“José e Vivaldo se reuniram em derredor da mesma ideia. José fez a poesia e Vivaldo a música e juntos compuseram um “jingle” que fez sucesso e não mais saiu da minha memória.

No dia da República, sem que o povo esteja bestializado como estava em 1889, vamos todos às urnas eletrônicas para escolher os nossos representantes nas câmaras municipais e nas prefeituras por todo o País. Trata-se do maior, melhor e mais eficiente exercício que podemos fazer em benefício do Estado de Direito e da segurança da nossa democracia.

E costume ouvirmos que o voto é direito e é dever consagrado na Constituição da República, com larga tradição na vida brasileira, desde o tempo em que as fraudes – as mais diversas e variadas formas de fraudes e burlas à verdade – presidiam o processo, seja no período da colônia, do império ou de boa parte da fase republicana. Nos dias correntes, com toda a segurança e liberdade, com voto secreto, de valor igual para todos, eletrônico, sob controle e administração da Justiça, sujeito à fiscalização de qualquer eleitor, candidatos, partidos, coligações e do Ministério Público, com rigorosa identificação personalíssima do eleitor, temos a oportunidade de votar conforme nossas consciências, e, mais do que isso, verificar a confirmação da eleição em poucas horas após a conclusão da coleta dos votos, sem risco de fraudes.

Nesses tempos sempre me vêm à memória as lições de duas personalidades exemplares, a quais eu admirodes de os anos mais verdes da minha infância e juventude primeira: José Braga, meu irmão, idealista, escritor, metódico, texto esmerado de palavras bem medidas, poeta que se escondeu no magistrado e no professor de ato coturno; e o engenheiro agrônomo e pensador Vivaldo Barbosa, homem dedicado à boa leitura, filósofo por excelência, compositor, mas de uma simplicidade sem par e que viveu acanhado em modesta casa na Rua Ramos Ferreira cuidando das irmãs mais velhas e de outros familiares.

Certa feita, em fase antiga da política local, chamados a contribuir com importante trabalho que o governador da época desejava fazer para motivar os eleitores a comparecerem às urnas, além de outras iniciativas relevantes, José e Vivaldo se reuniram em derredor da mesma ideia. José fez a poesia e Vivaldo a música e juntos compuseram um jingle” que fez sucesso e não mais saiu da minha memória. Era o “Hino à democracia” cujos versos mantenho vivos comigo: “o voto é a garantia/a segurança da democracia/votar é um direito/votar é um dever/ é poder decidir sobre os destinos da Nação…”.

Nada mais apropriado, ao meu sentir, nesse dia especial de festa democrática, do que relembrar a mensagem desse hino fruto da sintonia fina entre duas personalidades exponenciais de nossa terra dignas de figurarem na galeria dos homens ilustres do Amazonas, sem favor.

A mensagem do “jingle” utilizado fartamente naqueles anos para motivação do eleitor, feita há cerca de 50 anos passados, permanece atualíssima, varando os anos e muitas eleições como se tivesse sido preparada agora, diante dessa realidade dura e crua provocada por uma pandemia que assusta, momento em que parece haver certa instabilidade institucional e a população padece como poucas vezes se viu ao longo de nossa história mais recente.

Ao modo do que ensina a letra do hino, e tendo tido a oportunidade de experimentar razoável vivência na política partidária, em eleições e na administração pública em diversos períodos, nada mais oportuno do que ressaltar que “o voto é a garantia/a segurança da democracia/votar é um direito/votar é um dever/ é poder decidir sobre os destinos da Nação…”, e não há nada mais importante do que isso, pois somente o voto livre e consciente é capaz de sustentar e elevar a democracia e conduzir ao bem estar social.

Vamos às urnas!

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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