“O Comendador José Azevedo comentava que o aumento do interesse da população pelo rádio, as barreiras para com o público foram sendo removidas até chegar aos programas de auditório, que permitiam uma maior aproximação entre a população e seus ídolos”.

Vivia-se o Estado Novo da era Vargas apesar das dificuldades com as relações democráticas e da intervenção crescente do Governo Federal em vários setores da Sociedade Brasileira. Por intermédio da instrumentalização dos meios de comunicação de massa em operação no país, o Governo Federal motivou indiretamente a diversificação, não só da programação das estações de rádio, como também, das atividades jornalísticas colocada em prática na época. Não obstante, as emissoras de rádio funcionarem e a constante solicitação de espaços para a propaganda do próprio governo, foi surgindo nos bastidores da radiofonia toda uma geração de artistas, cujo, talento acabou por modificar-se graças a uma programação que, por sua vez, consolidou as relações do rádio com seu público.

Mário Lago, Lima Abreu, José Azevedo, Josaphat Pires, José Renato, Jerusalém Santos, Bia e Sebastião. (Foto:Acervo Abrahim Baze)

Segundo o Comendador José Azevedo comentava que o aumento do interesse da população pelo rádio, as barreiras para com o público foram sendo removidas até chegar aos programas de auditório, que permitiam uma maior aproximação entre a população e seus ídolos, o que criava verdadeira atmosfera de satisfação e de delírio. Ainda afirmava o Comendador José Azevedo que tudo isso possibilitou a apresentação de orquestras e cantores populares e, quando em vez até artistas estrangeiros. Curiosamente, a partir daí, as rádios passaram a fomentar de maneira muito peculiar, o desenvolvimento e a diversificação da atividade artística.

Sua estratégia cultural abriu espaço no rádio para talentos principalmente das camadas mais simples do teatro de comédia e revista. Passamos a viver esses momentos com os próprios programas radiofônicos, popularizando-os a tal ponto que na época o rádio virou moda, expressou hábitos, costumes e valores urbanos.

Os estudiosos da história do rádio afirmam que essa época foi chamada de “A era de ouro do rádio brasileiro” na qual as atrações das emissoras começaram a abrir espaço para o rádio teatro comenta José Azevedo, recitais que passavam pelo humor, paródias, consultórios sentimental, rádio novelas, programas de auditório, música erudita e popular, além de aquecer o mercado, mediante o emprego de jingles, slogans, etc.

No Amazonas, José Azevedo foi sem dúvida, o protagonista do teatro e do rádio teatro na Rádio Baré, dando uma contribuição singular e preciosa à história da dramaturgia, da radiodifusão em nosso estado.

Manaus 1950. (Foto:Acervo Abrahim Baze)

Ele conseguiu contextualizá-lo no próprio processo histórico da rádio dramaturgia. O rádio no Amazonas, em especial a rádio Baré, marcou sua vida e de tantos outros, o que torna de certa forma, impressionante a narrativa lúcida feita por ele a época com extrema riqueza de informações e a precisão de pôr menores, fazer reviver através de instantes ou mesmo fragmentos da vida dos seus personagens, faz-nos chegar a conclusão de que essa história a muito aguardada para ser contada, pois, o seu passado foi o seu eterno companheiro de boas memórias. Ele citou alguns nomes que marcaram época juntamente com ele: Josafá Pires, Jaime Rebelo, Gerusa Santos, Clodoaldo Guerra, Alfredo Fernandes, Joaquim Marinho, Maria do Céu, Roberto Dias, Raimunda Vieira da Silva e tantos outros.

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Abrahim Baze
*Amazonense de Manaus. Graduado em História pelo Centro Universitário do Norte e pós-graduado em Ensino à Distância pelo Centro Universitário UNISEB-COC, de Ribeirão Preto/SP. Recebeu o título de Notório Saber em História, pelo CIESA, de Manaus/AM. Fundador e organizador dos museus da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, Luso Sporting Clube, Rede Amazônica, Memorial e Biblioteca Senador Bernardo Cabral, Centro Cultural Luso Brasileiro do Amazonas, Centro Universitário Luterano de Manaus, Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos e do Atlético Rio Negro Clube. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica e apresentador dos Programas de TV: Literatura em Foco e Documentos da Amazônia. Autor de mais de 65 títulos sobra História da Amazônia. Membro da Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Academia de História do Amazonas, Academia de Medicina do Amazonas, Academia Maçônica de Letras do Amazonas, Associação Nacional de Escritores (Brasília), Associação dos Escritores do Amazonas e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas.

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