O Jornal do Comércio diariamente resgata parte de suas edições  impressas do passado. Nessa semana foi reproduzida a edição de 22 de junho de 1963.

O jornal informava que naquele dia, 24 jovens disputavam, no Rio de Janeiro, o título  de Miss Brasil 1963. O concurso era no Maracanãzinho e cada estado brasileiro torcia por sua miss.

Elizabeth Taylor se casaria com Richard Burton. Hoje em dia se sabe que o famoso casal se casaria novamente diversas vezes.  Para poder casar-se  com a bela Liz Taylor, Burton acordou em pagar a bagatela de um milhão quatrocentos e oitenta e nove mil dólares para sua ex-mulher Sybil, dizia o JC.

Outra notícia interessante era a informação da Delegacia Regional do Trabalho de que dia 24 de junho seria feriado municipal. Portanto, nos termos da Lei 605, de 1949 (infelizmente revogada há muitos anos), não funcionariam as atividades privadas. A delegacia do trabalho, que hoje se chama superintendência, ressalvava que os estabelecimentos que exploram o comércio varejista, de gêneros alimentícios, a distribuição de refrigerantes e os salões de barbeiros podiam funcionar. Somente até as 12 horas desse dia. Dia de feriado de São João.

Quanta saudade da Manaus da minha infância. Festas juninas com as meninas fazendo adivinhações. As  enormes  fogueiras, as quadrilhas e o boi bumbá. E não podia faltar  o delicioso tacacá, bolo podre, mugunzá, banana frita.

Mas voltando ao jornal daquele sábado, 22 de junho. A principal manchete era: MONTINI É O NOVO PONTÍFICE. O Cardeal Giovanni Montini se tornava o Papa Paulo VI, sucessor de João XXIII.

A morte de João XXIII havia consternado o mundo. Principalmente aos católicos mais  progressistas. João XXIII foi o papa do “aggiornamento”. Aquele que deu uma lufada de ar fresco em várias práticas católicas  bolorentas e medievais. Acabou com a obrigatoriedade da missa em Latim e permitiu que padres fossem às ruas sem batina.

Como o atual Papa Francisco, João XXIII irradiava simpatia. Promoveu o Concílio do Vaticano II renovando e transformando a Igreja Católica para novos tempos.

João XXIII era um homem de diálogo. Ficou conhecido como o Papa Bom. Convocava líderes de outras denominações cristãs para conversar, para trocar ideias. Um grande conciliador. E por isso, grande adepto do Ecumenismo. João XXIII recebendo um desses líderes, o mesmo se apresentou: “Papa, eu sou batista”. No que ele respondeu:

– E eu sou João!

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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