Claudio de Moura Castro
*Claudio Bernardes

Segundo dados do Banco Mundial, as exportações globais de bens criativos cresceram, somente entre 2002 e 2015, aproximadamente US$ 300 bilhões.

Cultura e criatividade são recursos extremamente poderosos para alavancar sustentabilidade e inclusão social nas áreas urbanas. Alimentam a economia criativa, um dos setores de crescimento mais rápidos da economia mundial no que diz respeito a geração de renda, criação de empregos e receitas de exportação.

Segundo dados do Banco Mundial, as exportações globais de bens criativos cresceram, somente entre 2002 e 2015, aproximadamente US$ 300 bilhões. De acordo com as previsões, devem representar quase 10% do PIB global nos próximos anos.

Contudo, o impacto transformador da indústria da cultura e criatividade (ICC) não será totalmente realizado sem políticas desenvolvidas localmente, complementadas por parcerias em todos os níveis de governo, incluindo o setor privado, a sociedade civil e as comunidades locais.

Vila Itororó, no centro de SP, ganha iluminação especial e abre ao público pela primeira vez

A piscina da Vila Itororó, no centro de São Paulo, será usada para cinema e apresentações Adriano Vizoni/Folhapress

Nova iluminação da Vila Itororó, na região central de São Paulo, que será aberta ao público Adriano Vizoni/Folhapress

Vista aérea da Vila Itororó, na região central de São Paulo, que ganhou nova iluminação para abertura ao público Adriano Vizoni/Folhapress

A cultura e a criatividade têm um potencial inexplorado para proporcionar benefícios sociais, econômicos e espaciais para as cidades e comunidades. Por meio de sua contribuição para a regeneração urbana e o desenvolvimento urbano sustentável, as indústrias culturais e criativas tornam as cidades lugares mais atraentes para as pessoas viverem e para o desenvolvimento das atividades econômicas. A cultura e a criatividade também contribuem para a coesão social ao nível da vizinhança, permitem que redes criativas formem e promovam a inovação e o crescimento, além de criar oportunidades para aqueles que são frequentemente excluídos social e economicamente.

Recente publicação do Banco Mundial, em associação com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), explora a relação intrínseca da cultura e da criatividade com as cidades, e os aspectos facilitadores para obtenção de benefícios econômicos, espaciais e sociais no ambiente urbano. Fornece, também, princípios orientadores para apoiar as cidades a desbloquear o poder dessas indústrias, orientando-as para o desenvolvimento urbano sustentável, a competitividade da cidade e a inclusão social.

Cidades que buscam aumentar a resiliência da sua ICC no curto prazo, e seu impacto na competitividade da cidade a longo prazo, devem mapear seus recursos culturais e criativos, identificando e medindo tamanho, atores, alcance dessas atividades e principais restrições ao crescimento e à mudança estrutural dessa indústria. Existem outros aspectos que devem ser considerados, como ausência de espaços acessíveis para produção e sua capacidade de gerar repercussões espaciais positivas e benefícios sociais.

Centro Cultural São Paulo mistura ritmos e pessoas

Os b-boys dançam breaking desde 2008 no Centro Cultural São Paulo Karime Xavier/Folhapress

Jovens ensaiam k-pop, gênero sul-coreano cujo mais popular representante é a banda BTS Karime Xavier/Folhapress

Aula de ioga leva dezenas de pessoas ao jardim suspenso do CCSP todas as quinta-feiras às 16h Karime Xavier/Folhapress

É fundamental reconhecer como a configuração do espaço urbano e público influenciam a evolução da ICC. Desenvolvimento urbano, gestão e governança podem ser ferramentas poderosas para promover diferentes aspectos da criatividade. Investir em espaços públicos, facilitando a reutilização adaptativa de suas estruturas, tem o potencial de permitir o estímulo e o florescimento de atividades criativas.

Bairros da cidade com espaços abertos e edifícios desocupados com preços deprimidos podem ser boas oportunidades para a transformação urbana, objetivando centros criativos, espaços inovadores e centros culturais.

Remodelagem de espaços urbanos para permitir a implantação da ICC pode desbloquear oportunidades para outros setores da economia, embora exista o risco de gentrificação. Esse efeito, entretanto, pode representar um custo-benefício positivo para a cidade, desde que se implantem políticas que permitam manter um estoque de espaços produtivos para artistas, com aluguéis acessíveis. A indústria criativa precisa de espaços com bons preços e adaptáveis, tanto para o trabalho como para a moradia.

As necessidades de cada cidade efetivamente sofrem variações. Mas cada uma deve encontrar, para suas características específicas, as intervenções e reformas necessárias para criar um ambiente amigável ao desenvolvimento dessa indústria, além de aproveitar seus efeitos positivos para produzir um desenvolvimento urbano sustentável e inclusivo.

*Engenheiro Civil. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 17/09/2021.
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