O Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) opera com informações de Estado e não de governos, daí nem sempre agrada algumas autoridades constituídas. O INPE divulga desde 1980 até 2019 as taxas do desmatamento amazônico, fato que comprovou quedas acentuadas no período de 2005 a 2012. A partir daí vem crescendo de acordo com imagens de sensores de satélites que alimentam o alerta de desmatamentos, inclusive direcionando as atividades de fiscalização do Ibama.

A área observada é a da Amazônia Legal, que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Imagens de satélite analisadas pelo BBC News Brasil revelam uma expansão recente nos focos de garimpo ilegal em terras indígenas da Amazônia ocorrida desde janeiro deste ano.

Importante elucidar que o diretor da instituição Ricardo Galvão foi demitido do cargo embora no exercício de um mandato de quatro anos e elucidou que constitui mera ingenuidade supor que possam os dados concretos apurados serem escondidos, porque os satélites estão todos em cima e não temos como embargar ou impedir. As informações estão disponíveis e abertas podendo ser conferida por qualquer outra instituição interessada e as imagens obtidas via satélite tem o nível de precisão na ordem de 95%.

Vale ressaltar que os cálculos ocorrem durante os períodos de seca, quando há pouca formação de chuva na região, já que as nuvens atrapalham a visibilidade dos satélites. Cumpre esclarecer que a metodologia adotada para aferir a deflorestação está sempre exposta ao debate público e a quem possa interessar o relevante tema.

Os dados são divulgados pelos órgãos de monitoramento, o INPE, em tempo real, e ficam disponíveis na internet para orientar os fiscais do Ibama. Os números verdadeiros podem desagradar, porém meras opiniões ou palpites não podem suplantar a sofisticada metodologia aplicada na avaliação das derrubadas de florestas no país.

A devastação está crescendo, os informes concretos a comprovam, sendo esta uma verdade que não merece ser ignorada ou encoberta. Os dados do INPE são conceituados e incontestáveis, sobretudo porque para a comunidade internacional o sistema de monitoramento da Amazônia presta um serviço de excelência.

Especialistas respeitáveis defendem o monitoramento e os dados do INPE, constatando-se que a melhor forma de combater o problema reside na transparência da informação. É preciso diferençar concepção pessoal de informações obtidas através de imagens de sensores de satélites que permanentemente encaminham as fiscalizações do Ibama.

Não será bom procedimento tentar-se ocultar ou encobrir a verdade dos fatos, o mais correto será providenciar medidas concretas de combate ao desmatamento como o melhor caminho a ser tomado, ao invés de sonegá-lo.

Do asfaltamento da BR-319 – O presidente Jair Bolsonaro prometeu pavimentar a rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho e que foi inaugurada em 1976, tendo ainda 406 km dos seus 900 km sem asfalto. Consta que a obra não tem licença ambiental aprovada e que ambientalistas a consideram uma ameaça à Amazônia. O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia afirma que a medida abriria uma área gigantesca para a invasão descontrolada de florestas preservadas. Todavia, para o Amazonas, acabaria com o isolamento rodoviário entre Manaus e o restante do Brasil.

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Lupercino Nogueira
Ex-membro do Ministério Público do Amazonas e da Magistratura do Estado de Roraima.

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