Teóricos das ciências humanas, fazendo um paralelismo com a teoria da evolução biológica de Charles Darwin, criaram um darwinismo social inferindo que os agrupamentos humanos também estão sujeitos a estágios evolutivos caminhando para o sucesso ou a extinção. Tanto na esfera biológica como social, a evolução ou involução depende da capacidade adaptativa da espécie ou da sociedade que precisam aprender a viver em novos cenários ecológicos e históricos. Tenho refletido sobre essa questão com meu foco voltado para as centenas de tribos indígenas que habitavam o Amazonas e que foram extintas ou dizimadas por não aceitarem ou não se adaptarem ao cenário imposto pelo modelo europeu-cristão.

A SOCIEDADE MANAUARA
Minhas observações simples (mas não simplórias) da quase totalidade da população manauara (que mora) e de parte da população manauense (origem) revelam que a cidade não possui características culturais de adaptação à um mundo moderno e civilizado. Faltam, aqui, aqueles princípios elementares da educação familiar, da educação formal, informal e não formal e não há respeito pelo cenário ambiental nem social. Nas espécies animais que vivem em grupo, a transmissão de ensinamentos começa logo depois do nascimento (educação familiar) se estende para os jovens que, pela observação ou pelo castigo, recebem educação informal e não formal tudo comandado por uma liderança competente que orienta seus liderados para a adaptação aos valores da natureza e para o sucesso evolutivo. Evidentemente os animais não sabem e mas atuam enquanto o homem sabe mas não atua no sentido de mostrar para as gerações subsequentes, que é preciso cultivar uma ética social e ambiental.

EM PRISCAS ERAS
Não sou saudosista porém entendo que povo sem história é povo sem futuro e por isso resgato sempre um tempo passado em que a sociedade de consumo não abandonava as raízes e as amazonidades que vão sendo esquecidas pela implantação de um Brasil Canalha.

A CIDADE E SUA POPULAÇÃO
Manaus hoje é uma Cidade de Mentira, habitada por um povo sem identidade e liderada por dirigentes que nos tratam como sociedade anônima tomando decisões em assembleias formadas por um número pequeno de participantes (parlamentos) e em gabinetes onde predomina a Lei de Gerson. Um diagnóstico recente (2010) da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (www.firjan.org.br) revelou que Manaus é a pior capital brasileira para se viver tendo em conta o Índice de Desenvolvimento Municipal (1.610º lugar no “ranking” nacional). Construiu-se aqui, uma sociedade do efêmero, da frivolidade, do consumismo sem responsabilidade com o futuro, porque não existe educação formal, informal e não formal para mostrar que o limite do crescimento econômico é o estoque dos recursos naturais, a termodinâmica e o meio ambiente. Para adquirir principalmente bens posicionais, a população de Manaus entre janeiro e setembro de 2013, tomou empréstimos de R$ 1,1 bilhão ajudando as estatísticas que apontam um endividamento de 63,2% das famílias brasileiras. Essa dívida, evidentemente, nunca vai ser paga integralmente, tanto porque vai faltar dinheiro como pelo fato de os bens adquiridos terem a qualidade chinesa (!?) e terem uma validade muito muito mais curta do que o prazo para pagamento do empréstimo. Duvido que alguém se sentirá obrigado a pagar por algo que já não mais possui. Manaus, junto com o Brasil se deteriora socialmente como mostra o índice PNAE (População Não Economicamente Ativa) que em outubro totalizou 18,434 milhões de pessoas que não procuraram emprego e/ou não querem trabalhar. Com isto os que trabalham enchem os cofres do governo que será roubado por “outlaws” bem vestidos e outra parte para pagar bolsas assistencialistas que promovem a preguiça e o debacle social.

Não tenho conhecimento suficiente para analisar o darwinismo social, mas penso que se for criado um darwinismo urbano, Manaus e todos nós, com e sem culpa, vamos ser colocados em uma escala descendente e no futuro historiadores percorrerão a região para procurar, no fundo do vale afogado do rio Negro (ria lake), vestígios de um povo e de uma a cidade extinta. O crescimento do PIB (tem o preço de tudo, mas não tem o valor de nada), é um engodo usado pela classe política (no mau sentido) para iludir pessoas sem cultura e sem saberes. Os custos marginais do PIB (social, ambiental, etc.), não têm uma coluna na contabilidade do PIB.

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Ozório Fonseca
Biólogo, Mestre em Ecologia, Doutor em Ecologia e Recursos Naturais. Professor Visitante na UFRGS (1983-1995). Diretor do INPA (1995-1999), Professor da UFAM e da UEA. Membro Honorário da Academia Amazonense de Medicina; Membro Titular da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Filho do ex-prefeito de Itacoatiara Osório Alves da Fonseca (1889-1960) e da professora Francisca de Menezes Fonseca (1906-1988). Nascido em Manaus, porém criado em Itacoatiara. É o nosso querido mestre do Principado de Itacoatiara (título que conferiu à nossa cidade).

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