Por provocação da jovem professora Ângela Fernandes, ouso escrever o seguinte:

ITACOATIARA. Cidade luso-amazônica, plantada no coração da floresta em um terreno 18 metros acima do nível do mar, banhada pelo Rio Amazonas, a jusante da embocadura do Rio Madeira. Dista de Manaus 175 quilômetros em linha reta, 204 por via fluvial e 266 por via rodoviária.

Originou-se de uma missão de índios Iruri, fundada em 1683 no Rio Mataurá, afluente do médio rio Madeira, pelo padre jesuíta Jódoco Peres. A povoação, por razões de segurança e saúde, foi sucessivamente transferida para os rios Canumã (1691), Abacaxis (1696), Madeira (1757) e finalmente estabelecida em 1758 no pouso atual. Ganhou foros de sede municipal com o nome de vila de Nossa Senhora do Rosário de Serpa em 01.01.1759, e foi elevada à categoria de cidade com a denominação atual em 25.04.1874.

O título da Cidade origina-se do termo tupi-guaraní i’tá kwati’ara, que se traduz para Pedra Pintada ou Riscada, conferido ao sítio arqueológico da enseada do Jauarí, a leste do centro urbano, identificado pelas inscrições rupestres e representações de figuras antropomorfas gravadas em pedras, no período pré-histórico e atribuídas aos índios do grupo línguístico Aruak.

Estrategicamente localizada na zona fisiográfica da Amazônia Ocidental, suas enormes potencialidades econômicas estão à mercê dos empreendedores de todos os ramos ou atividades, de quaisquer níveis ou origens, além de que oportunizam progresso e bem-estar social aos seus habitantes.

Pois essa cidade detentora de uma História rica em heroicidade e repleta de exemplos cívicos, onde avultam a tradição, a cultura e as artes em geral, é acolhedora, alegre e festeira. Há 26 anos sedia o Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), movimento líteromusical que comove os que a habitam e chama a atenção de todo o Brasil. Por isso, além do título de “Cidade da Pedra Pintada” é apelidada de “Cidade-Canção”.

O patrocinador do FECANI é a Associação dos Itacoatiarenses Residentes em Manaus (AIRMA), órgão criado em 29 de setembro de 1984, sob a coordenação de Agenor Correa Prado, Emanuel Jorge Nassib Olimpio (Manolo Olímpio), Bruno José de Oliveira Azedo, Raimundo José Vasconcellos, Edson dos Santos Prado, Imaculada Anézia Sarubi e tantos outros. O FECANI nasceu com o objetivo de estimular a produção musical no Amazonas e em particular em nosso Município, bem como estreitar o contato entre o compositor, o músico, o intérprete e o público. O primeiro aconteceu em 1985. De lá até aqui são 27 anos ininterruptos realizando cultura e multiplicando alegria, e sempre na primeira semana do mês de setembro. Efetivamente, em todo esse período à frente do movimento estão os idealistas e sempre entusiasmados Manolo Olímpio e Bruno Azedo. Aplausos para eles!

Inegavelmente, quando se fala em movimento cultural na Amazônia o FECANI se projeta. Bem estruturado e organizado, de há muito faz parte do calendário de eventos da EMBRATUR e, anualmente, tem trazido a Itacoatiara grandes compositores e intérpretes da MPB. Sem dúvida, quem melhor se referiu a respeito do festival foi o artista maranhense Papete, em 1996, nestes termos:

“No FECANI o mais importante não é o festival em si, enquanto competição, mas essa coisa heterogênea, vários gêneros, vários estilos que são mostrados para o público, sem nenhum preconceito, sem nenhum ranço contra esse ou aquele estilo. Você vê, nele, desde o rock à música regional do Amazonas, do Pará, Maranhão, samba, pagode. Esse festival é muito importante para o Brasil”.

Nos primeiros cinco anos, entre os concorrentes vencedores do festival estiveram vários filhos de Itacoatiara, a exemplo de Alírio Marques (1985, 1987, 1988 e 1989), Sebastião Nunes (1986, 1987, 1988 e 1989), Lizioney Libório (1986, 1989 e 1994), João Almeida (1990), Roberval Gusmão (1991, 1992 e 1994), Michele França (1992) e Marcos Castro (1993). De lá para cá a participação de artistas itacoatiarenses caiu drasticamente. Somente “estrangeiros” têm abiscoitado prêmios. Perguntamos: O entusiasmo dos locais sumiu? Está faltando mais apoio? A cidade carece de um curso de Música? Sim, por que não se compreende que isso esteja acontecendo numa cidade que possui três ou quatro universidades – duas delas inclusive oficiais: UEA e UFAM!

Até 2002 realizado na quadra Herculano de Castro e Costa, defronte à Catedral, só no ano seguinte o FECANI ganharia novo domicílio. Trata-se do Centro de Eventos “Juracema Holanda”, no bairro de São Cristóvão. Construído pelo Governo do Estado, suas amplas e modernas instalações atendem aos reclamos da nossa população e não só acomodam o FECANI como outros grandes eventos de ordem cultural, esportiva e social. Todavia, há questionamentos quanto à justeza de sua denominação. A saudosa Juracema Holanda de Almeida (1939-2003), generosa mulher amazonense, foi uma das mais combatentes vereadoras de Itacoatiara do final do século 20. Era costumeira em visitar o Hospital “José Mendes”, e muito lutou pela presteza do atendimento médico-social aos necessitados da cidade e do interior. Solidária com os doentes e com os familiares de pessoas falecidas, sua formação em Enfermagem muito a auxiliou na concretização de seu ideal humanitário. Certamente seu nome ganharia mais destaque se intitulasse um Hospital, um Posto Médico, um Centro Social ou instituição equivalente. Quanto ao Centro de Eventos, qualquer um dos três nomes seguintes lhe cairia muito bem:

  1.  Agenor Correa Prado (1930-2000): um dos fundadores da AIRMA, ex-gerente do Banco do Brasil e ex-professor da antiga Escola Comercial (atual Escola Dep. Vital de Mendonça). Um entusiasta do Esporte e da Cultura em geral de Itacoatiara.
  2.  Anísio Melo (1927-2010): poeta e artista plástico, premiado no Brasil e no exterior. Membro do Clube da Madrugada, da Academia Amazonense de Letras e ex-presidente do Conselho estadual de Cultura. Em vida colaborou muito com a AIRMA, inclusive serviu como jurado do FECANI nos anos de 1990 e 1991.
  3. Terezinha Peixoto. Professora e antropóloga. Teve uma vida plena de realizações em favor da Educação e da Cultura de sua terra natal. Por muitos anos dirigiu a Galeria “Marina Penalber”. À frente de movimentos populares, incentivou a música e o folclore. Apoiou muito o FECANI.
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