“Manter a integridade de quem se entrega corpo e alma para salvar vidas fabricando e doando equipamentos é tão essencial, na opinião do líder empresarial, como promover essa movimentação solidária de prover alimentos para quem está com fome.”

Na tarde desta quinta-feira, 03 de junho,  o grupo de Ação Social Integrada, ASI, formado pelas entidades do setor produtivo da Zona Franca de Manaus, FIEAM, CIEAM, ELETROS e ABRACICLO, fizeram entrega de 100.500 máscaras, ofertadas pela empresa Coimpa, uma empresa do grupo Umicore, que iniciou suas atividades no Pólo Industrial de Manaus em 1973 e fabrica produtos de alta tecnologia para atender as mais diversas indústrias. Já foram doadas 5 mil cestas básicas e seus gestores integram a coordenação da ACI, sinalizando o envolvimento efetivo com a causa solidária das empresas da Zona Franca de Manaus.

Demandas da Saúde

Os EPIs, equipamentos de proteção individual, foram entregues nas unidades Hospital Francisca Mendes, Fundação Adriano Jorge e na Central de Medicamentos do Amazonas. Além disso, uma arremessa com 20.000 EPIs seguiu para a empresa Viseon, responsável pela entrega dos EPIs à Secretaria de Saúde do Acre, onde a pandemia tem deixado sequelas de dor e perda de vidas humanas com extrema dramaticidade.

Empresas comprometidas

Distribuição de alimentos, além dos equipamentos de proteção individual, entre outros itens de combate a pandemia, seguem de vento em polpa. As empresas continuam repassando suas doações para coordenação geral da Ação Social Integrada, visando a atender as demandas apresentadas pela Secretaria Estadual de Saúde, na coordenação dos suprimentos emergenciais da pandemia e pelas entidades de assistência social credenciadas.

Alinhamento com a comunidade

Para o Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, um dos responsáveis pela mobilização das empresas, “…esta ação solidária significa alinhamento com o sofrimento da comunidade. Fomos tomados de assalto pelo desconhecimento das mazelas deste inimigo invisível que surpreendeu o planeta. Quem poderia imaginar essa contaminação universal da COVID-19. Mesmo assim, em meio à calamidade, não titubeamos em produzir e doar itens que outrora importávamos da Ásia. EPIs, respiradores mecânicos, álcool em gel, foram ações inéditas no pólo industrial de Manaus. O evento surpreendeu, primeiramente, a nós mesmos, que desconhecíamos essa capacidade inédita e latente no interior de nossas empresas. Agora é buscar os empregos com o retorno planejado e precavido de todos nós”, finalizou.

Lições e diversificação

Na mesma direção, o presidente da Eletros, entidade nacional de indústria eletroeletrônica, Jorge Nascimento Júnior, “A pandemia nos trouxe uma grande lição, uma proveitosa aprendizagem que veio para ficar. Depois de cinco décadas do polo industrial de Manaus, de uma hora pra outra, pudemos mostrar ao Brasil nossa capacidade de prontidão efetiva. E isso significa que não haverá maiores dificuldades para atrair qualquer empreendedor que queira produzir com qualidade, com eficiência e responsabilidade muitos dos itens da cadeia global de suprimentos”. O dirigente se refere aos estragos da falta de suprimentos com os cargueiros que foram interceptados em março último, por países com maior gravidade de contaminação”. Contêineres e fretes aéreos foram impedidos de chegar ao país e ao Amazonas para resolver os dramas impostos pelo novo coronavírus. Passado o pesadelo, diz o executivo, isso significará que Manaus tem uma chance única de adensar, diversificar sua indústria, especialmente as novas linhas de produtos na área da saúde, além de eletroeletrônicos, ar-condicionado, e outras linhas que precisam se ampliar e modernizar protótipos industriais.

A descoberta de uma nova força

Na visão do presidente Antônio Silva, um dos responsáveis por juntar as entidades ABRACICLO, FIEAM, CIEAM e ELETROS, a pandemia não apenas trouxe dor e sofrimento. Veio também à tona novas habilidades produtivas que são imanentes à nossa dinâmica industrial. “E, mais do que isso, permitiu descobrimos a força da unidade. Fica mais fácil trabalhar em mutirão movidos pelo espírito cívico. Vamos continuar interagindo com as demais entidades, com o governo do Estado e a presença federal da Suframa, crescentemente comprometida com os interesses regionais”. Afinal, diz o empresário, e nossa meta é ajudar a reduzir as desigualdades Norte-Sul do Brasil.  Irmanados pela necessidade de socorrer o corpo médico-hospitalar com EPIs e pelas necessidades básicas da polução mais sofrida das periferias, incluindo refugiados e grupos indígenas, estamos fazendo nossa parte com mais de 100 toneladas de alimentos até aqui.

Economia e Vida

Finalmente, o dirigente da ABRACICLO, do setor de Duas Rodas, Marcos Fermanian, a crise nos impôs criatividade e fez brotar o espírito solidário de empreendedores e trabalhadores. “Não há dilema entre economia e vida. É óbvio que a vida e o bem-estar de todos é prioridade absoluta”. Para ele, os equipamentos de proteção dos profissionais da Saúde, feitos a toque de caixa em Manaus, sinalizam isso. “Manter a integridade de quem se entrega corpo e alma para salvar vidas é essencial”. Tão essencial quanto é, na opinião do líder empresarial, promover essa movimentação solidária de prover alimentos para quem está com fome. “São ações de uma indústria cujo compromisso vai além dos expedientes que regulam a responsabilidade social das empresas”.

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Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo e ensaísta. Consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.

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