Desde os tempos de Caim e Abel, é que vivenciamos situações de ciúmes extremos, exacerbados e não é muito diferente no caso dos casais, entre irmãos, amigos e etc. Muitos dizem que o ciúme é uma espécie de tempero da relação, nos faz sentir mais desejados, porém, o excesso pode destruir uma relação.

Esse sentimento exacerbado já foi razão para verdadeiras tragédias, que resultaram e ainda resultam em mulheres assassinadas diariamente com resquícios de crueldades. Esse tipo de ocorrência é extremo, mas sabemos que muitas vezes o ciúme pode sim incomodar e lidar com ele não é uma tarefa simples. O primeiro passo é entender se o seu parceiro é um ciumento patológico (sim, pasmem, ciúmes pode ser uma doença!).

O limite aceitável do ciúme é não desconfiar ou impedir o que a outra pessoa quer fazer, o ciúme está associado à insegurança, de forma que pessoas com a autoestima mais elevada não deixam que o sentimento se torne via de regra do relacionamento, de forma que o parceiro tenta controlar a vida do outro. Portanto, a partir do momento em que há essa tentativa de controle, o ciúme já passou do limite aceitável.

O ciúme exagerado se manifesta nessa tentativa de controlar o parceiro, impedindo o uso de determinadas roupas, frequentar certos lugares, conversar com outras pessoas. Há também a fantasia de que o outro fez coisas que de verdade não aconteceram. Por exemplo, investigar o e-mail ou as ligações feitas e recebidas no celular, encontrar um nome desconhecido e achar que o outro está traindo ele com aquela pessoa.

É comum a desconfiança em relacionamentos, mas a alta ocorrência não a torna saudável. Assim, não é aconselhável a convivência desse sentimento com o amor. Se há desconfiança, há algo errado, seja nas atitudes concretas do outro, seja no sentimento de que se pode perder o outro a qualquer momento.

Em casos mais brandos, reafirmamos a importância do trabalho com a autoestima. Se o ciúme for menos intenso, a mulher sempre pode reafirmar seu afeto por ele, dizendo e demonstrando o que sente por ele e mostrando através de sua postura que é confiável e que esse relacionamento é importante.

No caso de um ciumento patológico há poucas coisas que se possa fazer para que ele fique menos ciumento. Quem precisa fazer alguma mudança é ele, através de um tratamento ou do reconhecimento de que ele está passando dos limites.

Mas nem pense em ceder aos caprichos do ciumento. É importante ficar alerta que depois de uma exigência, sempre haverá outra. Além disso, dará a ele a idéia de que tem o poder de controlar suas atitudes e sua vida o que a longo prazo, pode gerar um isolamento da mulher e dependência do homem, o que tornará mais difícil sair da relação quando ela já não quiser ser mais controlada.

E contrariando os que dizem que o ciúme é o tempero para o relacionamento, digo com toda convicção que não é, porque na verdade o que tempera a relação é o zelo. E zelo não é ciúme, é ter cuidado com o outro, querer o bem. Se o parceiro recebe uma bolsa para estudar na Europa, por exemplo, eu posso ficar triste, mas apóio porque é para o engrandecimento do outro. Já o ciúme é egoísta. O outro ir para a Europa é ruim para mim, quero saber o que posso perder com isso. Portanto, caso você não consiga controlar esse terrível sentimento que muitas das vezes pode te levar a loucura, busque ajuda e caminhe confiante em você mesmo. Só assim você se libertará e dará condições de liberdade para seu companheiro (a).

Aqui vão algumas dicas de como controlar o ciúme: 1- Evite os pensamentos destrutivos, substitua-os por outros que tragam segurança e confiança em si mesmo; 2- Esforce-se para ser positivo e saiba diferenciar os fatos reais dos que são fruto da sua imaginação; 3- Fixe-se nos fatos para ver se realmente há um conflito que você precisa solucionar; 4- Confie no seu parceiro (a) e controle o ímpeto de interrogá-lo (a) sobre onde e com quem está a cada cinco minutos; 5- Quando você sentir esse impulso, pense imediatamente em si mesmo (a) e faça alguma coisa de que goste muito; 6- Converse com o seu parceiro (a) sobre o que está acontecendo com você em um momento em que se sentir tranqüilo (a). Assim, você manterá o autocontrole e poderá explicar o que sente. Isso será impossível se você decidir falar em plena crise de ciúmes; 7- Converse sobre a sua percepção atual; 8- Não justifique os seus ciúmes com fatos do passado que já foram esclarecidos; 9- Quando você sentir que a situação está saindo do seu controle, Converse com uma pessoa discreta e de confiança sobre o que está acontecendo: um amigo, um terapeuta, um médico. Muitos fantasmas desaparecem quando você consegue falar sobre eles e crescem quando você os esconde ou nega; 10- E o principal não culpe ninguém pelo o que você sente, nem a si mesmo.

Lembre-se de que você é o único responsável pelos seus atos e que está tentando sinceramente superar esse ciúme que faz você e o outro sofrer. O ciúme sempre nasce de alguma insegurança.

Conheça-se melhor e valorize-se mais, só assim você conseguirá viver seus relacionamentos com liberdade e confiança.

Compartilhar
Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui