Após duas supergoleadas sofridas na Copa Mundial para Alemanha e Holanda, o Brasil vir a ser chamada de “anão da diplomacia internacional” não faz muita diferença. Nossa política externa desde que Lula e as “esquerdas raivosas” assumiram o poder em 2003 vem perdendo importância e prestígio em escala crescente. Muito devido a incondicionais e sem resultados práticos alinhamentos que o governo faz questão de manter com ditaduras em detrimento das nações amigas integrantes do mundo Ocidental, governado por democracias plenas.

Os afagos explícitos e às vezes subalternos dispensados por Lula/Dilma a Fidel e Raul Castro, Cristina Kirchner, a Hugo Chávez e Nicolas Maduro; ao espião e desertor Edward Snowden, refugiado em Moscou, e a Vladimir Putin, não deixam dúvida. O presidente russo desafia frontalmente o mundo ao anexar a Criméia e ao promover investidas ao Leste da Ucrânia por meio de separatistas pró-Rússia, estimulados, armados e alimentados por seu país. Sob qualquer ângulo que se examine a questão, salvo o ideológico, tais parcerias são despropositadas, além de altamente prejudiciais ao País.

O Itamarati revela explícita e indisfarçadamente o posicionamento político que o governo brasileiro prefere assumir e vem assumindo. Ou seja, o lado do radicalismo e do atraso, marcas de ditaduras abertas ou disfarçadas. E por isso vem perdendo muito com esses apoios equivocados. Os prejuízos poderão se multiplicar, pois ferem amizades e parcerias seculares, contrariam interesses de nações amigas e aviltam nossa diplomacia. Como, por exemplo, ao condenar unilateralmente Israel em favor das forças terroristas radicais do Hamas, enquanto se omite sobre as invasões promovidas pela Rússia a seus vizinhos e à derrubada do jato comercial malaio que, desgraçadamente, cruzava o espaço aéreo da região conflagrada dominada pelos separatistas russos.

O quadro brasileiro é muito diferente do chinês. O governo da China, a partir de 1972, livre do radicalismo mortífero da Revolução Cultural comandada pela Gangue dos Quatro, vem demonstrando ao mundo que, não obstante de origem comunista maoista, livrou-se das viseiras do atraso, e, com determinação, deixou para trás o mundo de fantasia da ditadura do proletariado. De uma situação política de terceira grandeza e uma economia combalida, claudicante, a China conquistou status de economia de mercado capitalista, sistema que o PT tanto abomina.

Em 30 anos, o país retirou da miséria, efetivamente, sem fantasias e jogadas de marketing, ao contrário, por meio de políticas pragmáticas e eficazes, desprovidas de ranços ideológicos ultrapassados, 400 milhões de chineses. O país hoje é a maior potência mundial logo abaixo dos Estados Unidos, enquanto o Brasil escolhe a via do atraso representado por Cuba, Rússia, Venezuela e Argentina. Deng Xiao Ping, o estadista que quebrou as amarras da miséria da China, há pouco mais de 40 anos, dizia, com sabedoria confuciana: não importa a cor do gato, desde que coma o rato. O Brasil definitivamente precisa se dar conta dessa óbvia verdade.

Ao contrário, o Brasil perde todos os confrontos no plano internacional. Recorde-se, a propósito, o episódio de triste memória protagonizado pelo ex-presidente Lula da Silva. No final de seu segundo mandato, foi ao Oriente Médio oferecer-se para negociar a paz entre Israel e a Palestina. Judeus e palestinos, espertos, passados na casca do alho desde os tempos de Adão e Eva, logo enxergaram o verdadeiro motivo de tão descabido oferecimento.

Ora, pensaram em uníssono as duas facções, se o líder brasileiro não entende nem de política latino-americana, o que pretende por essas terras tão distantes e conflagradas desde Moisés? Evidentemente, deduziram, sem muita dificuldade, o Prêmio Nobel da Paz, que também perdeu, não exatamente por esse motivo, mas por suas trôpegas investidas em direção à honraria. Há de se notar que o Brasil, pelo mesmo conjunto de motivos que o tornou inconfiável ao Ocidente, já perdera, em caráter definitivo, a chance de ocupar o sexto assento junto ao Conselho de Segurança da ONU.

Pois bem, árabes e palestinos, verificado o embuste, agradeceram os préstimos do brasileiro e o dispensaram, recomendando tomar em Tel Aviv o primeiro voo de volta ao Brasil. Que, por acaso, era de um AeroLula. Assim foram desfeitos estes e todos os demais planos de fazer ultrapassar fronteiros o “gênio político” de Lula e tornar o ex-metalúrgico cidadão do mundo.

Esta semana, mais uma vez intrometendo-se no que não lhe diz respeito, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse que o governo brasileiro considera a “escalada de violência entre Israel e Palestina” como inaceitável. O Itamarati condenou o que considerou uso desproporcionado da força por parte de Israel na Faixa de Gaza. Atitude que não adotou no caso da Rússia em relação à Crimeia, Ucrânia e ao avião comercial da Malásia.

Nesse meio tempo, chineses, japoneses, indianos, coreanos do Sul, etc., estão calados, quietos em seus lugares A briga não é deles. É do Brasil? Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores de Israel imediatamente reagiu ao ato brasileiro, afirmando ser esta “uma demonstração lamentável porque o Brasil continua a ser “um anão diplomático”, de presença irrelevante no mundo, não obstante um gigante econômico e cultural”.

O brasileiro não torce por Israel contra Palestina e vice versa. Ao contrário, sonha por uma convivência harmônica e amigável entre os dois povos, amigos históricos do Brasil. Como ocorre aqui em nosso País, onde judeus e árabes convivem pacificamente desde que aqui aportaram.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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