Matéria extraída do Tomo XII do Caderno de Debates GEEA (Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos), publicação do INPA, Manaus 2018.

Resumo

Este artigo apresenta um panorama sintético sobre o desenvolvimento da Medicina na Amazônia, incluindo as principais doenças, métodos de tratamento, instituições e programas de governo traçados para a região. Apesar de esse desenvolvimento ser muito complexo, com avanços e retrocessos, ele é tratado em períodos distintos e em ordem cronológica, partindo do período indígena, seguido do colonial, apogeu e declínio da borracha até os dias atuais. Cada um desses períodos apresenta características próprias, especialmente quanto aos surtos de doenças endêmicas como malária, varíola, tétano, beribéri, hanseníase e tuberculose. Ao final, é feita uma avaliação sobre a situação atual e os desafios a serem enfrentados pela Medicina e a sociedade em geral, levando-se em conta que a saúde está intrinsecamente vinculada a vários outros fatores socioeconômicos, como infraestrutura, educação, cultura e bons hábitos.

Antônio José Souto Loureiro

Médico reumatologista, historiador e escritor; membro do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas (IGHA), da Academia Amazonense de Letras, da Academia Amazonense de Medicina e membro correspondente da Academia Nacional de Medicina; autor de várias obras, dentre as quais: Síntese da História do Amazonas, Amazônia 10.000 anos; A Grande Crise; O Amazonas na Época Imperial; Tempos de Esperança; História da Medicina e das Doenças no Amazonas; História da Navegação no Amazonas,

A Amazônia e o V Império, A Gazeta do Purus, O Brasil Acreano e outros

Introdução

De modo semelhante ao que ocorreu na Economia, o setor médico na Amazônia também se desenvolveu em ciclos ou em períodos. De um modo geral, esses podem ser estabelecidos, sucessivamente, em período

indígena; colonial; ciclo da borracha, com distintos níveis ou segmentos; período de grande crise e do tempo moderno. Abaixo são fornecidos alguns dados históricos e estatísticos sobre cada um deles, incluindo uma conclusão geral e perspectivas sobre o setor médico na Amazônia.

3.2. A produção contínua aumentando com os seringais dos altos rios da borracha- A Medicina da expansão do ciclo da borracha (1870 a 1889)

Entre 1870 e 1889 a produção de borracha foi intensificada em toda a Amazônia, pois essa matéria prima tornara-se indispensável para a produção de fios e de pneus para bicicletas e automóveis; com isso houve a necessidade da introdução de grandes levas de nordestinos, a mão de obra necessária à sua produção; com a entrada de centenas de milhares desses emigrantes, a Província cresceu e enriqueceu, embora a insalubridade reinante obrigasse à substituição anual dos mais de 30.000 trabalhadores, que morriam de moléstias infectocontagiosas, de beribéri e dos desconfortos da vida nos seringais, até que conseguissem se adaptar a essa nova situação. Este será grupo desassistido do período, abandonado nas matas, sem maiores cuidados.

A cidade de Manaus, com a centralização do abastecimento para o interior, triplicara de 10.000 habitantes, em 1872, para uns 30.000, em 1900, tornando-se rica e em progresso, melhorando um pouco o estado sanitário da região urbana. A varíola, o sarampo, a malária e a febre amarela urbana continuaram como as doenças endemo-epidêmicas que mais aterrorizaram a região neste período. Elas estavam ligadas às entradas dos emigrantes nordestinos, que vinham nas terceiras classes das embarcações, em péssimas condições sanitárias e já doentes delas, desde as suas regiões de origem, espalhando-as pelos seringais para onde eram destinados, pela falta de um controle sanitário das embarcações, que aqui chegavam lotadas. Essas três doenças estiveram presentes todos os anos deste período em algum ponto do Amazonas.

Varíola

A varíola sempre foi um tormento, para a região, em todo o ciclo da borracha, principalmente entre os retirantes, nos seringais. Quando iniciava o seu cortejo fúnebre, ia subindo os rios, atingindo todos os seringais, todas as barracas e as aldeias indígenas, com grande mortandade, da qual só escapavam os vacinados e os que resistiam às pústulas, à astenia e à queda do estado geral, sem uma alimentação adequada.

As crianças morriam todas, por isso a população crescia devagar. Se todos os emigrantes tivessem sobrevivido e os seringais tivessem estrutura adequada para absorver as populações despachadas do Nordeste, hoje Amazônia talvez fosse a região mais populosa do Brasil. Aos médicos então existentes restava vacinar e queimar todas as palhoças, no sentido de interromper o contágio. Ela só desapareceria após as intensas e maciças campanhas de vacinação efetuadas seguidamente a partir de 1968, quando centenas de milhares de pessoas foram vacinadas na capital, e depois, no interior, campanhas da qual participei.

O ano de 1872 marcou o início de uma fase endemo-epidêmica da varíola, tendo o primeiro caso ocorrido, em novembro, a bordo do transporte peruano Mayro, procedente de Belém. Foi estabelecido um lazareto no morro do Seminário, e para ali transferido o doente. Outros vapores trouxeram novos casos e o número de doentes cresceu, havendo a necessidade da criação de uma enfermaria, no largo de São Sebastião, logo aumentada de um galpão para 25 doentes, e de uma casa, para os convalescentes.

O movimento total de doentes, daquele isolamento, durante o ano de 1873, foi o seguinte, revelando um altíssimo percentual de óbitos, quase alcançando os 50% dos doentes. Aparentemente a epidemia havia sido controlada, sendo fechado o Isolamento de São Sebastião, a 31 de janeiro de 1874, mas no mês seguinte novos casos foram constatados. Estabeleceram-se comissões para dirigirem a enfermaria de São Sebastião e para o levantamento de fundos destinados à manutenção dos doentes. Adotou-se uma campanha de vacinação, requisitando-se vacinas do Rio, Pernambuco e Maranhão, sendo inoculadas 1400 pessoas, em Manaus, e 600, no Madeira, Negro e Janauari. Socorreu-se o rio Negro, Vila Bela e Tefé.

A varíola atingiu as vilas do Rio Madeira, trazida pelo navio Amazonas, da Companhia Fluvial Paraense, transportando materiais para a Madeira-Mamoré; chegou ali em outubro de 1873; atingiu os índios bolivianos e rapidamente espalhou-se pelo Beni. Pelo distrito de Abelhas alcançou o Jamarí, o lago da Graça e Boa Vista, com um total de 80 doentes e 24 óbitos. No rio Machado, o estabelecimento de José Francisco Monteiro teve apenas 10 casos e 4 óbitos, em um total de mais de 300 habitantes, graças à vacinação ali efetuada, com líquor remetido por Elias José Nunes da Silva. Em Manicoré, a epidemia chegou de Manaus, pelo vapor Javari, ocorrendo 4 casos e 1 óbito. Em Borba, houve 1 caso e no Canumã, 3. Ao todo, no Madeira, o número de casos chegou a 146, com 38 óbitos.

Cessando o flagelo da varíola, em 1875, foi a vez das febres intermitentes em Barcelos, Santa Isabel e no Madeira, indo o doutor Aprígio de Menezes ao Negro e o doutor Antonio David de Vasconcelos Canabarro, ao Madeira. Meses depois se noticiava varíola, em Vila Bela, febres, no Solimões, Madeira e Içá, repetindo-se, em 1876, os casos de febre palustre, no rio Negro. Em 1878 apareceram três casos de varíola na capital, sendo os doentes isolados no terreno do Seminário, à margem direita do igarapé da Cachoeira Grande, hoje São Raimundo, embora um número bem maior de infectados ocorresse na colônia Santa Isabel. As febres atingiram a colônia Maracaju e a maior parte das cidades do interior.

Além da varíola, as principais doenças da época, conforme dados disponíveis da época, foram a malária, o tétano, a febre biliosa, a febre amarela, as gastroenterites, a congestão pulmonar, a pneumonia, a tísica ou tuberculose, a febre intermitente e as febres palustres, que atacavam as populações ribeirinhas anualmente, no começo e no fim das enchentes, tirando do trabalho milhares de pessoas, sem um tratamento adequado, até a descoberta do hematozoário e o emprego do quinino.

A febre amarela tinha preferência pelos estrangeiros, daí também ser denominada de brasileira, pois os nacionais possuíam imunidade adquirida, enquanto aqueles, ou tinham a doença em poucas semanas de residência imunizando-se, ou faleciam abruptamente. As estatísticas de 1885 mostram-nos, relativamente a Manaus, um obituário de 337 mortos, dos quais 138 homens, 75 mulheres e 124 menores, tendo como causa as doenças acima assinaladas, principalmente o tétano, além de lesão cardíaca, beribéri e cirrose, congestão pulmonar e cerebral.

Tétano

O tétano aparece surpreendentemente, neste ano, como a principal causa de óbito da cidade; estava relacionado com o uso do cavalo, no transporte de pessoas e de cargas, como montaria individual, puxando carroças e carruagens e nas forças armadas e policiais. Suas fezes contaminadas, por bilhões de bactérias do Clostridium tetani, espalhavamse pelas ruas e se constituíam no principal agente da doença. Com o advento dos veículos automotivos desapareceu das cidades.

Em 1889, último ano do Governo Imperial, o sarampo atingiu Manaus, e fez grande mortandade entre os retirantes cearenses acossados pela fome e pela aglomeração, nos porões de navios, morrendo muitas crianças; as mortes elevaram-se a 1.141, mais de 837 eventos do que em igual período de 1888, sendo dois terços delas entre os retirantes.

Hospitais

O Hospital Militar de Barcelos, depois do São Vicente em Manaus, foi sem dúvida o primeiro a ser estabelecido no Amazonas, ainda no século XVIII, para atender os militares destinados às demarcações e posteriormente aos corpos das tropas locais. Transferido para Manaus, ainda no tempo do governador e demarcador Lobo D´Almada, foi sendo descuidado até quase se transformar em ruínas, quando foi reconstruído sob a direção do major Sebastião José Basílio Pirrho, entre fevereiro de 1860 e março de 1861.

Nessa operação trabalhavam mais de cinquenta operários; ficaram prontas inicialmente a enfermaria grande, a botica, a sala do médico, a secretaria e a sala do enfermeiro; na reconstrução continuou com o laboratório, a sala mortuária, a enfermaria de presos, o quarto para banhos, a enfermaria de inferiores, dispensa, cozinha, oratório, corpo da guarda e a ponte, até chegar ao prédio atual, talvez o mais antigo da cidade, hoje finalmente ocupado pela Marinha.

Ainda na época provincial, entre 1865 e 1867, funcionou precariamente o Lazareto do Tarumã, no rio daquele nome, na realidade uma simples barraca de palha, para abrigar variolosos, cujas funções foram transferidas para o Lazareto do Umirisal, em 1867; além de isolamento para variolosos, tornou-se um abrigo para leprosos.  Na grande pandemia de varíola, que se estendeu de 1872 a 1874, foi criada temporariamente a Enfermaria do Largo de São Sebastião e, algumas vezes, o Instituto de Educandos Artífices, depois de desativado, também serviu para atender os variolosos, vindos do interior. Somente na segunda metade do século XIX é que se instalaram os primeiros grandes hospitais civis, na Província do Amazonas; isso ocorreu a partir de 1870, no momento em que as necessidades mundiais de borracha aumentaram com um grande afluxo de capitais para a região, tornando possível e necessário este investimento, sendo os modelos utilizados oriundos de Portugal.

Na realidade, a assistência aos peregrinos, aos pobres e aos viajantes começou a ser dada, dentro da cultura luso-brasileira, pelas albergarias, ainda na Idade Média, que davam cama, agasalho, fogo, sal e água, por três dias, e uma refeição à entrada e à saída, àquelas pessoas. A seguir apareceram as enfermarias conventuais, as gafarias destinadas aos leprosos, que desapareceram com a melhoria geral da vida após os descobrimentos, ou com a exportação dos doentes para as colônias, as mercearias, asilos para mulheres idosas pobres, obrigadas a rezar pela alma dos doadores, e as enfermarias dos colégios universitários.

O primeiro grande hospital português foi o Hospital de Todos Os Santos, criado, em 1492, por Dom João II, mediante a reunião dos rendimentos de quarenta e três pequenos hospitais pertencentes às corporações de ofícios, cada uma com o seu santo patrono, daí a denominação unificadora. Concluído em 1540, tinha enfermaria, botica, casa para alienados e enjeitados (Casa dos Meninos). Nele eram dadas consultas externas e os seus porões constituíam-se em albergarias, para consulentes e pedintes. Foi modelo para inúmeros hospitais reais, em Portugal, e talvez o das sociedades beneficentes, que se não foram corporativas, pois este tipo de instituição já não mais existia, tinham um aspecto similar, o étnico, o da assistência do imigrante português.

Aqui também proliferaram as Santas Casas de Misericórdia, que usaram como padrão a Misericórdia de Lisboa, fundada, em 1482, pela rainha dona Leonor. E desde o século XVI, com as santas casas de Santos e do Rio de Janeiro, foram sendo espalhadas por todo o Brasil, e, embora estejam em uma fase de decadência, podem ainda prestar grandes serviços à população.

A Santa Confraria da Misericórdia de Lisboa, que mantinha a instituição, foi organizada com uma carta de adesão de cem irmãos, que se comprometiam a praticar a virtude da Caridade, cumprindo as misericórdias materiais e espirituais. Entre as Misericórdias materiais incluíam-se alimentar os famintos, tratar dos enfermos, remir os cativos em terra estranha, visitar os presos, consolar os tristes, cuidar dos órfãos, das viúvas e dos enjeitados e enterrar os mortos. As espirituais estavam representadas por rezar pelos vivos e pelos mortos, ensinar aos ignorantes, praticar as virtudes e enterrar os mortos.

Santa Casa de Misericórdia de Manaus

Surgiu por instâncias da administração provincial, que conclamou em diversas oportunidades a população, para participar da sua fundação e manutenção. Foram feitos sorteios e listas de contribuições, até que, durante a presidência de Domingos Monteiro Peixoto, a 1º de janeiro de 1873, foi lançada a pedra fundamental do Hospital da Caridade, o seu nome à época. A construção arrastou-se morosamente. Apesar disto, em 1880, as suas dependências estavam ocupadas pela guarda policial e pelo 11º Batalhão de Infantaria, sendo essas tropas dali deslocadas pelo presidente Clarindo de Queiroz. Pela Lei nº. 451-A, de 14 de abril de 1880, foi criada a Irmandade da Misericórdia, que deveria administrar o hospital, sendo seu primeiro provedor Feliciano Antonio Benjamim, e finalmente a 16 de maio, inauguravase a enfermaria feminina, primeira dependência a funcionar. O Hospital entrou em falência, foi abandonado por todos, saqueado por quadrilhas especializadas e transformou-se em ruínas, com grande rapidez.

Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas

A 16 de agosto de 1874, os membros da Sociedade e as autoridades locais lançaram a pedra fundamental do seu futuro hospital, em uma área de 9952 metros quadrados, na confluência das praças Uruguaiana e General Osório, onde hoje se encontra o Colégio Dom Bosco. Mais tarde a sua sede foi transferida para a Av. Joaquim Nabuco, onde até hoje se encontra. Uma grande ajuda, para o hospital, foi a chegada das Filhas de Santana, a 29 de novembro de 1904, que vinham auxiliar na administração do hospital e nos cuidados aos doentes.

3.3. O Topo do ciclo (1889-1910)

As necessidades mundiais de borracha, sempre crescentes, determinaram um grande afluxo populacional para Manaus e para os seringais; com o crescimento da produção e o consequente aumento das arrecadações de impostos foram feitos grandes investimentos para o embelezamento da capital amazonense, com formidáveis movimentações de terras, aterros de igarapés, desaterros de grandes barrancos e aplanamentos de ruas. Isso acabou criando enormes represamentos de águas estagnadas, a principal causa apontada para o recrudescimento da malária e da febre amarela, na cidade, embora também a mobilidade populacional, vinda do interior, pudesse estar muito mais ligada a esta recrudescência.

Além dessas duas doenças, apareceram entre os trabalhadores seringueiros do interior o beribéri, pela falta de alimentos frescos na dieta diária, constituída de carne seca, farinha, conservas, feijão e arroz torrado, além do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, sendo a sua causa ainda desconhecida. Além dessa, também surgiram a tuberculose, a hanseníase, a leishmaniose e as doenças infectocontagiosas epidêmicas, como varíola e sarampo. Diante disso, o governador Fileto Pires estabeleceu a vacinação obrigatória antivariólica, em 1898, sendo o Amazonas um dos primeiros Estados a adotá-la.

Silvério Nery chegou a suspender todas as obras públicas em andamento em Manaus, ao assumir o governo, no ano de 1900, para reduzir um surto epidêmico de malária, relacionado com “as múltiplas escavações do solo, compreendendo extensíssimas áreas e feitas de modoa repelir todo critério”; na verdade, águas represadas e grandes poças, com as suas emanações.

Essa teoria miasmática ainda estava sendo apoiada pelos médicos, pois o Relatório da Diretoria de Higiene Pública, para a recente epidemia da malária que se abatera sobre a cidade, além das escavações e terraplanagens registrava; “as vazantes, deixando matéria orgânica, sob a ação do sol, fermentando-a, pois sol e águas são os dois veículos principais e mais comuns à propagação do paludismo”, como motivos fundamentais para a disseminação da doença. Também ainda se pensava que a água contaminada pudesse ter parte na transmissão do impaludismo.

Fato auspicioso foi a instalação do Laboratório de Análises Químicas, Bromatológicas e Toxicológicas do Estado do Amazonas, a 9 de fevereiro de 1901, com materiais já existentes e outros importados da Europa. O Laboratório estava constituído pelas seguintes seções: de Balanças, de Bromatologia, de Química Analítica e Toxicológica, Micrográfica e Bacteriológica, de Fornos e Estufas, Biblioteca e Radiográfica, sendo essa última com as seguintes novidades: aparelho Roentgen, acumulador estativo, tubos de Brockes, anteparo fluorescente e chapas radiográficas, talvez o primeiro equipamento de raios X a chegar ao Amazonas.

A teoria da transmissão da malária, pelos mosquitos anofelinos, só começaria a ser aceita pelos médicos locais a partir de 1902, quando Alfredo da Matta, no Relatório da Diretoria de Higiene Pública, de 15 de junho de 1902, registrou os avanços no combate à malária, na Algéria e em Havana. Neste relatório já se pedia o saneamento de Manaus e foram divulgados os processos para evitar a malária e os mosquitos, inclusive o da febre amarela. Apesar disso, anos mais tarde, em 1909, ainda existiam muitos médicos que incluíam, entre as suas possíveis causas, a ingestão de águas contaminadas e as circunfusas, as emanações palustres.

Em março de 1902 apareceu a peste bubônica em Recife, e foram imediatamente tomadas as providências, para evitar a chegada desta doença a Manaus. As visitas médicas aos navios estavam sendo feitas na ilha do Marapatá, onde estacionara o navio Belém e o aviso Cidade de Manaus, este último deslocado, em 1903, para Parintins, com um médico a bordo, existindo ainda a estação Santana, à margem esquerda do rio Negro.

Graças a esse serviço de vigilância portuária, Manaus ficou livre dessa peste, enquanto ela atingia São Luís e Belém. Também durante dois anos foram feitas milhares de visitas domiciliares, esgotamento

de bocas de lobo e desinfecções de navios. Também se deve em parte esta situação, pela invasão anual de todos os esgotos da parte baixa de Manaus, pelas águas da enchente anual do rio Negro, impedindo a reprodução excessiva dos ratos.

Ao doutor Hermenegildo Lopes de Campos devemos a obra Climatologia Médica do Estado do Amazonas, que registrou os dados médicos dos dez primeiros anos do século XX, que teve três edições: a inicial, de 1909; a segunda, uma reedição fac-similada, fazendo parte da Coleção Hiléia Amazônica da Associação Comercial do Amazonas, editada pelo Fundo Editorial, em 1988, e a terceira, em coedição com a Comissão Coordenadora do 24º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Graças a ela temos os registros estatísticos deste tempo. Também a Geografia e Topografia Médica de Manaus, do doutor Alfredo da Matta, é outro livro cheio de notícias sobre este período, embora escrito após 1914, o ano das últimas estatísticas nele registradas, além de seus Relatórios quando Secretário de Saúde do Estado Amazonas.

Malária

A malária foi a principal doença, a que dominou a patologia local, nesses tempos, mais conhecida como impaludismo. No obituário de 1902 tomamos conhecimento das mais diferentes denominações com que se rotulavam as mortes por malária: febre palustre, impaludismo, caquexia palustre, acesso pernicioso, febre remitente biliosa, febre remitente, anemia palustre, bronco-paludismo, hepatite palustre, cólicas palustres, disenterias palustres, polinevrite palustre, tifo-malária e linfatite perniciosa.

Febre amarela

Após a sua primeira incursão, em 1856, a febre amarela, até a sua extinção, em 1913, jamais deixou de fazer óbitos em Manaus, principalmente entre os estrangeiros não aclimatados, embora alguns casos tenham sido registrados em locais, pelos doutores Astrolábio Passos e Jorge de Moraes.

Varíola

Houve varíola, em 1897, com 585 casos, dos quais 232 pessoas faleceram em Manaus. Os primeiros doentes apareceram nos Remédios e se concentraram posteriormente no bairro dos Tocos. A epidemia acabou sendo controlada pela vacinação, destacando-se neste trabalho os médicos Gouvêa Filho, Clementino Ramos, Basílio Seixas e Alfredo da Matta.  Mais tarde, nos fins de 1906 e começo de 1907, uma nova epidemia invadiu todo o Estado, vinda do Pará, sendo o rio Purus o mais atacado. Em Manaus internaram-se 89 pessoas, falecendo 37.

No período de 1898 a 1914, segundo Alfredo da Matta, a varíola ainda foi responsável por 226 mortes, no Amazonas, após 150 anos de epidemias, pois aqui aparecera, pela primeira vez, em 1748, quando ceifou inúmeras vidas de uma tropa de resgate atuando no rio Branco.

Beribéri

O beribéri foi diagnosticado pela primeira vez, em 1786, em Barcelos, pelo médico Antonio José de Araújo Braga, mas só voltou a ser descrito em 1868, pelo médico Ferreira Lemos, tornando-se comum após 1872. Os números de beribéri tinham uma tendência a crescer, pela falta de alimentos naturais na frente seringueira, e pelo uso abusivo das bebidas alcoólicas. A sua etiologia ainda estava sendo discutida, falando-se até de causas contagiosas, erro em que incorriam até grandes médicos brasileiros. Alfredo da Matta descreveu as dramáticas epidemias do quartel do Batalhão Militar do Estado, do Hospital Militar Federal e da Santa Casa, onde doentes que ocupavam determinados leitos ficavam condenados ao contágio. São dele as notas sobre o beribéri que atingiu as tropas nacionais estacionadas em Manaus, entre 1903 e 1904, em virtude das questões de limites com o Peru. Sem as acomodações adequadas, com uma alimentação imprópria e higiene a desejar, elas foram atacadas pela malária e pelo beribéri. Apesar do grande número de doentes, ordens superiores severas proibiram a sua divulgação. Houve transferência de praças e oficiais até a situação ficar insustentável, com os acometidos sendo embarcados no navio Salvador, muitos dos quais tiveram por túmulo as margens do Amazonas e as águas do oceano.

Mais de 300 doentes, a maior parte oriunda do Rio Grande do Sul, chegaram ao Rio, sendo examinados no Hospital Militar, onde informaram que haviam adquirido a doença dos vizinhos, melhorando quando atingiram o mar. Naquele Hospital a maioria curou-se e, somente os mais graves, com polineurites e paralisias, levaram mais tempo, para a recuperação total.

O mesmo aconteceria nos navios da Marinha. Em 1904, sem existir casos na cidade, chegaram a ser internados, em um dia, nos hospitais da cidade, 20 marinheiros do navio Almirante Barroso, e a tripulação do cruzador Tiradentes teve severas baixas, a maior parte atendida por Alfredo da Matta. Na Santa Casa de Manaus os doentes de menos posses adquiriam a doença com rapidez, pelas inadequadas e monótonas dietas. Ainda não se firmara a idéia de que o beribéri era uma doença carencial, por deficiência de vitamina B1, em decorrência de uma dieta inadequada, sem alimentos frescos.

Lepra

A propagação da lepra começara a aumentar de modo surpreendente no Amazonas. O seu diagnóstico colocava toda a família contra o médico, que passava a recorrer aos charlatães e às panacéias, esquecendo os aconselhamentos de higiene e facilitando a sua propagação.

Em 1902, Da Matta insistia no isolamento dos casos e na possibilidade do seu aumento. A 24 de fevereiro de 1908, a Repartição Sanitária Estadual, sob as suas ordens, criara uma colônia de leprosos, na área do Umirisal, sob a iniciativa e cuidados do médico Miranda Leão, que mais tarde contrairia a doença. Ali, em 1914, já existiam 37 internados, mas suas portas, por falta de recursos, estavam fechadas a centenas de outros, que chegavam do interior e dos países limítrofes a procura de um abrigo.

Tuberculose

A tuberculose também foi uma das principais causas de obituário, neste período, com uma tendência ao crescimento. Apesar disto Manaus estava em ótima situação com referência a importantes cidades da Europa e do restante do País Outras doenças Entre outras causas de morte estavam incluídas neste período: febre tifóide, gripe, coqueluche, difteria anquilostomíase, erisipela, cânceres, hematúria, tétano, meningite, doenças cardíacas, do aparelho respiratório, do aparelho digestivo e uremia.

  1. Medicina na grande crise econômica (1911-1930)

Quando o Governo Federal sentiu a falta das divisas em libras e em dólares, provenientes das exportações de borracha, e igualmente da queda dos impostos arrecadados na Amazônia, que alimentavam o desenvolvimento das outras regiões brasileiras, pela perda do mercado da borracha, para o Oriente. Quando os Governos Estaduais do Amazonas e Pará, cobradores de impostos, que chegavam a 25% sobre o valor dos produtos extrativos, para obras suntuosas e corrupções de todos os tipos, tiveram suas arrecadações também drasticamente reduzidas, já era muito tarde.  Eles compreenderam então os excessos praticados, com as suas cômodas situações de associados sem riscos de uma produção difícil e da qual não participavam, mas por eles absurdamente taxada, oriunda de um trabalho cheio de incertezas e executado por populações paupérrimas, em um ambiente sem qualquer conforto e sujeito a todo tipo de intercorrências.

O País durante mais de quarenta anos tivera o seu progresso sustentado pelas suas longínquas colônias da Amazônia, talvez sem o saber, onde o único investimento de vulto que ali fizera resumira-se à construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Foi então que esta terrível realidade desabou sobre as autoridades brasileiras atônitas, a partir de 1912, com consequências desastrosas para o Brasil, desestabilizando as instituições até o advento do Estado Novo.

Na realidade o ciclo da borracha resultara de uma guerra com milhares de mortos, que se computados a dois contos de réis por pessoa perdida, conforme o relatório de 1914 do deputado Eloy de Souza, ultrapassariam, em muito, todo o valor da borracha exportada de 1877 a 1913; e o quadro sanitário da região continuava incontrolável.

Na construção da Madeira-Mamoré Railway, no período de 1907 a 1912, foram registradas 30.430 internações, no hospital de Candelária. A mortalidade infantil assumira proporções tão fantásticas, em Santo Antonio do Madeira, que ali não existiam pessoas naturais do lugar, pois todas morriam ainda crianças. A pneumonia eliminava 57,7% dos operários da estrada, na época das chuvas. O impaludismo, na sua forma mais grave, a febre hemoglobinúrica, além de outras, dava a impressão de que o parasita da malária adquirira resistência ao quinino. Isto sem falar das feridas bravas, das epidemias de varíola, da lepra, do beribéri e das epidemias de disenterias.

São Felipe, hoje Eirunepé, localidade do Amazonas, no rio Juruá, com 900 habitantes, durante a voragem de uma epidemia de malária, no primeiro semestre de 1911, perdera 400 deles. Canutama, no rio Purus, que possuíra 350 habitantes, em 1905, estava resumida a 173, após quatro anos de sucessivas pandemias de malária; idêntico quadro ocorria no Acre, no Abunã, em Xapuri, em suma, em todos os rios.

Maiores cuidados tinham os ingleses com os trabalhadores do Oriente, do que os brasileiros, com a população da Amazônia. No Ceilão, além dos hospitais distritais, nas sedes das plantações, existiam farmácias, médicos e enfermarias. Os Estados Unidos haviam libertado Cuba da febre amarela, as Filipinas, da peste e do cólera, e, no Panamá, baixaram a mortalidade de 51,3 por 1000, em 1906, para 10,98, por 1000, em 1910.

Enquanto isto, o seringueiro brasileiro vivia sob a mais rigorosa servidão. Os Estados do Nordeste para se livrarem da pressão social, davam apoio a um recrutamento eivado das falsas promessas de um trabalho sem submissão, logo onerado com os débitos da viagem e os do consolo da família, que ficava. E assim, centenas de milhares viajaram para a Amazônia, nas terceiras classes, amontoados nos porões dos navios, sem qualquer conforto, com um regime alimentar escasso e nocivo, morrendo muitos no percurso. Quando chegavam aos seringais recebiam os gêneros e os utensílios necessários à safra, aumentando ainda mais as suas dívidas, ficando por elas presos ao emprego.

Ao mesmo tempo, a lucratividade para o seringalista, não estava na produção de borracha, mas na comercialização dos gêneros vendidos aos seringueiros, o que lhes garantia algum lucro e a possibilidade de continuar em um negócio quase impossível, nesses anos de crise e de preços cada vez mais baixos. A miséria iria também atingi-los, mais cedo ou mais tarde.

Os aviadores de Manaus eram acusados de explorar os seringalistas, por cobrarem preços exorbitantes para os gêneros e pagarem baixos preços, pela borracha remetida, porém eles funcionavam como verdadeiras casas bancárias, financiando os seringais com um ano de prazo e tinham mais de 500.000 contos de contas insaldáveis, as dos produtores falidos. Também se queixavam dos exportadores, que compravam a borracha classificada e sem qualquer risco de produção, sendo os únicos que realmente lucravam com o sistema, ao venderem o produto nas bolsas de Londres e de Nova Iorque.

Os exportadores, por volta de 1912, estavam em pânico e repassando os seus negócios, pois os baixos preços da borracha da Malásia e da Indonésia prognosticavam um futuro pouco promissor para a Amazônia. E de fato, em 1913, milhares de pessoas abandonaram Manaus, que possuía mais de duas mil e quinhentas casas desocupadas, somente no centro.

Apesar de ter arrecadado mais de 650.000 contos, na região, em vinte e três anos, o Governo Federal só fizera um único benefício direto a ela: a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, e assim mesmo por obrigação de um tratado internacional. Apesar disso foram as arrecadações arrancadas na base dos pobres seringueiros amazônicos que financiaram a construção de estradas e portos, a imigração e os preços do café, para o restante do país, quando o Brasil resolveu concentrar os seus investimentos no triângulo Rio-Belo Horizonte-São Paulo. Além de alugar a Amazônia como Colônia Econômica Inglesa, constituindo-se ela na maior leoa do Império Britânico.

Dentro deste quadro, quando escrevíamos o nosso livro A Grande Crise, descobrimos o relatório do médico Figueiredo Rodrigues, inspetor de saúde do Porto de Manaus, datado de 1º de fevereiro de 1916, denominado A Saúde Pública no Amazonas, com dados interessantes sobre a Nosologia deste período, quando a cidade possuía apenas dois hospitais, trinta e três médicos e quinze farmácias. Nele se destaca o registro das seguintes doenças neste período de crise:

Malária

Esta doença atingia os subúrbios e o centro da cidade. No interior, dizimava as populações das cidades e das principais povoações.  O relatório preconizava que todos os barcos, para o interior, deveriam ter folhetos sobre a doença e levar quinino, na sua ambulância de emergência. Este era o único medicamento disponível para o tratamento da doença, e para termos a ideia do seu uso e abuso, na construção da Madeira-Mamoré teriam sido gastos, entre 1908 e 1911, dois milhões de gramas de quinino, para as 5000 pessoas trabalhando nas linhas. Osvaldo Cruz recomendou, e foi atendido, doses diárias obrigatórias de quinino a TODOS os trabalhadores da Madeira-Mamoré.

Febre amarela

Os estrangeiros que aportavam a Manaus, trazidos pelos navios da Booth Line ou da Hamburg Amerika Linie, aproximavam-se do porto com medo e ansiedade, por estarem arriscando suas vidas, na metrópole da febre amarela e da malária, uma viagem temerária.  De 1905 a 1913, mais de 1386 pessoas faleceram de febre amarela em Manaus, o que dá uma média de 173 óbitos anuais, sem aqui estarem incluídos os casos de marcha rápida, às vezes rotulados de acesso pernicioso.

Ao ministro Rivadávia Corrêa deveu-se a providência do envio de uma Comissão para extinguir a febre amarela em Manaus, chefiada pelo Doutor Teófilo Torres, que após um trabalho, entre 2 de agosto e 22 de dezembro de 1913, declarou extinto o flagelo, não ocorrendo mais casos, desde então.

Beribéri

Em 1910 o beribéri ainda era uma das moléstias que mais produziam vítimas no Amazonas. Já se tinha a idéia de que a doença estava ligada a um fator nutricional, chamada de vitamina do beribéri, tendo desaparecido da Marinha Japonesa e das tropas filipinas, pela simples mudança de alimentos. Assim o relatório Teófilo Torres citava que, nos últimos vinte anos, ela havia feito mais de 30.000 mortos, na Malásia; 3340, nas Filipinas, em 1910, e mais de 200.000 anualmente, na China. Já se sabia ser ela uma doença evitável, causada pela deficiência de substâncias, em alimentações monótonas baseadas em apenas um produto: arroz, milho ou farinha de mandioca. A Comissary da Madeira-Mamoré não vendia arroz, porque acreditava ser ele um dos causadores do beribéri.

No Amazonas do tempo da borracha, pela falta de agricultura, tudo se importava: o feijão vinha do Sul e de Portugal, torrado para evitar o gorgulho; o arroz, da Índia; a farinha suruí, do Rio; e o milho, do Rio Grande do Sul, Argentina e Estados Unidos. Contudo, a Amazônia permaneceu durante esse período exportando peixe-seco para o Pará.

Por ser proibida a agricultura de subsistência nos seringais, muitos seringueiros adquiriam o beribéri, já que tinham como único alimento a jacuúba e o chibé, ambos mistura de farinha com água; também pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas, além da falta de alimentos frescos, agravada pela importação de outros já alterados pela manipulação. A crise paradoxalmente melhorou a situação, com a população plantando roças e podendo dedicar-se à criação, o que se refletiu na queda do obituário pela doença.

Gripe espanhola

Ainda não terminara a Grande Guerra e um novo flagelo fustigava a humanidade: a terrível pandemia de influenza, denominada de gripe espanhola, que se espalhou por todos os continentes, fazendo milhões de vítimas. Em novembro de 1918 aterrorizara o Rio de Janeiro, com o seu cortejo de vinte mil óbitos; o número de pessoas acometidas, em todo o País, subia aos milhões, atingindo as nossas principais cidades.

A doença aparecera em março de 1918, na Espanha, daí o seu nome, e alcançara o território brasileiro, a partir de Dakar, na África, onde estava estacionada a esquadra brasileira destinada a participar da Primeira Guerra Mundial; em 6 de setembro, apareceram os primeiros casos entre os expedicionários, chegando a atingir 95% do efetivo, com um total de 156 mortos.

A Diretoria Geral de Saúde do Rio de Janeiro expedira instruções ao Inspetor de Saúde do Porto de Belém recomendando o máximo de cuidados quanto à pandemia, por ser altamente contagiosa; ela acometia o

sistema nervoso central e não existiam medidas de profilaxia eficazes, exceto a de não se permitir aglomerações. Recomendava-se a rigorosa assepsia da boca e das vias aéreas, os sais de quinino, e até a vacinação antivariólica. A Diretoria Geral acreditava que seria uma doença benigna.

Os médicos aconselhavam o uso do Allium sativum (alho), nas formas benignas, na dose de uma gota em uma colher com água e as infusões de eucalipto e, nos casos malignos as pastilhas de arsênico, antimônio, tártaro emético, digitais e cânfora.

Como preventivo usava-se o alho duas vezes ao dia, ou pastilhas de arsênico, uma em cada refeição. A cânfora estava mais indicada nos casos de lassidão. Apesar de inócua, senão altamente tóxica para os pacientes, esta era a terapia então existente. A população muito sabiamente optava pelo limão, que atingiu fabulosos preços, chegando, no Rio e em Recife, a custar 5$000 a unidade. Os doentes graves evoluíam com febre, catarro das vias aéreas superiores, forte dor frontal, dores musculares, lassidão, agitação, sufocação, esfriamento das extremidades e morte, sem qualquer remédio capaz de aliviar este cortejo de sintomas.

As populações carentes e desnutridas foram as mais acometidas, mostrando que a queda da resistência geral, decorrente do déficit alimentar do final da guerra, e no caso de Manaus, da crise econômica da borracha, eram fatos importantes na patogenia. Aqui as áreas mais afetadas foram as correspondentes aos bairros periféricos e às colônias existentes nas estradas, onde habitavam as camadas sociais de mais baixa renda, embora o centro tenha sido bastante atingido, pela sua maior densidade demográfica. Em Manaus a pandemia iniciou-se em setembro de 1918, com casos dispersos. As escolas foram fechadas, os jogos e as diversões suspensas, bem como todas as aglomerações.

Constituiu-se o Comitê de Salvação Pública, com o encargo de alimentar os necessitados. Assim, gêneros foram distribuídos de 20 de novembro a 1º de dezembro, por dezessete postos espalhados pela cidade, dirigidos por oficiais do Exército, da Polícia Militar e do Tiro 10, e durante o mês de dezembro, quando já se encontrava em declínio, pelos postos da Associação dos Empregados do Comércio. A Cruz Vermelha contribuiu com dezesseis contos e a Associação Comercial levantou quase sessenta contos, entre os seus associados, além das doações da União Acadêmica, da Associação dos Empregados do Comércio e da Associação Comercial dos Retalhistas, para minorar a situação dos doentes.

Nos quatro meses de duração deste estado de emergência, foram registrados mais de 2.000 óbitos no centro da cidade; este número poderia ter alcançado a casa dos 6.000 se computados os da periferia e das vizinhanças da cidade, pois a certa altura perdera-se o controle do total de vítimas, recolhidas por caminhões e enterradas em valas comuns. O bairro da Cachoeirinha despovoou-se, com grandes trechos de casas desabitadas e famílias inteiras dizimadas.

Nas estradas, os mortos eram localizados pelos bandos de urubus. As ruas ficaram vazias, com as pessoas recolhidas em casa, com medo do contágio, e apenas circulavam os veículos, com militares recrutados à força, transportando a sua carga macabra.  Felizmente a partir de janeiro de 1919 os casos foram se tornando mais raros até desaparecerem, deixando, no seu rastro de cinco a dez por cento de mortos, na população da combalida cidade de Manaus.

Na longínqua cidade de Sena Madureira, no Departamento do Alto Purus, a gripe também se fez presente. Ali foram tomadas, pelas autoridades locais, as seguintes providências, a partir de novembro de 1918: a visita médica de todas as embarcações vindas de portos infectados e o seu controle diário; a suspensão das aulas e o isolamento dos doentes, que aparecessem, no Hospital da Caridade, em enfermaria própria.

A doença chegou, a 25 de novembro de 1918, pelo vapor Óbidos, da Amazon River, trazendo seis passageiros de primeira classe e cinco, de terceira, dos quais sete estavam acometidos pela influenza espanhola benigna, todos isolados no hospital da Caridade. As malas postais receberam rigorosa desinfecção, antes de serem recebidas pelo Correio. Em dezembro, as notícias eram alarmantes. Em Rio Branco existiam mais de 300 casos e, em Manaus, a enfermidade fizera milhares de vítimas, embora já estivesse em declínio.

A doença desapareceu de Sena Madureira nos meses de janeiro e fevereiro de 1919, voltando a recrudescer em março, quando 34 doentes internaram-se, nos primeiros dias, sob os cuidados do doutor Victoriano Freire e Rodrigo de Araújo Jorge. O mal grassava na estrada do Acre, para onde foram remetidos medicamentos.  Até 20 de março mais de 60% da população fora acometida pela espanhola. O Hospital estava preparado para o atendimento dos doentes mais graves, e para lá a Intendência mandou leite, maizena, chá, pão, galinhas, açúcar, redes e cobertores e o Departamento supriu-os com os medicamentos disponíveis.

A Gazeta do Purus, jornal local, assim descreveu a situação: “era desolador e trágico o quadro que oferecia a cidade, acossada duplamente pela fatalidade do destino. Aqui e ali se viam passar macas conduzindo enfermos para o hospital. Todas as ruas se achavam desertas, mesmo as do bairro comercial, sendo intensa a chuva, que de momentos a momentos caía, contribuindo consideravelmente para piorar o estado sanitário”.

O número de doentes foi tão grande, que foi ocupado um prédio à Praça Cearense, para servir de enfermaria de emergência. Organizou-se uma turma de trabalhadores para o transporte de doentes e dos cadáveres, chefiada pelo inspetor de quarteirão José Rebouças. A epidemia permaneceu no ápice por vinte dias, nos fins de março e início de abril. Só em março o número de óbitos atingiu o total de 70 e o de doentes a mais de 2028 pessoas.

Também o Javari foi alcançado pela gripe. Ali a crise da borracha fora terrível, a população estava abandonando todo o vale, deixando-o para ser reocupado pelos índios vindos do Peru, após sucessivas guerras de limpeza étnica. No ano de 1918, estava o meu bisavô João Facundo de Menezes, na progressista cidade de Remate de Males, que ajudara a fundar, refazendo-se de um derrame cerebral, quando foi contaminado e, não resistindo à doença, veio a falecer, sendo nela enterrado. Em 1919, a doença desapareceu do Amazonas, deixando em todos o pavor da sua repetição e, em cada família, a saudade de um ente querido.

Hanseníase: um assunto à parte

As autoridades sanitárias do Amazonas das últimas décadas do século XIX e dos primeiros vinte anos do século XX cansaram-se de anotar, em seus relatórios, sobre a expansão explosiva da doença, em todo o Amazonas, particularmente entre os habitantes dos rios Solimões, Juruá e Purus, e os de Manaus, sendo este o local para onde vinham os doentes de todo o interior, na busca de tratamento, o que dava para prognosticar uma verdadeira pandemia nos anos futuros. Os doentes eram então tratados nos isolamentos que existiram em torno da capital, onde se misturavam com os portadores de moléstias epidêmicas, como a varíola, morrendo mais rapidamente.

Em 1920, grande parte deles estava concentrada no isolamento do Umirisal, em um terreno situado próximo ao bombeamento de águas da cidade, hoje ocupado pela empresa Compensa o que causava desconfiança em todos, por uma possível contaminação do líquido fornecido à população, o que de fato não ocorria. O Umirisal crescera em demasia, tendo, em 1923, mais de cinqüenta hansenianos, habitando casas de palha e barracões de madeira, sem qualquer conforto, e um ambulatório, onde atendiam os médicos Alfredo da Matta e Antonio Ayres de

Almeida Freitas. A hanseníase iniciava a sua escalada, na Amazônia, que praticamente dela ficara indene durante a época colonial.

A miséria dos doentes era tanta, que comovera a população de Manaus, organizando-se uma subscrição popular, destinada a levantar fundos para a recuperação da antiga hospedaria de emigrantes de Paricatuba, o que foi conseguido, em 1924, quando o doutor Samuel Uchoa dirigia a Comissão de Profilaxia.

Naquele local trabalhou-se durante os anos de 1925 e 1926, e as instalações ficaram perfeitas, após algumas reformas; ela comportava um gigantesco prédio construído por volta de 1900; a igreja; a usina de luz; as casas residenciais para funcionários e doentes; o necrotério; a bomba de água e a escadaria do porto, além da bela paisagem do rio Negro, em um de seus lugares mais estreitos. O Amazonas estava preparado para seguir a política de Belisário Pena, a do isolamento dos doentes em hospitais-colônias, face à explosão da lepra, em todo o País, controlando deste modo a sua maior disseminação.

Naquela época a administração amazonense estava entusiasmada com a possibilidade da introdução de grandes levas de imigrantes japoneses e poloneses e o governador Efigênio Sales foi visitar o hospital de Paricatuba, em maio de 1926, acompanhado pelo embaixador japonês e de outras autoridades, que encantados com aquilo que seria a Colônia Belisário Pena, resolveram transformá-la em uma hospedaria dos imigrantes e que nunca chegou a operar. E assim a transferência foi protelada, somente ocorrendo em 1930, quando deixou de existir o Umirisal, sendo seus doentes levados para Paricatuba. Ali a colônia ficaria ativa, por uns 40 anos.

Apesar da existência de dois leprosários no Amazonas, com a inauguração da Colônia Antonio Aleixo, o número de doentes continuou a crescer, face à expansão prevista pelos médicos, anteriormente citada.  Em 1968, quando dirigia o então Serviço Estadual de Lepra, realizei um levantamento da situação da doença, no Amazonas, examinando as mais de sete mil fichas de doentes cadastrados, elaboradas durante trinta anos, desde 1938. Este cadastro nos dava, por amostragem, uma idéia geral e verdadeira da distribuição dos doentes, em todo o Estado do Amazonas, e poderia servir de apoio à uma teoria da disseminação da lepra na Amazônia, por mim apresentada naquele mesmo ano.

As regiões mais atingidas correspondiam às da produção extrativa de borracha. As do Médio-Amazonas e do Rio Negro tinham prevalências bem mais baixas, pois estavam fora da área de maior extração do látex, e Manaus, como centro de atração para tratamento, funcionava como uma região anômala, concentradora de doentes. Essa distribuição associada às áreas de produção de borracha levou-nos a pensar na possibilidade da influência da emigração nordestina e outras, na disseminação da hanseníase, na Amazônia.

Sem dúvidas, sendo uma doença do Velho Mundo, vem sendo ali relatada desde a mais remota antiguidade, principalmente na área do Fértil Crescente. Durante toda a Idade Média tornou-se um flagelo, na Europa, com grandes concentrações de doentes, que foram gradativamente desaparecendo, deportados para as colônias, com o confinamento nas gafarias e pela melhoria geral das condições econômicas e sociais, decorrentes da exploração dos territórios ultramarinos. Em Portugal a falta de doentes levou ao fechamento, ainda no século XVII, de centenas de gafarias.

O Alto Amazonas, até o advento do ciclo da borracha, sempre fora uma região esparsamente habitada por uma população pobre de origem indígena, por alguns mamelucos, uns poucos brancos descendentes de soldados e administradores coloniais, e poucos negros, mulatos e cafuzos; pois os seus habitantes não possuíam recursos para adquirir escravos, ao contrário do que ocorria, no Pará.

A população vivia em sítios e pequenas povoações ao longo dos rios Negro, Amazonas e Solimões. Os contatos com o mundo exterior eram realizados por Belém, através de barcos à vela de até 30 toneladas, que levavam em média uma centena de dias, no trajeto entre aquela cidade e Manaus, subindo o Amazonas. Internamente, a partir de Manaus, todo o transporte se efetivava por canoas de até 5 toneladas, movidas a remo, levando equipagens de índios semiescravos ou de prisioneiros, condenados às penas de galés, pelos mais simples delitos, alimentados com farinha, piraém (peixe seco salgado), cachaça e ipadú.

A partir da segunda metade do século XIX, a navegação a vapor, além de ser mais rápida, possibilitou o transporte de maiores quantidades de carga do que a dos pequenos navios à vela, reduzindo para apenas sete dias a distância entre Belém e Manaus. Isso facilitou a exploração e a anexação ao mercado internacional dos extensos seringais, grandes concentrações de seringueiras produtoras de borracha, localizados em rios desconhecidos, como o Purus, o Juruá, o Javari e o Aquiri, mas povoados por milhares de índios.

As necessidades crescentes do mercado mundial, sempre precisando de maiores quantidades de borracha, indispensável às novas descobertas e utilizações, que iam acontecendo, ano após ano, mostravam que a escassa população do Amazonas seria insuficiente para atender aos reclamos do mercado. Vários fatores ajudaram a suprir esta situação, entre eles as sucessivas secas que se desencadearam no Nordeste Brasileiro, no final do século XIX, e a existência de mão de obra ociosa, naquela região, gerando uma grave pressão social, ciclicamente resolvida pelos governantes nordestinos, com a remessa dos indesejáveis retirantes pobres, para a Amazônia.

Dessa forma, com a Amazônia recebendo centenas de milhares de nordestinos carentes, resolvia-se o problema social do Nordeste e repovoavam-se os novos rios da borracha com essa gente, depois da quase extinção das populações indígenas. Conquistava-se o Aquiri (Acre) e com essa mão de obra barata, aumentava-se a produção da borracha, tão necessária aos fios elétricos e de telefones, aos pneus de automóveis e de bicicletas e às câmaras das bolas, que tornaram possíveis os esportes de massa.

Por outro lado, entregava-se mais de 30.000 pessoas para morrerem anualmente, na extração do látex, logo substituídas por outras, enquanto o ciclo da borracha teve condições econômicas para tal. Junto com esses nossos antepassados estavam centenas de portadores do mal de Hansen, em uma migração forçada ou espontânea, pois talvez jamais possamos defini-la, mas sempre lembramos a primeira possibilidade, pelas ocorrências da Guiana Francesa, transformada em leprosário da França, com as prevalências chegando até 48 doentes, por mil habitantes. Nessas estatísticas do Serviço de Lepra referentes a Manaus, hoje talvez destruídas, estavam as provas dessa ocorrência.

Ali, até 1968, estavam fichados 3001 doentes, dos quais 495 nordestinos, perfazendo 16,5% do total, comprovando a alta percentagem da hanseníase entre os emigrantes. Ao projetarmos este valor sobre o total aleatório de 100.000 nordestinos que entraram no Amazonas, entre 1860 e 1945, encontramos uma prevalência de 4,95 doentes, por cada 1000 emigrantes, valor que aumentaria ainda mais se a ele acrescentássemos os doentes dos outros municípios, ainda vivos e as centenas, talvez milhares, dos que aqui morreram, nesse século de emigração.

Este trabalho foi divulgado no Nordeste por estudantes da Faculdade de Medicina do Amazonas, que transmitiram a possibilidade da existência de grande número de doentes na região nordestina. Hoje passados quase 50 anos da divulgação deste trabalho, a descoberta de novos casos, no Nordeste, tem sido espantosa e os números da prevalência totalmente alterados.

Apesar dessa evidência numérica, muitos continuaram a pensar no contágio da doença, sendo alegados fatores climáticos e alimentares; esquecidos de que a transmissão está na dependência direta da existência da bactéria, A primitiva população indígena da Amazônia estava isenta de lepra e, em toda a época colonial, foram registrados apenas os casos de dois militares portugueses, um deles transferido de Tefé para o Hospital Militar de Barcelos. Além do mais a transmissão independe do clima e da alimentação, pois a doença atinge populações de hábitos totalmente diferentes, em todos os pontos da Terra, da Noruega à Polinésia.

A presença de lepra entre os emigrantes nordestinos explicaria a alta prevalência no Acre, a maior do País, à época, além das situadas às margens dos rios Juruá, Purus, Solimões e região Bragantina, todas elas em área de recolonização nordestina e onde os índios foram eliminados. Essa terrível doença se alastrou na região devido às correntes migratórias oriundas do Nordeste e lançadas na Amazônia para produzir borracha, mas relegadas à miséria, às más condições de higiene; portanto submetidas às condições ideais para a manutenção e o progresso desse mal.

A condição essencial para livrarmos uma população da hanseníase, estava relacionada, em 1968, com a elevação do seu padrão econômico-cultural. Naquele ano, dos 2395 doentes de Manaus, 2266 ou 94,6% eram analfabetos ou de instrução primária, o que demonstrava esta realidade. Hoje sabemos que existem medicamentos altamente eficazes e que a sua eliminação passou a ser uma questão de decisão política continuada.

Os números de 1968 não mais assombram, eles caíram milagrosamente e cumpre às administrações sanitárias atuais e futuras dedicarem a sua atenção ao controle dos novos casos e ao tratamento dos doentes antigos, o que já não é problema, pois os medicamentos atuais realmente curam. Naquele ano, o Estado do Amazonas tinha uma prevalência média de 5,8 doentes por 1000 habitantes; trinta e três anos depois esses números caíram para apenas 0,75 doentes por 1000, o que representaria um grande avanço, necessitando de consolidação, pois a estrutura colonial da Amazônia persiste, impedindo que a sua população obtenha níveis adequados de civilização.

  1. A Medicina dos tempos atuais e Conclusões

As populações da Amazônia, antes da colonização pelo negro e pelo branco, eram atingidas por bem poucas doenças autóctones, entre as quais leishmaniose, necatorose, purupuru, bouba, ptiríase, tíneas e algumas micoses sistêmicas, na sua maior parte sem gravidade, sem surtos epidêmicos e apenas em casos isolados. A disseminação do puru-puru envolvia rituais de mútua flagelação, ajudando a disseminação desta trepanomatose. Algumas dessas doenças, com a chegada dos novos povoadores e seus métodos de ocupação, tornaram-se epidêmicas, como a leishmaniose, pelas derrubadas; a necatorose, pela disseminação dos ovos do helminto, devido ao mau destino dos dejetos.

As doenças do Velho Mundo, pela falta de resistência imunológica das populações nativas, funcionaram como os agentes de uma guerra biológica moderna, matando milhões de indígenas, pelo contágio rápido, em gigantescas epidemias, algumas artificialmente produzidas, como as de varíola, com a roupa de doentes distribuídas entre os índios. E assim as doenças importadas ajudaram a despovoar as Américas, com a mesma intensidade da pólvora, da fome e do escravismo.

Embora muitos problemas do passado ainda persistam, ou voltem a trazer preocupações, como a tuberculose e as hepatites, novas doenças e situações afligem as populações amazonenses; dentre essas se destacam as doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, embora o seu tratamento e profilaxia tenham controlado a epidemia que se delineava para o Brasil. O perigo das arboviroses, tão temido por ocasião do Simpósio sobre a Biota Amazônica, realizado em Belém de 6 a 11 de junho de 1966, não se concretizou, e elas ficaram restritas a uns poucos casos isolados.

Também é comum nos tempos modernos as doenças hereditárias ou degenerativas pela idade, face ao aumento da vida média da população, que subiu em Manaus de 35 anos, em 1954, para 69 anos, em 2000; dentre essas figuram as doenças cardíacas, renais, pulmonares, cânceres, diabetes, hipertensões acidentes de trabalho e automobilísticos, além de várias outras.

A falta de redes de esgotos e de usinas de tratamento, em todas as cidades da Amazônia, está levando à poluição dos rios e isso manterá altos índices de infecções, verminoses e hepatites; a população vive misturada em um ambiente poluído por urina e líquido fecal que escorre pelas ruas e banha os veículos e os transeuntes. Combate-se o consumo de água, em Manaus, com taxas elevadas, quando a água poderia chegar às casas através de aquedutos, a preços mais baixos.

A medicina amazonense teve grandes avanços nestes três séculos de atividade, mas as novas gerações, que estão sendo formadas em nossas escolas, necessitam reassumir a verdadeira posição da classe médica, não deixando a medicina ser dirigida pelos leigos, pelos mordomos do palácio; ela precisa voltar a empunhar o facho do futuro, na definição de alguns dos problemas cruciais citados acima. Não podemos continuar com uma medicina sem diretrizes e comando especializado, manipulada por políticos, dirigida por leigos e de finalidade eleitoral, para a manutenção de poder; nem utilizar-se dela para o enriquecimento ilícito.

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Antonio Loureiro
Historiador amazonense. Membro das academias Amazonense de Medicina e Amazonense de Letras. Ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

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