“A Academia só permite uma reeleição para qualquer dos cargos, conduzindo a necessário rodízio entre os seus pares, e, de certa forma, renovando os esforços capazes de sustentar a instituição.

Concluindo o mandato de presidente da Academia Amazonense de Letras, como me encontro, estão em fase final os preparativos para as próximas eleições acadêmicas nas quais os titulares da Casa de “Adriano Jorge,” repetindo gesto antigo e inaugurado em 1918, vão escolher a diretoria para o próximo biênio, e, particularmente, o novo presidente. Naquele ano, o da fundação, o escolhido foi o ilustre Benjamin Franklin de Araújo Lima que declinou do cargo em favor do respeitável Adriano Augusto de Araújo Jorge. Depois dele, o grande Péricles Moraes, seguindo e outros tantos de igual valor.

Nos tempos atuais, em processo democrático de renovação de quadros diretivos, o que é de todo saudável, a Academia só permite uma reeleição para qualquer dos cargos, conduzindo a necessário rodízio entre os seus pares, e, de certa forma, de sustentar a instituição, vencida a fase em que o presidente perdurava longamente como sucedeu com o próprio Adriano que a dirigiu por certos trinta anos, sem qualquer questionamento.

Decorrido o prazo de inscrição de chapas, somente uma se apresentou para a próxima eleição, liderada pelo académico e médico Aristóteles Comte de Alencar Filho que há de ser sufragado no próximo dia 18 para que se mantenha em harmonia a honrosa história do Silogeu, ainda que sejamos de idades, formação e experiências distintas, mas todos cônscios do papel que nos cabe na mantença das melhores tradições do sodalício.

Ao que se sabe, Aristóteles Alencar, sendo eleito, há de oferecer significativo contributo para a sociedade amazonense, seja conservando programas exitosos e em andamento, alguns deles inaugurados há bastante tempo, seja lançando novas ideias e executando projetos que observem o passado e sinalizem para o futuro institucional de modo que a Academia se mantenha de portas abertas para todas as gerações, ativa e forte, publicando obras de qualidade e alargando horizontes para os escritores brasileiros -amazônidas, principalmente.

Quando as cédulas de votação arderem em fogo brando após a consumação dos registros da manifestação de vontade dos académicos e académicas, como tem sucedido repetidas vezes e já se vão mais de cem anos, passará a caber ao novo presidente a condução da Casa, a realização de eleições para poltronas vagas, a responsabilidade pelo fortalecimento da crença de que a imortalidade consiste na edificação de obra de real valor intelectual e preservação de valores éticos e morais apropriados para uma confraria de homens e mulheres de bem.

Tendo participado de inúmeras dessas eleições, de há muito compreendi que devem ser conduzidas em sintonia com a manifestação livre do pensa mento de cada académico, e observadas as diferenças naturais entre humanos, respeitar as opiniões escolher as convicções como merecem, procurando conciliar tudo e todos com sinceridade e franqueza, afinal, não se trata de dar cor a partidarismo ou a questões ideológicas, mas da escolha oportuna daquele que, dentre todos os titulares das poltronas azuis e douradas, manifesta a vontade de servir na cadeira e sólio presidencial, em colegiado e entre iguais.

Creio que assim será, mais uma vez.

Compartilhar
Roberio Braga
*Professor, historiador e Advogado. Especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui