Por que, Aedes Egypti, o canto de voces faz medo e pode até matar?

— Eu canto para despertar o mundo
Que está acabando com o meu habitat
Como não tenho mais a mata, como o verde desapareceu,
Eu invadi o mundo.

Sou fruto da modernidade. Tomei nomes diversos :
Dengue, aedes egypti, zika, cinkungunya
Sou uma nova Babel, sou internacional.

Falo grego e latim, o inglês e o francês,  idioma africano e do Egito
Causo até uma síndrome, associada ao Zika:
….. É o Guillain-Barré, doença neurológica…

Os cientistas estão enlouquecidos,
de olhos nas provetas,  buscando debelar-me.

– E se eu me proteger ?

–  Não basta o mosquiteiro e nem basta jogar inseticidas. Ataco dia e noite.
Meu canto é uma risada…  ah, ah, ah…..!
Sou um “flagelo de Deus”, um Átila  volante, que assusta milhões…
Escondo-me na água do papelão dos moradores de rua.
Gosto do lixo farto . E com as asas possantes, voo às piscinas dos arranha-ceus
E vou nadar nos casarões abandonados…
E ferro, e mordo, incomodo e chupo o sangue
E atordoo os humanos.

Sou uma nova praga— nova praga do Egito

– Mas não tens compaixão das criancinhas, de suas mães, de seus pais ?

– Sim. Não queria causar a microcefalia, mas é preciso alertar !!

– Mas o LAUDATO SI , Aedes Egypti , onde ficou ?

– Eu deixo para o mundo descobrir, e o mundo despertar !…

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Marília Menezes
Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

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