*Claudia Costin

Todas as crianças devem ter a oportunidade de recuperar as aprendizagens perdidas.

Escrevo a coluna no dia 28 de abril, Dia Mundial da Educação, instituído em 2000 no Fórum Mundial de Educação, realizado em Dacar, que preconizou que todas as crianças tivessem acesso ao ensino primário.

Desde então, isso ocorreu, em grande medida, no mundo todo, inclusive em países que não lograram universalizá-lo. Tive a ocasião de ir, há poucos anos, para o Paquistão e vi o brutal esforço do país para trazer mais meninas para as escolas.

Mas o que alguns países signatários do acordo estabelecido no Senegal constataram, pouco tempo depois, é que o progresso em educação envolve migrar de problemas mais simples para os mais complexos. Com os bancos escolares contando com os anteriormente excluídos, defrontaram-se com o desafio de assegurar que todos aprendam.

Prefeitura de SP inicia contratação de mães de alunos para auxiliar no combate à Covid em escolas

Contratação das mães selecionadas é formalizada nos postos do Cate (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo) Ronny Santos/ Folhapress

Secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Paulo, Aline Cardoso Ronny Santos/ Folhapress

Esse problema também apareceu com mais clareza no Brasil a partir da primeira década do século 21. Universalizamos o acesso, depois de certo atraso, ao ensino fundamental, mas pagamos um preço alto em resultados de aprendizagem por termos demorado a fazê-lo. Mesmo assim, avanços nos anos iniciais do ensino fundamental vêm ocorrendo consistentemente desde 2005 no Ideb, índice que mede a qualidade da educação, e nas últimas cinco edições do indicador nos anos finais. Em 2019, finalmente, o avanço também ocorreu, depois de anos estagnado, no ensino médio.

Isso vai ao encontro do que estabeleceu a Unesco e, posteriormente, validou a Assembleia das Nações Unidas de 2015, com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável – ODS 4. Aprendizagem para todos, com equidade, virou o mantra.

Bem, isso era no período que precedeu a pandemia. Um ano letivo inteiro longe das aulas presenciais, tudo mudou. Os ainda tímidos, mas consistentes, avanços que tivemos foram revertidos. Por mais que um exército de professores tenha tentado, com ou sem apoio dos gestores de redes de escolas públicas, assegurar a continuidade das aprendizagens, ocorreu tanto um retrocesso como um aprofundamento das desigualdades educacionais.

Uma avaliação recente feita pelo Caed, da Universidade Federal de Juiz de Fora, nas escolas públicas de São Paulo mostrou que, no 5º ano, em matemática, voltamos ao desempenho de 11 anos atrás. Os outros dados levantados pela avaliação vão, infelizmente, na mesma direção.

Nesse sentido, ganha relevância o tema selecionado pela Unesco para o Dia Internacional da Educação de 2021: “Recuperar e revitalizar a educação para a geração da Covid-19”.

E é isso que precisamos fazer, com urgência, no Brasil, para avançar mais rapidamente e não destruir o que já logramos fazer, embora a um ritmo ainda lento demais.

*Professora. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 29/04/2021.
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