internacional.

Como se não bastasse para uma vida bem ativa, o acadêmico enveredou pela luta sindical defendendo os seus colegas de trabalho em Manaus e depois na capital federal, à época, o Rio de Janeiro. E o fez com muita energia, liderando greves e manifestações públicas, passeatas e comícios, ao tempo de Getúlio Vargas para defender os operários dos Correios onde servia.

Embora fosse advogado formado, jornalista de peso, escritor e acadêmico, o que mais se encontra nos jornais do seu tempo é a presença marcante de Odilon Lima nos embates em defesa da classe dos trabalhadores procurando firmar conceitos até então bastante novos de direitos que o empregado, seja público ou privado, viria a conquistar com luta e suor.

Nascido em 1897, filho José de Lima e Balbina Valeriano de Lima, aportou em Manaus em 1903 na pujança da economia da borracha, proveniente da Bahia, desembarcando do vapor “Maranhão”, assumindo posição de destaque nos jornais, como era comum, até firmar-se por outros méritos. Por aqui escreveu no jornal Derby Clube e na Gazeta da Tarde, e foi neste último que manteve a coluna sob o título “Dia a Dia”, polemizando a mais não puder, inclusive contra os pequenos jornais aos quais chamou de “jornalecos”, gerando grande celeuma na imprensa amazonense.

Estudou na Universidade Livre de Manáos, integrou a diretoria da União Acadêmica ao lado de Paulo Eleuthério, foi orador do Congresso da Mocidade, orador do hasteamento da Bandeira Nacional na sede dos Correios, diretor da Sociedade Beneficente Postal, professor do Instituto Universitário dirigido por José Chevalier em cujo estabelecimento também fez conferências sobre o tema “O 10 de Julho”, foi examinador escolar ao lado de Pericles Moraes, Mariano de Lima e Generino Maciel, orador da solenidade de aposição do retrato de Olavo Bilac; animador do movimento escoteiro introduzido no Amazonas por iniciativa de Chevalier, professor de História da Escola Municipal de Comércio de Manaus ao lado de Coriolano Durand, amanuense da diretoria de Instrução Pública e secretário interino da prefeitura de Manaus (1920) ao tempo do Dr. Franco de Sá.

Grande embate foi aquele que travou em 1918 com Paulo Eleuthério tratando do tema “As floretas e uma crendice” enquanto Paulo escrevia sobre “As florestas e as chuvas”, pouco depois de ter integrado a entidade literária denominada “Tertúlia dos Novos” com Raymundo Thomé Bezerra, Adail Couto, Álvares da Silva, Renato Vianna, Abelardo Araújo e Aristides Ferreira, dentre prosadores e poetas.

Amigo de Pericles Moraes, José Chevalier e Manuel Nunes Pereira, próceres da Academia, era costume o disse-me disse de que, somente por isso havia conseguido ocupar uma das cadeiras da Academia logo na fundação, mas a leitura de seus poemas, os comentários sobre seus discursos, as notícias sobre seu trabalho no magistério e as poesias que a ele foram oferecidas por vários autores, bem demonstram que essa picuinha era mesmo intriga de capoeira ou coisa de cidade de muro baixo. Além de tudo, Odilon Lima cultuava filosofia e a ciência do direito, mas se notabilizou mesmo no Rio de Janeiro por enfrentar a ditatura varguista.

Nos dias de agora, passadas as dores que sua crítica ácida causou a alguns e a fúria de seus algozes, deverá ser reconhecido pelos méritos que ostentava quando os críticos literários encontrarem seus artigos e sobre eles se debruçarem sem inveja e arrogância.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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