*Valdemar Cavalcanti

“Elson Farias nasceu em Roseiral, propriedade de seu pai no município de Itacoatiara, Amazonas, no dia 11 de junho de 1936. Passou a infância no local de seu nascimento e em várias cidades e vilas amazonenses por onde seu pai andou nos trabalhos de co­mércio e financiamento de extratores de produtos regionais, como Itacoatiara, Urucará, São Sebastião do Uatumã e Parintins. Estu­dou nas escolas públicas dessas cidades e vilas, até o primeiro ano do curso de formação de professores, feito no antigo Instituto de Educação do Amazonas, já em Manaus, para onde se mudou aos 18 anos e onde reside até hoje. (…) Tem dedicado sua atenção a duas atividades essenciais: a lite­ratura e o serviço público.

Ao chegar a Manaus, integrou-se ao movimento de renovação das letras conhecido como Clube da Madrugada. Ingressou mais tarde na Academia Amazonense de Letras, no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, e no Clube de Poesia e Crítica de Brasília. Com alguns companheiros fundou em Manaus a União Bra­sileira de Escritores do Amazonas, tendo sido seu primeiro presi­dente. Foi diretor do Departamento de Cultura, transformado em Fundação Cultural do Amazonas, da qual foi o primeiro superin­tendente; exerceu, ainda, em diferentes oportunidades, as funções de secretário de Estado da Educação e Cultura e da Comunicação Social. Ocupa agora o cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Amazonas (…).

Por indicação da Associação Brasileira de Municípios (ABM) e a convite da Secretaria de Estado do Interior de Berlim, participou naquela cidade de um seminário sobre “objetivos e tarefas das ad­ministrações municipais no domínio da proteção ambiental”, promovido pela Fundação Alemã para o Desenvolvimento Interna­cional, no período de 11 a 31 de maio de 1986. Aproveitou para alongar caminho durante mais dois meses, em companhia de sua mulher e filhos, a Portugal, Espanha, Itália e França, ficando alguns dias em Lisboa, Madri, Roma e Paris, mas passando a maior parte do tempo pelo interior desses países, observando a vi­da e os costumes, e as festas populares das gentes de cidades, vi­las e aldeias. Considera essa viagem um verdadeiro curso sobre as origens de nossa cultura.

Possui poemas musicados por Guerra Peixe e pelos composito­res amazonenses, maestro Nivaldo Santiago, Aldísio Filgueiras e Pedro Amorim.

Sua poesia tem merecido estudos de diversos especialistas, sen­do em mais larga escala examinada nos livros O poeta e a forma exata, de 1972, de João Mendonça de Souza, e Uma poética das águas, resultado de tese intitulada A imagem do rio na poesia amazonense contemporânea, defendida pela professora Socorro Santiago, em 1982, na Universidade Católica de Curitiba”.

Principais obras do autor

Barro verde. Manaus, União dos Estudantes do Amazonas, 1961; Estações da várzea. Manaus, Ed. Sérgio Cardoso, 1963; Três episódios do rio. Manaus, Ed. Sérgio Cardoso, 1965; Ciclo das águas. Ma­naus, Govemo do Estado do Amazonas, 1966; Dez canções primitivas. Manaus, ed. do au­tor, 1968; Um romanceiro da criação. São Paulo, Monumento, 1969; Do amor e da fábula. Rio de Janeiro, Ar­tenova, 1970; Imagem. Rio de Janeiro, Conquista/Academia Amazonense de Letras,1976; Roteiro lírico de Manaus em 1900. Ma­naus, Governo do Estado do Amazonas,1977; Made in Amazonas. Manaus, Puxinun,1978; Palavra Natural. Brasília, Clube de Poesia e Crítica, 1980; Romanceiro. Manaus, Puxirum, 1985; Balada de Mira-anhanga. Manaus, 1993, A destruição adiada, Manaus, 2002; Memórias Literárias.  Manaus, Valer, 2005.

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“O Amazonas tem um poeta chamado Elson Farias (…). Um poeta de expressão rica, mas densa, senhor de seu artesanato, incapaz de gastar palavras só pelo gosto de mostrar-se sensível e muito menos eloquente (a ponto de escrever um poema como um só e belo verso: “A macia serenidade do rio após a chuva”. Valdemar Cavalcanti (Jornal Literário, em O Jornal, do Rio de Janeiro).

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“Poemas de concisão e bom rendimento da palavra, sobretudo quando não descritivos; alguns exemplos interes­santes de sinestesia (“a chuva encharca o seu cheiro”; “O mesmo sabor das cascas de castanha/tem o som deste sol/carícia e folhas”) sonetilhos musicais e três sonetos-beleza (os últimos). Nesta poesia ora de imagens verde seiva ora canções agrestes, perpassam Evas lúcidas e claros tons cânticos” Stella Leonardos, sobre “Estações da Várzea, em Jornal de Letras, do Rio de Janeiro.

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“Através de sua contribuição (…) é que traremos para dentro de nós o conhecimento sensível do mundo em que se faz a nossa gente e o nosso tempo, do mundo em que somos, definindo-nos a todos, sem exceção, em nosso grau essencial de sermos homens, qualidade humana, Humani­dade”. Moacyr Felix.

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 (…) Os seus ro­mances mostram realmente a vida do homem da Amazônia, sempre às voltas, sempre lutando com as águas dos seus imensos rios, mas sempre vencendo as intempéries das águas e da vida. Parabéns muitos e muitos pelos seus belos romances das águas. Plínio Doyle.

*Jornalista e Crítico Literário. Outros autores: Stella Leonardos, Moacyr Felix, Plínio Doyle.  Matéria extraída do Jornal Literário, em O Jornal do Rio de Janeiro.
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