claudio bernardes
*Claudio Bernardes

Comportamento das pessoas durante prática pode ser avaliado por aplicativos, sensores e dados de celulares.

Quando se fala em mobilidade, pouca ou nenhuma atenção é dada à apropriação dos espaços públicos para que as pessoas possam caminhar com facilidade e comodidade. Essa característica é definida na língua inglesa pelo termo walkability, que podemos traduzir como “caminhabilidade”.

Essa falta de atenção ao caminhar como modo de transporte tem como consequência a escassez de dados estatísticos sobre o desenvolvimento desse processo e, portanto, da dificuldade em compreender a sua importância e seus potenciais efeitos positivos no modelo de mobilidade de uma cidade.

A caminhabilidade, numa conceituação mais ampla, deve incluir fatores quantitativos relacionados à infraestrutura de forma geral, e fatores qualitativos relacionados à percepção de segurança, sensibilidade estética, bem-estar etc.

Contudo, todos os aspectos relacionados a esses fatores não têm sido mensurados e tratados estatisticamente, de forma a permitir a utilização dos resultados para compreender melhor a caminhabilidade e estruturar as melhorias necessárias para otimizá-la como modo de transporte eficiente, seguro e confortável. Por essa razão, pesquisadores liderados por Linda Dorrzapf, do Instituto de Planejamento Espacial da TechnischeUniversität, em Viena, na Áustria, procuraram desenvolver um modelo que pudesse avaliar de forma científica e estatística a caminhabilidade.

Para os cientistas, a abordagem para avaliar indiretamente o caminhar pode ser efetuada por meio da observação sistemática do comportamento das pessoas no espaço urbano, usando dados de celulares, sensores, aplicativos e câmeras permanentemente instaladas.

Numa primeira etapa, os pesquisadores propõem que sejam avaliadas as percepções e as emoções por meio de biossensores: pulseiras ou cintas toráxicas que medem dados fisiológicos em tempo real, como atividade eletrodérmica, temperatura da pele e batimento cardíaco. A fusão desses resultados, por meio de modelagens adequadas, pode trazer informações relacionadas às emoções experimentadas ao longo do percurso.

Como uma segunda etapa, preconizam a utilização de um aplicativo para celulares desenvolvido em conjunto por psicólogos e planejadores urbanos, que permite ao usuário inserir suas percepções subjetivas com respeito ao meio ambiente.

Dessa forma, os dados medidos pelos sensores e as informações inseridas no aplicativo são relacionadas umas com as outras, permitindo a identificação das reações psicológicas humanas no ambiente físico. A obtenção de resultados confiáveis sobre as reações humanas no contexto urbano permitirá o desenvolvimento de algoritmos apropriados para sua validação em ambientes fora do estudo experimental. Com isso, será possível uma avaliação mais precisa das reações psicológicas dos pedestres como indicador de caminhabilidade.

A abordagem sugerida pelos pesquisadores promove a avaliação da capacidade e da sensação de caminhar com uma compreensão mais holística, e pode ajudar a melhorar as condições dos pedestres e a qualidade de vida nas áreas urbanas. Portanto, é vital poder coletar dados abrangentes e de alta qualidade, como base para uma avaliação precisa das características e dos atributos da caminhada.

Espanhóis saem às ruas pela 1ª vez para se exercitar após 49 dias de confinamento

Pessoas se exercitam na praia de Zurriola, em San Sebastián, no País Basco, neste sábado (2); Espanha libera atividades físicas ao ar livre pela primeira vez desde o início do lockdown no país, um dos mais afetados pelo coronavírus Vincent West/Reuters

Homem malha na praia da Barceloneta, em Barcelona, neste sábado (2); Espanha libera atividades físicas ao ar livre pela primeira vez desde o início do lockdown no país, um dos mais afetados pelo coronavírusNacho Doce/Reuters

Mulher passeia com idoso em cadeira de rodas na praia de La Concha, em San Sebastián, no País Basco, neste sábado (2); Espanha libera atividades físicas ao ar livre pela primeira vez desde o início do lockdown no país, um dos mais afetados pelo coronavírusAnderGillenea/AFP

Espanhóis se exercitam em praia valenciana neste sábado (2); governo libera exercício físico ao ar livre durante períodos específicos do dia pela primeira vez desde o início do lockdown no país, um dos mais afetados pelo coronavírus Jose Jordan/AFP

Determinar parâmetros e coletar dados para a detecção de emoções é um desafio relevante para os estudos. Por outro lado, questões relacionadas à privacidade devem ser levadas em consideração ao se estruturar um programa de pesquisa.

De qualquer maneira, a abordagem fundada nas sensações e reações psicológicas dos pedestres aos espaços urbanos, tratada de forma científica e estatística, deve contribuir em muito para que se assegure a caminhabilidade nas cidades, beneficiando de maneira significativa os sistemas de mobilidade.

*Engenheiro Civil. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 04/05/2020.
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