Costumo dizer que o indivíduo que vive na dependência do outro, está infelizmente, fadado a sofrer sérias conseqüências emocionais por conta dos desatinos que é capaz de fazer e de receber, chegando muitas das vezes a anular-se de tudo e de todos em prol do outro e a sofrer inúmeros danos sem importar-se com o que acontece.

A dependência emocional origina-se quando a pessoa “X” perde o discernimento de agir, pensar, falar e viver sem que esta pessoa não esteja sob o comando das decisões e diretrizes da pessoa “Y”. É como se a pessoa “X” precisasse de muletas para andar, os olhos dos outros para enxergar, a outra voz para falar e outros ouvidos para escutar. Enfim, a dependência emocional anula todo e qualquer direito de ser e de se sentir um ser livre e independente.
O dependente emocional é um viciado em ser comandado e dirigido, é um sentenciado em seu próprio juízo a ser uma anulação como um ser humano vivo, pensante e racional. Porém, amar e ser amado é o que todos almejam desde dos primórdios. O amor, a paixão, podem carregar camufladamente uma neurose de adição, ou dependência emocional ou do outro.

A dependência faz parte da constituição do ser humano. Nos primeiros meses de vida, o bebê é totalmente dependente da mãe, para em seguida experimentar alguma frustração na sua relação com esta mãe e assim começar a experimentar uma dependência relativa rumo a uma independência. Não existe independência total, mas, o ser humano vive em busca de uma autonomia que nunca conquistará.

O ser humano é um ser social e por isso diferentemente dos animais, o seu filhote precisa da proteção de outro ser adulto para sobreviver. Ele é vulnerável fisicamente, mas também psicologicamente, e por isso, ele tem seu desenvolvimento psicoemocional fortemente influenciado pelas experiências de vida, principalmente na primeira infância. E é nesta fase que se origina uma falha na relação mãe-bebê e pode influenciar na constituição de um adulto neurótico, daí a importância de se criar um vinculo satisfatório entre mãe-bebê na fase da amamentação.

O problema da dependência é complexo. O ser humano vive uma autonomia ilusória, ou seja, todos nós temos a ilusão de sermos independentes, mas, somos social e culturalmente constituídos num grupo, como que uma teia de investimentos afetivos da qual somos incontestavelmente influenciados em nossa vida, tanto consciente como inconscientemente.
A neurose de adição, ou seja, a dependência seja de álcool, de jogos, de comida, sexo e muitas outras, inclusive a dependência do outro, traz uma necessidade de preencher algo dentro de si. Uma falta de algo que a pessoa pode sentir como depressão, sentimento de tristeza, melancolia, medo, ansiedade, fobia, autoestima baixa, falta de amor próprio e tem a ver com experiências que tenham sido emocionalmente fortes e que por isso, tenha determinado uma função dinâmica de seu aparelho psíquico seguindo certas necessidades de defesas e compensações pessoais.

Certos comportamentos como: obsessão no amor, necessidade de se reportar a outra pessoa, ou seja, não tomar iniciativas senão com anuência de outra pessoa, geralmente a mesma tende a deixar que o outro a humilhe e vive sendo mandada por alguém, caracterizando-se total submissão e dependência emocional. A triste realidade é o que constatamos na maioria dos casos que é uma leva de pessoas sofrendo e amargurando-se em relacionamentos altamente destrutivos e como eles mesmos expressam: “é mais forte do que eu, não consigo dominar, não consigo me libertar, amo mais do que tudo o outro”. Mas, aí vem a pergunta que não quer calar: Será que realmente é amor? Quem ama cuida, não maltrata e nem anula o outro e acima de tudo deixa o outro livre, não o sufoca com meias verdades de um pseudo sentimento que na verdade sequer existe.

É preciso ficar bem atento quando desde os primeiros dias de namoro, o outro tenta minar suas vontades, seu jeito de ser, suas amizades, proíbe suas saídas, o isola dos seus familiares. Lembre-se que conhecemos os futuros maridos e esposas desde o primeiro dia de convivência e se cedermos as primeiras investidas com a mera desculpa de que o outro só está querendo ser cuidadoso, sabe quantas vezes você terá forças para se libertar? Acredito que bem remotamente só quando tiver consciência que o outro acabou com sua vontade própria, com seu amor próprio, com seu autorespeito e com a sua vontade de viver conforme sua verdadeira essência. Cuidado para não ser tarde demais, na maioria dos casos essa dependência emocional acaba com vidas sendo ceifadas.

Se você se identifica com estes sintomas, ou conhece alguém assim, é importante entender que a dependência é uma doença e que tem cura, basta que você tome esta iniciativa a favor de si mesmo.

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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