Sempre fomos fascinados pela imortalidade, estamos sempre em busca de conhecimento para tornar possível a nossa longevidade e apesar de termos dobrado a nossa expectativa de vida nestes últimos cem anos, graças à evolução da medicina e as práticas de higiene e saneamento básico, ainda não, aceitamos em definitivo a nossa morte.

Parece coisa de cinema, mas nos Estados Unidos da América e na Rússia podemos nos deparar com serviços de criogenia, uma técnica de preservação de cadáver em temperaturas extremamente baixas para uma possível esperança de ressuscitação no futuro. Em nossa legislação brasileira não há previsão deste método na medicina, mas não há impedimento para realizá-lo fora do país. Este método ainda é motivo de contestação entre profissionais e cientistas, pois não há evidência em que a substância anticongelante proteja todos os órgãos do efeito nocivo do congelamento.

Além, da técnica possuir um valor dispendioso beneficiando poucos, ainda há campos desconhecidos neste processo de congelamento como a perda dos neurônios e o complexo sistema cerebral. O primeiro caso de criogenia de que se tem notícia é o de James Bedford.

Professor de Psicologia da Universidade da Califórnia, vindo a falecer em 12 de janeiro de 1967, aos 73 anos, vítima de câncer nos rins, dispondo seu corpo congelado até hoje.

Curiosamente ouvimos lendas como o congelamento de Walt Disney e outras personalidades importantes.

O método de congelamento já é utilizado com sucesso nas técnicas de reprodução humana com congelamento de embriões e preservação de células-troncos para tratamentos de doenças, porém para preservação de cadáveres ainda é um assunto controverso na comunidade médica, pois ainda não é permitido o descongelamento e nem é possível a recuperação de células mortas.

Outros debates são postos em discussão como as questões éticas e até mesmo jurídicas com a incerteza da preservação indefinida do corpo com ou sem autorização do defunto.

Destaco também a posição da espiritualidade e religião, na busca frenética da imortalidade, deixamos de viver naturalmente o curso do rio, somos egoístas a ponto de não pensarmos nas gerações vindouras que terão o seu papel modificador da sociedade, assim como tivemos o nosso.

Esperamos que a ciência continue surpreendendo nas novidades da longevidade, porém precisamos viver mais com qualidade e que nós possamos fazer o milagre da boa vida, sem matar, nossa própria existência, respeitando a si e o meio ambiente. Quem viver verá!

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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