Até o século passado as doenças infecciosas causavam pânico nas populações, grandes epidemias impactavam a saúde pública pelo desafio de estratégias de controle, até que a urbanização e o avanço da medicina com vacinas e campanhas de conscientização permitiram medidas eficazes de erradicação, infelizmente hoje temos um novo cenário mundial desafiador com uma doença silenciosa: a depressão.

A depressão, considerada atualmente como o “Mal do século” pela Organização Mundial da saúde (OMS), é uma doença psiquiátrica crônica, que atinge pessoas de qualquer idade de forma recorrente e afeta o indivíduo emocionalmente, apresentando sintomas de tristeza profunda, desânimo, baixo autoestima e desinteresse total pela vida podendo levar ao suicídio.

Estudos recentes da (OMS) apontam que 5% da população mundial, aproximadamente 350 milhões de pessoas sofrem com esta doença.

Apesar do número elevado de. pessoas que estão enfrentando este mal, ainda temos muitas dúvidas e preconceitos sociais que dificultam o tratamento correto. A principal causa da doença está relacionada com o desequilíbrio químico do cérebro, principalmente com a diminuição de neurotransmissores como a serotonina e noradrenalina, responsáveis pela sensação de bem-estar emocional, ou seja, é um desarranjo de impulsos nervosos entre as células, caracterizando assim uma

Os principais sintomas incluem; desânimo recorrente, alterações de humor, falta de interesse em atividades que anteriormente proporcionava prazer, sentimentos de medo, culpa, desesperança, dificuldade de concentração, raciocínio lento, desejo de morte, perda ou aumento do apetite e peso, insônia, perda da libido, pessimismo exagerado e dores e sintomas físicos não justificados por exames médicos como azia, diarreia, constipação, enxaquecas, sensação de corpo pesado, entre outros fatores que podem ocorrer de forma isolada ou somatizados.

Entre os fatores que causam a depressão temos a predisposição genética. Quem possui familiares de primeiro grau com depressão corre o risco de apresentar o problema, por isso a necessidade de informar-se sobre a doença.

Estudos recentes também já comprovam que o sexo feminino tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver a doença devido a fatores hormonais e até culturais como o aumento da jornada de trabalho e consequentemente o aumento do estresse.

Vale ressaltar que depressão é diferente de tristeza, a tristeza é um sentimento normal de luto, uma perda significativa que com o tempo é superada. Na depressão a tristeza é apenas um dos sintomas do indivíduo que inicia um estado de adoecimento com duração de mais de duas semanas que podem durar anos, na tristeza há um motivo, na depressão não. Além das alterações psicológicas, a depressão incita também a baixa do sistema imunológico gerando processos inflamatórios e infecciosos no corpo, podendo desencadear também doenças cardiovasculares.

Depressão é uma doença séria e incapacitante, portanto não hesite em buscar ajuda. O diagnóstico clínico é feito somente por médico especialista Psiquiatra e o tratamento, na maioria das vezes, é feito conjuntamente com psicólogos. Depressão não é frescura. Cuidem-se!

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Euler Ribeiro
*Amazonense de Itacoatiara. Médico, MD. PhD em Geriatria e Gerontologia. Ex-secretário de Saúde e ex-deputado federal pelo Estado do Amazonas. Fundador e atual Reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade. Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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